quinta-feira, 2 de maio de 2013

Sayonara(QUARAÍ-RS) - EDUCAÇÃO - A Aquisição da Linguagem – Teorias e Fatos

  1. A Aquisição da Linguagem – Teorias e Fatos









sumário
apresentação

  1. introdução


      1. A Aquisição da Linguagem – Teorias e Fatos


    1. a aquisição da linguagem segundo o  behaviorismo

    1. a aquisição da linguagem segundo chomsky

    1. aquisição da linguagem segundo Piaget

    1. A teoria de albano

  1. Análise de registros de fala

  1. conclusões

  1. bibliografia



apresentação

O presente trabalho tem por objetivo apresentar e discutir as principais abordagens teóricas sobre a aquisição da linguagem. Para tanto, utilizaremos como referencial teórico as reflexões sobre o tema desenvolvidas por ALBANO (1990), em Da fala à linguagem: tocando de ouvido.

Este trabalho foi realizado como requisito para a conclusão do Seminário “Aquisição da Linguagem”, ministrado pela Profa. Dra. Elizabeth Reis Teixeira, da UFBA, nos dias 19 e 20 de março de 2002, na Universidade Católica de Pernambuco.

  1. introdução

A linguagem da criança sempre provocou especulações diversas entre leigos  ou estudiosos do assunto, mas durante muito tempo estes trabalhos foram escassos e esparsos. Entender como pequenas criaturas são capazes de tanta criatividade e eloquência linguística sempre foi um desafio para muitos.

Estudos sistemáticos sobre o que a criança aprende e como adquire a linguagem, começaram a se desenvolver no século XX. Com a expansão da população infantil e o surgimento das instituições escolares, a criança passa a ser vista como um ser diferenciado, que precisa de cuidados e atenções especiais para se desenvolver, e não mais como um “adulto em miniatura”.

Assim, diversos pesquisadores passaram a estudar os fenômenos referentes à linguagem e ao pensamento infantil. Psicólogos do desenvolvimento como Stern, Bühler, Binet e Guillaume passam a entender a linguagem infantil como um eloqüente indício da intensa atividade intelectual exercida pela criança desde cedo. (ALBANO, 1990, p. 05)

Estudos na área de aquisição da linguagem desenvolveram-se, e hoje constituem uma área de estudos multidisciplinar, tanto da Lingüística como da Psicologia Cognitiva

Mas até chegarmos aos dias de hoje, um longo caminho dentro das ciências da linguagem e do comportamento foi percorrido. É este caminho que, resumidamente, percorreremos agora.

  1. A Aquisição da Linguagem – Teorias e Fatos
    1. a aquisição da linguagem segundo o  behaviorismo

Os estudos sobre a aquisição da linguagem nos Estados Unidos, durante a primeira metade do século XX eram de natureza mecanicista. O quadro científico era na época dominado pela corrente Behaviorista ou ambientalista, dominante nas teorias da aprendizagem.

Segundo o behaviorismo, a aprendizagem da linguagem seria fator de exposição ao meio e decorrente de mecanismos comportamentais como reforço, estímulo e resposta,. (SCARPA, 2001) e a linguagem passa a ser vista como a origem física de todo o pensamento.

Skinner, psicólogo cujo trabalho foi o mais influente no behaviorismo, parte de pressupostos tanto metodológicos quanto teórico-epistemológicos e propõe então enquadrar a linguagem, ou comportamento verbal, em uma cadeia associativa, isto é, sucessões lineares de estímulo resposta e reforço, que explicam o condicionamento e estão na base da estrutura do comportamento.

As principais críticas à teoria Behaviorista são, segundo Albano (1990, p.06):

  • Para os behavioristas todo e qualquer comportamento, incluindo-se aí a linguagem, é explicado através de cadeias associativas, isto é, sucessões lineares de estímulos respostas. Assim, baseando-se neste construto, fica impossível para o behaviorismo explicar enunciados como “O gato que matou u rato que comeu o queijo que você comprou morreu”, pois isso altera o modelo de cadeia behaviorista, interrompendo a relação de dois elementos por um número imprevisível de outros elementos.

  • O Behaviorismo não considera que as respostas dadas pelas crianças possam sofrer influências do meio, como nos casos de generalização ou imitação que as crianças fazem à partir da fala de seus interlocutores, não podendo explicar este fenômeno apenas como estímulo-resposta.

    1. a aquisição da linguagem segundo chomsky

Em 1959 o então jovem lingüista Noam Chomsky publica uma resenha do livro Verbal Behavior de Skinner, posicionando-se contra a visão ambientalista de aprendizagem da linguagem. (SCARPA, 2001)

Segundo Chomsky, estruturas de condicionamento e aprendizagem por mecanismos de contingenciamento ou imitação não podem explicar a complexidade do conhecimento linguístico que segundo ele tem raízes genéticas E,  portanto universais. Assim, se usamos estruturas tão complexas para falar é porque podemos aprendê-las ou já nascemos com elas.

Assim, Chomsky formula sua teoria Inatista, postulando a existência de estruturas linguísticas inatas, formalmente muito complexas, e presentes nos estados rudimentares da aquisição da gramática de qualquer língua. (ALBANO, 1990, p.07) Estas estruturas, denominadas DAL, ou dispositivo inato de aquisição da linguagem, elaboram hipóteses linguísticas sobre dados linguísticos primários, ou seja, a língua à qual a criança está exposta. Desta forma, o conhecimento linguístico da criança se organiza progressivamente através de regras gerais, das quais a fala adulta só oferece pistas indiretas.

Esta teoria da aquisição da linguagem proposta por Chomsky é conhecida como teoria do “Pequeno Linguista”, pois concebe a criança como um obsessivo criador de regras.

Segundo Albano (1990, p. 19), a teoria chomskyana de aquisição da linguagem despreza a especificidade da linguagem, constituindo um retrocesso explicá-la através de idéias inatas. O grande entrave da teoria chomskyana é, se admitirmos que todo saber é inato, foca difícil explicar porque certos conhecimentos afloram tão lenta e tortuosamente, enquanto outros aparecem de súbito e outros ainda, retrocedem até desaparecerem. Ainda segundo Albano (1990, p. 19), se há uma linguagem e uma lógica inatas, a descoberta de irregularidades na língua deve ter um caráter quase instantâneo : uma vez achada a solução correta para um problema, não há razão para desvios ou retornos.

    1. aquisição da linguagem segundo Piaget

Segundo Albano (1990, p.18), Piaget deu muito pouca atenção à linguagem em sua teoria geral do desenvolvimento, em consequência de sua postura contrária ao positivismo lógico. Para Piaget, a aquisição da linguagem desempenhava o papel essencial de traduzir o pensamento ( Aimard, 1998).

Mas, ainda segundo a autora, o processo de aquisição da linguagem é mais “piagetiano” do que parece, pois saberes presentes num dado momento de desenvolvimento da criança, desaparecem e reaparecem estruturados depois. O conhecimento linguístico manifesta seu caráter “piagetiano”, isto é, de abstração progressiva com reestruturações sucessivas, no interior da própria linguagem.

Declarando-se uma construtivista de inspiração piagetiana, Albano, em sua teoria sobre a aquisição da linguagem, discorda de Piaget nos seguintes pontos:

  1. A primeira divergência consiste em admitir predisposições inatas já bastante específicas e diferenciadas. Segundo Albano (1990, p.20), Piaget propôs que o desenvolvimento procede da indiferenciação para a diferenciação, através da atividade estruturante do sujeito. Albano então remete à teoria do “infante competente” (Stone) que demonstra que a criança é capaz de realizar uma vasta gama de discriminações ou mesmo categorizações desde recém nascido.

  2. Outra divergência com relação à Piaget, segundo Albano (1990,p.21), concerne ao poder do indivíduo enquanto sujeito de seu conhecimento. Para Piaget, a criança constrói o saber em interação com o meio através de um processo conhecido como auto-regulação. Para Albano (1990, p.21), se a sensoriomotricidade já possui subsistemas especializados desde o nascimento, é possível ao conhecimento se auto-organizar a partir das interações entre estes subsistemas. Esta é a faceta da auto-organização que concerne à estrutura do indivíduo.

    1. A teoria de albano

Albano denomina sua teoria de construtivista de inspiração piagetiana, como já foi dito anteriormente. Sua principal tese (p.19) é de que a linguagem se constrói a partir de condutas sensoriomotoras neurofisiológicamente mais plásticas, isto é, mais capazes de se interligar a outras condutas sem perder a própria autonomia, a saber: a vocalização/audição e, alternadamente, na surdez, a gesticulação/visão. Assim, a autora pretende demostrar certos conhecimentos mais antigos, emergidos do interior desse sistema, podem integrar-se a outros e reorganizar-se progressivamente a partir do momento da descoberta da linguagem. Desse ponto de vista, é possível aprender a falar com recursos mais concretos que uma linguagem e uma lógica inata, através da abstração pela coordenação de perspectivas construídas em diferentes experiências com a própria linguagem, tais recursos sofrem mudanças qualitativas, ganhando um estatuto linguístico gramatical.

Ainda em sua teoria, Albano (1990,p.20), conceitua linguagem como qualquer aprofundamento de uma tal perspectiva onde já há uma combinatória mínima de unidades simbólicas como, por exemplo, quando a criança começa a combinar palavras ou dividi-las em unidades menores.

Para a autora (p.20), se chega à linguagem tocando de ouvido, onde o toque de ouvido é definido como a atividade de inserir a conduta sensoriomotora num contexto simbólico. Assim, tocar de ouvido é confeccionar um símbolo com recursos concretos, ou quase concretos.

Segundo Albano (1990, p.23), quatro condições são absolutamente imprescindíveis para o desenvolvimento da linguagem:
  1. A presença de um interesse subjetivo pela linguagem, isto é, uma disposição de brincar com as condutas que a aproximam.
  2. A existência de pelo menos um sistema sensoriomotor que permita exorbitar da brincadeira, que tenha uma estruturação prévia bastante rica para ser desfeita e refeita.
  3. A inserção da criança num meio onde a linguagem faça parte de rotinas significativas.
  4. A presença de uma língua minimamente auto-referenciada, que contenha alguns mecanismos gramaticais, sinalizando a própria organização, para que a descoberta de sua estrutura possa proceder eficientemente seguindo uma direção mais ou menos determinada.

  1. Análise de registros de fala

    1. ó que qu’ô fazi! (p.05)

Albano (1990, p.05) coloca o enunciado acima para exemplificar a tendência  que têm as crianças, num certo período de regularizar as irregularidades de sua língua. A autora explica o enunciado à partir da Teoria Behaviorista.

Segundo os behavioristas, o processo de aquisição da linguagem era visto como um simples estabelecimento de associações entre estímulos (palavras ouvidas) e respostas (vocalizações espontâneas da criança). Assim enunciados como o citado pela autora eram interpretados como decorrentes do mecanismo de “generalização”, onde uma resposta condicionada (a vogal final “i”) associa-se a um novo estímulo (o verbo “fazer”), semelhante ao estímulo do verbo comer (comi).

    1. ô dinda, vencato! (p.14)
Neste enunciado, Albano pode perceber uma variante de “vem cá”, mas só
com a convivência com a criança pode concluir que esta utilizava o final to em enunciados com a finalidade de dar ordens.
Estas irregularidades originaram-se em formas adultas de flexionar os verbos no imperativo, que a criança utilizava da fala materna.

    1. mão! (p.24)

O enunciado “mão!”, foi gritado insistentemente por uma criança de um ano e meio, alternando o olhar entre um brinquedo de rodas e o avô. Segundo Albano (1990, p.24) este fenômeno é explicado pela sensoriomotricidade plástica semi automática que a criança possui, e da qual muitas vezes o adulto não se dá conta.
Assim, esta experiência mostra que a expressão verbal de cenas manipulativas privilegia o objeto ou o agente do movimento, uma vez que organizada em função da linguagem em si mesma. Tal classificação faz-se possível porque a sensoriomotricidade que dá sentido às palavras é independente daquela que lhes dá forma, dando margem a coordenações mais ou menos arbitrárias.

  1. conclusões

Acabamos de ver algumas  teorias e fatos relacionados à aquisição da linguagem pelas crianças. Estas teorias não esgotam todas as existentes sobre o assunto. Pesquisas na área desenvolvem-se tentando preencher lacunas existentes.
Assim, pensar a linguagem da criança é um desafio instigante para muitos pesquisadores que se aventuram pelos caminhos das ciências da linguagem.











  1. bibliografia


AIMARD, Paule. O surgimento da linguagem na criança. Porto Alegre: Editora Artmed, 1998.

ALBANO, Eleonora C. Da fala à linguagem – Tocando de ouvido. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1990.

SCARPA, Ester M. Aquisição da Linguagem  in Introdução à lingüística – domínios e fronteiras – volume 2. Capítulo 7 São Paulo: Editora Cortez, 2001.
A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM – TEORIAS E FATOS

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O Seu Jornal - Quarta-feira, 01/05/2013 - EDIÇÃO ESPECIAL

(Dr. Antônio Carlos Ignachitti Gomes(1956-2005)



Sem fins comerciais, para ser livre.

MANCHETES:

Visconde do Rio Branco - Minas Gerais - Brasil - Quarta-feira, 01/05/2013


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Trabalhador nada teve a comemorar no 1º de Maio





         Este foi mais um Primeiro de Maio em que o trabalhador nada teve a comemorar. A história vem de longe. Mas, no Brasil, somente vivemos um período de vitórias trabalhistas entre a Revolução de 1930 e o Golpe Militar de 1964. O feriado  serviu apenas para reflexão sobre aquela fase, quando o país alcançou relativa independência enquanto a classe trabalhadora conquistava justos direitos.

         A Revolução de 30 pôs fim à República Velha e à prepotência dos coronéis que sucederam a Monarquia portuguesa. Sob a liderança de Getúlio Vargas, implantou o voto universal e secreto, no lugar do “bico de pena”, quando aquelas oligarquias levavam seus empregados para “votar” em livros abertos à vista de seus patrões.

         Na primeira década do novo regime, o governo provisório teve de enfrentar e vencer a revolução paulista de 1932, a intentona comunista de 1935 e a tentativa de golpe dos integralistas planejada para 1938, liderada por Plínio Salgado.  Getúlio antecipou-se aos golpistas e estabeleceu o Estado Novo em 1937.  No meio dessa turbulência e, após ela, institucionalizou o voto feminino e legitimou os direitos trabalhistas, com a Consolidação das Leis do Trabalho que deram direito ao dia semanal de descanso e às férias remuneradas; as aposentadorias e pensões; à estabilidade no emprego; às indenizações por dispensa sem justa causa; ao aviso prévio; à criação do salário-mínimo capaz de cobrir as despesas essenciais à sobrevivência do trabalhador e sua família, com moradia, alimentação, educação, lazer, saúde, higiene, vestuário e previdência social, com reajustes periódicos de forma a manter seu poder aquisitivo.

          “O Governo Vargas reduziu consideravelmente a dívida externa comprovando irregularidades e cláusulas abusivas que constituíam crimes de lesa-pátria, realizando, para isso, uma auditoria da dívida pública brasileira reafirmando os compromissos soberanos do nosso país.”(pagina13.org.br)

"Getúlio Vargas, em 1931, determinou a realização de uma auditoria da dívida externa brasileira, que provou que somente 40% da dívida estava documentada por contratos, dentre outros aspectos graves, como ausência de contabilização e de controle das remessas ao exterior, o que permitiu, na época, grande redução tanto do estoque como do fluxo de pagamentos, abrindo espaço para a criação de direitos sociais." (http://cadtm.org/EQUADOR-Auditoria-garante)

         Essas e outras medidas tomadas por Vargas, afirmavam a soberania do País, e lhe deram condições de implantar a Revolução Industrial para a geração de emprego.  Criou, como documento de segurança do trabalhador, a Carteira de Trabalho, onde consta o contrato como relação de compromisso entre empregado e empregador.  E tem o histórico funcional de cada cidadão que serve para demonstrar as experiências, tempo de trabalho em cada empresa e contagem do tempo de serviço para fins de aposentadoria.

         Para participar da Segunda Guerra Mundial, Getúlio conseguiu dos Estados Unidos os recursos para criar a Cia. Siderúrgica Nacional(CSN), que, nas palavras de Darcy Ribeiro, tinha o objetivo de ser “uma fábrica de fábricas”.  A  sua matéria prima  sempre foi abundante  no subsolo brasileiro.

         Depois da Guerra, Getúlio sofreu um golpe de gabinete, por influência dos Estados Unidos.  Mas criou o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e levou adiante sua luta. Voltou à presidência da República pelo voto direto em 1951.  Criou a Petrobrás que se tornou a continuadora do seu programa de descoberta e exploração do petróleo brasileiro iniciada no primeiro governo. Criou também a Cia. Vale do Rio Doce.  Sofre nova pressão de golpe em 1954, e foi levado à morte(atribuída a suicídio), o que evitou o Golpe, com a posse do vice, Café Filho.  Deixou como herdeiro político João Goulart, que instituiu  o 13º salário.  O Salário família vem do primeiro governo de Getúlio Vargas.
        
         São trabalhistas históricos:
·          Abdias do Nascimento, (1914-2011), escritor e ativista negro
·         Benedicto Cerqueira, (1919-1982), metalúrgico
·         Darcy Ribeiro (1922-1997), antropólogo e senador
·         Doutel de Andrade, (1920-1991), jornalista, advogado e ex-deputado federal pelo RJ e SC
·         Francisco Julião (1915-1999), escritor, político e militante das Ligas Camponesas
·         Jackson Lago (1934-2011), médico, ex-prefeito de São Luís e ex-governador do MA
·         Jefferson Peres (1932-2008), senador do AM
·         Leonel Brizola (1922-2004), fundador do partido(PDT) e ex-governador do RS e RJ
·         Lysâneas Maciel (1916-1999), ex-deputado federal (RJ) e vereador da cidade do Rio de Janeiro.
·         Lidovino Antonio Fanton (1920-1982), fundador do partido, ex- deputado estadual (RS) e federal
·         Luís Carlos Prestes (1898-1990), militar, ex-senador, ex-Secretário Geral do PCB
·         Mário Juruna (1942-2002), cacique indígena e ex-deputado federal
·         Moacir C. Lopes (1927-2010), escritor e novelista
·         Neiva Moreira (1917-2012), jornalista e político

Em 25 de agosto1961, Jânio quadros, com sete meses de mandato, renunciou à Presidência da República, alegando “pressões de forças ocultas”.  Tinha como vice João Goulart, que fora eleito na chapa do Marechal Lott.  Naquele tempo, os votos de vice e de presidente não eram vinculados. Os militares quiseram impedir a posse de Jango.  Leonel Brizola, então Governador do Rio Grande do Sul, criou a Cadeia da Legalidade (uma série de emissoras de rádio, a partir da Rádio Guaíba de Porto Alegre, requisitada pelo Governador).  Do porão do Palácio Piratini, Brizola conclamava o povo a resistir ao Golpe e garantir a posse de Goulart.  Com o apoio do 3º Exército sediado no RS, Jango tomou posse, depois de uma negociação intermediada por Tancredo Neves, sob o Regime Parlamentarista, que foi derrubado por um plebiscito em 06 de janeiro de 1963.  Volta o Regime Presidencialista.

        Jango sentia compromisso com as classes populares e com as lideranças que pregavam a manutenção da soberania nacional e exigiam uma série de Reformas.  Seu governo é marcado por um amplo programa em que destacava as Reformas de Base: urbana, bancária, agrária...  e a limitação de remessas de lucros para o exterior. 

        Os militares e as forças políticas conservadoras, aliadas aos Estados Unidos, voltam a se articular para o Golpe tentado em 1954.  Em 1º de Abril de 1964 derrubam o presidente e implantam a Ditadura Militar que durou 21 anos. 

        O objetivo desses golpistas era afastar o trabalhismo do poder.  A Ditadura levou o país a um retrocesso de 50 a 100 anos. Voltou à condição de dependente externo, principalmente por meio da Dívida Externa, que, no fim do Governo Jango era inferior a 3 bilhões de dólares.  E, quando houve a “redemocratização” estava acima de 200 bilhões. 

        A “redemocratização” foi  condicionada a que a “esquerda”(trabalhismo) não voltasse ao poder.  Para isto criaram estrategicamente (Golbery) partidos com roupagem de trabalhador, mas sob as bênçãos dos Estados Unidos e das classes dominantes, para dividir e enfraquecer a classe trabalhadora até o esgotamento das organizações trabalhistas de fato.
O PT nasceu dessa estratégia. 

Enquanto Leonel Brizola tinha condições eleitorais, não fora permitida a reeleição. Por isto, seu projeto educacional do Estado do Rio de Janeiro sofreu abalos. Na sua primeira eleição naquele estado(1982), o sistema Globo tentou roubar-lhe a vitória através da fraude que ficou conhecida como Proconsult.  Uma auditoria no sistema e a recontagem de voto a voto levou a justiça eleitoral a oficializar sua vitória.  Não podendo ser reeleito, todo o seu trabalho em torno dos CIEPs foi sabotado.  Quando voltou, em 1990, retomou o projeto dos mais de 500 CIEPs.  Sem reeleição, depois de terminado o seu mandato, os sucessores fizeram água do mais avançado plano educacional implementado no Brasil.

        Com a sua morte, os dirigentes do PDT, partido que Brizola criou, transformaram-no em uma “sigla de aluguel, um balcão de negócios”, nas palavras do deputado Paulo Ramos.  É um dos vários partidos fisiologistas que compõem a base do governo, desde Lula (de quem Brizola mandara desligar-se) e se alia a todos os governadores e prefeitos de qualquer partido que lhe dê uma secretaria qualquer. 

        No desmonte da legislação e das conquistas trabalhistas o PDT de hoje está sendo conivente no famoso “toma lá, dá cá”, expressão tão usada por Brizola contra os políticos sem princípios e de mau caráter.

        Leiam a coluna do Pedro Porfírio, logo a seguir, para saberem mais a respeito deste 1º de Maio.

(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)




1º de maio ou 1º de abril? - Pedro Porfírio

BLOG DO PEDRO  PORFÍRIO



Um primeiro de maio com barba, cabelo e bigode de primeiro de abril. Com suas manhas e com  seu culto cínico à mentira.  Um feriado com shows e brindes para fazer a galera mergulhar no poço profundo das ilusões. O próprio faz de conta que expõe a forma mais sofisticada do peleguismo do Século XXI, numa agressão semântica ao significado de uma data que já foi de luta e hoje é de luto. Um luto paradoxalmente festejado com graças a Deus pelas proles espoliadas.

Nada mais deprimente.  Em plena era hegemonizada por um suposto partido dos trabalhadores, a classe operária vive a incerteza de um amanhã robótico, sujeitando-se a qualquer contrato que lhe assegure pelo menos o pão nosso de cada dia.

Tempos hediondos esses em que a fala mais ouvida é a da flexibilização das leis trabalhistas, a repetição ressonante do epitáfio da CLT, que hoje completa 70 anos, como se sua miniaturização fosse a panacéia da salvação da economia.  

Horas de trapaças em que os sindicatos operários se transformam em apanágios do conformismo e de um pragmatismo corrosivo, prestando-se muito mais ao gáudio dos seus dirigentes profissionalizados, quase sempre calados por prebendas, subvenções oficiais e outros quindins, além do imoral imposto sindical, que esfaqueia compulsoriamente o trabalhador em proveito de entidades a que ele não se filiou por  ter perdido a fé no seu falatório.

Pelos quatro cantos do Brasil consta-se que a classe trabalhadora perdeu o seu elã, entrou perigosamente para a sociedade do consumo compensatório, abandonou a visão matemática dos seus direitos e enveredou pelo caminho do cada um por si, do salve-se quem puder,  do antes pouco do que nada.

Sufocada a classe trabalhadora nas empresas privadas, onde não se ouve um grito, nem se sabe de um só esperneio, sob pena do olho da rua,  as vozes dissonantes ecoam tontas nos serviços públicos, onde o projeto do Estado mínimo se consolida no sucateamento da saúde, no esvaziamento da educação de qualidade e na sujeição dos órgãos monitores ao sagrado poder dos grupos econômicos incontroláveis.

Época de categorias em processo de extinção, como os bancários,  ou sob pressões desumanas, como os rodoviários, num ritual macabro de amputações sociais, na proporção inversa da engorda dos grandes banqueiros, donos incontestáveis do Brasil, e dos empresários  de ônibus, donos incontestáveis das nossas cidades.

Instante matreiro de subtração dos ganhos reais de forma tão acintosa que qualquer reivindicação operária deixou de pedir o resgate do serviço público e passou a incluir em sua pauta de negociações a adesão a esses ilusórios planos privados de saúde.

Era trágica da despolitização das massas perdidas, afetadas por todo tipo de alienação sistêmica, vulneráveis às máquinas de comunicação e aos mistificadores  que, em nome de Deus, oferecem graças mirabolantes com alto teor de idiotia.

Dias de tonalidades escuras, das políticas compensatórias manipuladoras, do prato de comida, das migalhas enfeitadas, dos programas sociais imobilizantes que reduzem a zero a dignidade do homem, extirpa-lhe a auto-estima e o transforma em gado manso, inapetente, sob efeito de uma alquimia perversa.

Momentos de uma massa acrítica, que aceitou terceirizar o raciocínio, parou de pensar, desistiu de questionar, aceitando-se como dependente crônica dos paliativos casuístas.

Situações grosseiras onde a classe política, que seduz trabalhadores desavisados, perdeu o recato, trocou a ideologia por bons negócios e  investiu no embuste, no marketing, no jogo de cena,  na vigarice e no uso da máquina pública no interesse único e exclusivo de suas ambições insaciáveis.

Ambiente obsceno que leva a cidadania ao colapso mental e apresenta gastos perdulários como conquistas nacionais, como essas farsas das copas de futebol, dos jogos olímpicos, que só beneficiam mesmo quem se farta em obras superfaturadas de utilidade efêmera,  criando meras ilusões tópicas, perecíveis, de nenhum proveito estrutural.

Atmosfera poluída de maus hábitos, em que políticos loquazes, detentores das franquias de esquerda, são pegos com a mão na massa, presos como achacadores e propineiros, julgados como corruptos e corruptores, num terrível golpe aos que deram suas vidas por uma sociedade justa, aos que consideram, como o presidente uruguaio José Mujica, que ideologia de esquerda, honestidade e austeridade são irmãs inseparáveis.

Falar em dia do trabalhador nestes anos de estelionato político hipertrofiado é agredir a história  e escarrar sobre as memórias de tantos mártires, como os trabalhadores que foram massacrados em Chicago naquele 1º de maio de 1886.

É reconhecer no sofrimento do sonho perdido que o sistema das elites vence de ponta a ponta e ainda se dá ao luxo de consolidar o regime da mais valia, da exploração do homem pelo homem,  pelas mãos de falsos esquerdistas e comunistas degenerados e apegados inescrupulosamente às  travessuras dos podres poderes.

É sentir nos cataclismos do caráter corroído a superposição de um típico 1º de abril sobre o desfigurado 1º de maio, hoje apenas um dia de folga a mais.