quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A comemoração da vitória eleitoral


                            

Carro de som percorre as ruas da cidade convidando o povo para a carreta da vitória eleitoral nesta sexta-feira.  Nada demais. É um ato normal, justo e de direito.

Na maturidade civilizada de um povo, nesta ocasião, os vencidos devem assistir de cabeça erguida, e os vencedores devem fazer a sua festa com humildade.

Foi bom este ato vir acontecer alguns dias depois do resultado, com tempo suficiente para uns e outros dormirem algumas noites, acalmar os ânimos e desarmar espíritos.  Nada de ressentimento, nem de tripudiar sobre o adversário vencido.

Houve tempo em que, logo após a apuração, saíam carreatas dos vencedores fazendo foguetório e excediam no uso de fogos de artifício, com rojões nas portas e quintais dos adversários que ainda se encontravam abalados para absorver a derrota como uma tragédia.

A alternância de vitórias e derrotas entre grupos rivais, entretanto, ensina que os vencedores de hoje poderão ser os derrotados de amanhã.  E um gesto de humildade é colocar-se no lugar do outro nesse momento até como atitude inteligente, para evitar o crescimento da beligerância que impede a evolução da civilidade.   Já foi dito que política é como as nuvens, que mudam a cada hora a sua fisionomia.  E, nessa mudança imprevisível, quantas vezes os adversários de um momento se tornam aliados em outro?!  As conveniências estratégicas levam a isto.

Um rojão, quando explode na porta de um adversário, seu ruído atinge o tímpano de muita gente. E, no meio dessa gente, pode haver alguém que seja aliado do agressor, ou alguém de posição neutra.  São decibéis ferinos como o sol e a chuva que vêm sem olhar para quem.  E, não raro, quem atira, ou manda atirar, atrai, no mínimo, antipatia, que pode chegar à aversão, à rejeição.

Esse embate de rivalidade João/Iran leva Visconde do Rio Branco a 28 anos de domínio dos dois na prefeitura, com o mandato a se iniciar em 2013.  É normal pensar que o objetivo de Iran seja alcançar o quarto mandato, para se igualar a João. Neste caso, certamente disputará a reeleição em 2016.  Se acontecer sua vitória novamente, passará para 32 anos esse domínio que alguns chamam de “Baião de Dois”, um termo de comparação bem humorada sobre a famosa composição do finado Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

         Os dois se encontram no mesmo nível social, embora com estilos diferentes de administrar e de fazer contato com o povo. Não poderiam ter personalidades completamente iguais, porque nem irmãos gêmeos são.  E parece que ambos repudiam semelhante ideia. Mas, querendo ou não, defendem os mesmos interesses de classe.

         Neste caso, fica evidente que a mesma classe social se encontra no poder dentro de prováveis 32 anos, personalizada por eles.  Isto sem contar os anteriores que, na história do município, nunca estiveram em patamar social diferente.  Leva-nos a pensar que a estrutura sócio-política local nos impõe uma ditadura de classe, sempre personalizada, porque, como já dissemos, os partidos não fazem qualquer diferença.  Esses dois personagens comprovam isto: João foi eleito pelo PDC, no primeiro mandato, quando Iran – que já tinha passado pelo PJ(de Collor) – concorreu pelo PMDB; João, depois, passou para o PMDB(Jacaré – lembram-se?), quando Iran estava no PSDB(45 – dizem os apostadores do ‘bicho’ que também é Jacaré); João vai para o PSDB e leva todo o seu grupo; o partido é do Danilo de Castro e do governador de Minas, que lhe dão apoio; e Iran cai no PT, Lula, Dilma, do governo Federal e dos líderes do Mensalão.   Mas esse Mensalão, com a forma atual, teria começado em Minas com Eduardo Azeredo(PSDB), em 1998.  O Marcos Valério, que era o canal  intermediário entre uns e outros, proporcionou no processo a intromissão do termo “valerioduto”. 

         Esse troca-troca, com tanta coisa em comum, faz lembrar o futebol, com a venda de passe de jogadores que ora defendem as cores de um clube, fazem gol, beijam a camisa, vibram; e, de repente, estão do outro lado fazendo a mesma coisa no quadro dos ex-adversários.

         Os financiadores de campanha na política desempenham o mesmo papel dos patrocinadores(donos) do passe de um jogador. Querem saber do resultado financeiro.

          Na política, o cidadão é eleitor de dois em dois anos, e contribuinte o tempo todo.  No futebol ele paga ingresso na bilheteria, e é torcedor nas arquibancadas.  A renda vai para os cartolas.

         Tolice é fazer inimizade por uns e por outros.  A política e o futebol mudam como as nuvens. E  inimizade pode durar a vida inteira, com desgastes e ressentimentos para uns e outros.

         As festas de comícios, de comemorações de vitória, com distribuição de comida e bebida, desde os currais eleitorais até o “oba-oba” das posses, aliadas às emoções das disputas dos clubes nos campeonatos locais, estaduais e nacionais são modernas práticas do “pão e circo” desde os tempos remotos do Império Romano.

(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
  

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