Carro de som percorre as ruas da cidade convidando o povo
para a carreta da vitória eleitoral nesta sexta-feira. Nada demais. É um ato normal, justo e de
direito.
Na maturidade civilizada de um povo, nesta ocasião, os
vencidos devem assistir de cabeça erguida, e os vencedores devem fazer a sua
festa com humildade.
Foi bom este ato vir acontecer alguns dias depois do
resultado, com tempo suficiente para uns e outros dormirem algumas noites,
acalmar os ânimos e desarmar espíritos.
Nada de ressentimento, nem de tripudiar sobre o adversário vencido.
Houve tempo em que, logo após a apuração, saíam carreatas dos
vencedores fazendo foguetório e excediam no uso de fogos de artifício, com
rojões nas portas e quintais dos adversários que ainda se encontravam abalados
para absorver a derrota como uma tragédia.
A alternância de vitórias e derrotas entre grupos rivais,
entretanto, ensina que os vencedores de hoje poderão ser os derrotados de
amanhã. E um gesto de humildade é
colocar-se no lugar do outro nesse momento até como atitude inteligente, para
evitar o crescimento da beligerância que impede a evolução da civilidade. Já foi dito que política é como as nuvens,
que mudam a cada hora a sua fisionomia.
E, nessa mudança imprevisível, quantas vezes os adversários de um
momento se tornam aliados em outro?! As
conveniências estratégicas levam a isto.
Um rojão, quando explode na porta de um adversário, seu ruído
atinge o tímpano de muita gente. E, no meio dessa gente, pode haver alguém que
seja aliado do agressor, ou alguém de posição neutra. São decibéis ferinos como o sol e a chuva que
vêm sem olhar para quem. E, não raro,
quem atira, ou manda atirar, atrai, no mínimo, antipatia, que pode chegar à
aversão, à rejeição.
Esse embate de rivalidade João/Iran leva Visconde do Rio
Branco a 28 anos de domínio dos dois na prefeitura, com o mandato a se iniciar
em 2013. É normal pensar que o objetivo
de Iran seja alcançar o quarto mandato, para se igualar a João. Neste caso,
certamente disputará a reeleição em 2016.
Se acontecer sua vitória novamente, passará para 32 anos esse domínio
que alguns chamam de “Baião de Dois”, um termo de comparação bem humorada sobre
a famosa composição do finado Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
Os dois se encontram no mesmo nível
social, embora com estilos diferentes de administrar e de fazer contato com o
povo. Não poderiam ter personalidades completamente iguais, porque nem irmãos
gêmeos são. E parece que ambos repudiam
semelhante ideia. Mas, querendo ou não, defendem os mesmos interesses de
classe.
Neste caso, fica evidente que a mesma
classe social se encontra no poder dentro de prováveis 32 anos, personalizada
por eles. Isto sem contar os anteriores
que, na história do município, nunca estiveram em patamar social
diferente. Leva-nos a pensar que a estrutura
sócio-política local nos impõe uma ditadura de classe, sempre personalizada,
porque, como já dissemos, os partidos não fazem qualquer diferença. Esses dois personagens comprovam isto: João
foi eleito pelo PDC, no primeiro mandato, quando Iran – que já tinha passado
pelo PJ(de Collor) – concorreu pelo PMDB; João, depois, passou para o
PMDB(Jacaré – lembram-se?), quando Iran estava no PSDB(45 – dizem os
apostadores do ‘bicho’ que também é Jacaré); João vai para o PSDB e leva todo o
seu grupo; o partido é do Danilo de Castro e do governador de Minas, que lhe
dão apoio; e Iran cai no PT, Lula, Dilma, do governo Federal e dos líderes do
Mensalão. Mas esse Mensalão, com a
forma atual, teria começado em Minas com Eduardo Azeredo(PSDB), em 1998. O Marcos Valério, que era o canal intermediário entre uns e outros, proporcionou
no processo a intromissão do termo “valerioduto”.
Esse troca-troca, com tanta coisa em
comum, faz lembrar o futebol, com a venda de passe de jogadores que ora defendem
as cores de um clube, fazem gol, beijam a camisa, vibram; e, de repente, estão
do outro lado fazendo a mesma coisa no quadro dos ex-adversários.
Os financiadores de campanha na
política desempenham o mesmo papel dos patrocinadores(donos) do passe de um
jogador. Querem saber do resultado financeiro.
Na política,
o cidadão é eleitor de dois em dois anos, e contribuinte o tempo todo. No futebol ele paga ingresso na bilheteria, e
é torcedor nas arquibancadas. A renda
vai para os cartolas.
Tolice é fazer inimizade por uns e por
outros. A política e o futebol mudam
como as nuvens. E inimizade pode durar a
vida inteira, com desgastes e ressentimentos para uns e outros.
As festas de comícios, de comemorações
de vitória, com distribuição de comida e bebida, desde os currais eleitorais
até o “oba-oba” das posses, aliadas às emoções das disputas dos clubes nos
campeonatos locais, estaduais e nacionais são modernas práticas do “pão e circo”
desde os tempos remotos do Império Romano.
(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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