sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O Seu Jornal - 30/11/2012 - Sexta-feira

Dr. Antônio Carlos Ignachitti Gomes(1956-2005)
Sem fins comerciais, para ser livre.

MANCHETES

Visconde do Rio Branco - Minas Gerais - Brasil - 30/11/2012 - Sexta-feira






Dilma veta distribuição de
royalties para áreas licitadas

Há indícios de liberação de dados em troca de dinheiro, diz ministro


Economia para pagar juros da dívida chega a R$ 12,398 bi

Centrais sindicais cobram votação
do fim do fator previdenciário

Trabalhadores têm até hoje para receber primeira parcela do 13º

Visconde do Rio Branco - Minas Gerais - Brasil - 30/11/2012 - Sexta-feira

Imagens
Rua Cel. Geraldo, entre Gen. Ozório e Esquina do Pecado. Imagem: Isah Baptista


Rua Mal. Floriano: as três casas demolidas. Imagem: Isah Baptista

Rua Major Felicíssimo, entre Rua Nova e Ponte da Água Limpa. Imagem: Isah Baptista
Santa Cruz de La Sierra - Av. Bush. Imagem: José Luiz Lopes Gomes
Segundo Encontro de Ultra-Leves no Clube de Voo da Floresta - Visconde do Rio Branco
Sede do Engenho Central - Década de 70 - Séc. XX. Como Usina São João II
Sede da Fazenda União, no tempo de Antônio Monteiro de Brito. Imagem: Clara de Brito
Rua Voluntários da Pátria. Imagem histórica: Danton Ferreira
Rua Raul Soares - Morro da Escola. Imagem: www.asminasgerais.com.br








Renda por habitante no Brasil não chega à população





         Começamos a ver a disparidade em cada município, aonde a renda por habitante não chega a cada um. Como em todo o Brasil, os 10% mais ricos abocanham o fruto do suor da maioria que produz, gera riqueza, mas recebe valores irrisórios, insuficientes para as necessidades básicas de uma família.

         A renda por habitante do Brasil no mudo coloca o país em posição intermediária e, estranhamente, outros países do América Latina têm melhor posição, embora com menos riqueza e recursos naturais.

         Três organismos internacionais divulgaram números relativos ao ano de 2010, nos quais a  este país situa-se sempre em posição intermediária, diante de sua pujança como provável 5ª maior potência econômica mundial.

         O Fundo Monetário Internacional coloca o Brasil na 76ª posição, com renda per capita de 11.769,41 dólares. No câmbio apregoado pela equipe econômica dá R$ 23.538,82.  Não é o ideal, mas daria para uma família de quatro pessoas receber por mês pelo menos R$ 3.923,13, correspondente à metade de sua renda gerada para o Estado, admitindo-se que a outra metade seria destinada a manter a máquina dos três poderes.

         Outros países da AL gozam de posições melhores nessa avaliação do FMI: Argentina(52ª), Chile(53ª), México(64ª), Panamá(66ª), Venezuela(73ª), Costa Rica(75ª).

         Para o Banco Mundial, o Brasil fica na 63ª posição, com 11.289, dólares, valor aproximado da avaliação do FMI. Neste relatório, aparecem acima:  Argentina(43ª), México(53ª), Chile(47ª), Uruguai(51ª), Panamá(53ª), Venezuela(59ª).

         Já para a CIA. Word Factbook, o Brasil tem a mesma posição do FMI(76ª), superado por Chile(56ª), Argentina(57ª), Uruguai(65ª), Panamá(70ª), Venezuela(71ª) e Costa Rica(75ª).

         Desses países, a Argentina tem a melhor colocação nas três avaliações, com 17.516 dólares conforme o FMI.

         Brasil e Argentina, fora a rivalidade no futebol, têm muita coisa em comum.  O peronismo lá e o varguismo aqui conviveram em uma mesma época e deixaram fortes heranças no conceito de nacionalismo e na legislação trabalhista.  Ambos enfrentaram hostilidade dos Estados Unidos e das classes dominantes de cada país, passaram por ditaduras militares e convivem com as sequelas posteriores às ditaduras.  A diferença é que a Argentina retomou a tentativa da soberania nacional e puniu alguns chefes militares responsáveis pelas torturas e desaparecimentos de presos políticos.  O Brasil, ao contrário, mantém as alienantes privatizações e empurra com a barriga a questão do período de exceção.

         São considerações à parte.
         
         Por outro lado, há uma série de países latino-americanos em posições inferiores ao Brasil, na questão de pib per capita, nas três avaliações: Peru, Suriname, Republica Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Paraguai, Guatemala, Bolívia, Nicarágua, Haiti, Costa Rica(Banco Mundial), Colômbia, Peru, Cuba.

         É bom haver esses estudos por órgãos diferentes.  No contexto, poucas variações aparecem. Talvez por motivo de metodologia.

         Há um dado que chama a atenção e revela a importância da distribuição de renda. Cuba aparece em 85ª posição no relatório da CIA. Word Factbook, com renda per capita de 9.900 dólares.  Nos outros dois não consta a posição da Ilha de Fidel, talvez por exclusão ideológica.

         No entanto, nos dados sobre Educação no mundo, até 2007, esse pequeno país das Antilhas se encontra entre os cinco primeiros colocados, ao lado de Nova Zelândia, Dinamarca, Finlândia e Austrália, com IDH 0,993, com indicação de que seu aprimoramento cresceu em relação aos anos anteriores, enquanto os outros quatro se mantiveram estáveis.  A Venezuela ocupa a 46ª posição, cm IDH 0,921, e também com indicação de melhora em relação aos anos anteriores.  A maioria dos países do mundo tem indicadores negativos comparados ao passado. A Bolívia, mal colocada em renda per capita, aparece na posição 63ª, em ascensão, com IDH 0,892.  O Brasil vem em 65ª posição, com IDH 0,891, e com sinalização de queda. 

Naquele ano de 2007, a Líbia de Kadafi era a primeira colocada na África, com IDH 0,894.  Quando assumiu o poder, havia somente 8% da população alfabetizados. Quando foi assassinado, o país tinha somente 8% de analfabetos. Com a renda de seu petróleo, dispensava impostos do seu povo, oferecia casa para os recém casados e financiamento para seus cidadãos comprarem carro. E havia transformado 80% do deserto em fazendas férteis, com um vitorioso sistema de irrigação. Pretendia comercializar o petróleo com o mundo em moeda própria.  Os Estados Unidos e seus aliados fizeram a ONU determinar a invasão do país pelas forças mercenárias da OTAN, que assassinaram com requintes de crueldade aquele líder em luta de resistência junto a seu povo.

         Em outra relação dos 10 primeiros colocados em educação em 2006, nas Américas, Cuba aparece em segundo lugar,  com IDH 0,976, abaixo do Canadá(0,991) e acima dos Estados Unidos(0,968).

         Nesta o Brasil aparece em nono lugar(0,905), abaixo de Chile(918), Guiana(0,939), Barbados(0,940), Argentina(0,948-há probabilidade de erro) e Uruguai(0,955).

         Todos se lembram da campanha da mídia dominante internacional contra Muammar Kadafi, seguida cegamente pelos meios de comunicação domésticos(e domesticados).  

         Depois desta volta ao mundo, atrás de alguns indicadores sociais, voltamos ao seio do município, que pode ser Visconde do Rio Branco, como qualquer outro dos 5.565 brasileiros.  Vemos o semblante da multidão nos sinais abertos das grandes avenidas, ou nos transeuntes de qualquer calçada.  Podemos pensar o que se passa na vida de cada um quando temos certeza de que a maioria vegeta com o salário mínimo de R$ 622,00.  Sobre educação basta conversar um pouco com alguém aleatoriamente para percebermos qual é o grau predominante.  De vez em quando, encontramos alguém suando para conseguir uma bolsa de estudo para um curso superior.

         Os caminhos são muito caros e difíceis para se chegar a uma faculdade pública, mais fácil para a camada social privilegiada que pode pagar escolas particulares nos estágios inferiores.

         Muitos passam pelas escolas.  E poucos sabem ler e escrever.  Livros caros, mensalidades caras, o tempo é pouco e o cansaço é grande.

         Tudo teria de começar no município, com cursos básicos gratuitos e de qualidade. Com professores bem remunerados e escolas públicas equipadas com estrutura para oferecer a estudantes e professores meios de aperfeiçoamento e atualização.

         Nossos políticos custam muito caro. E os trabalhadores recebem muito pouco, menos da quarta parte do necessário.

         O próprio povo tem que tomar a iniciativa da transformação diante dos crimes de mensalões e improbidade na administração pública. Iniciativas como a da Ficha Limpa têm de ser multiplicadas para a reforma política, a distribuição de renda e cada um ter participação nos bens de acordo com o que produz. 

         Quando as aves de rapina voarem para outras plagas, prevalecerá a máxima de “A César o que é de César”.  Ao povo o que é do povo.

(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com.) 

Zezé Cola(Vilas Boas - Guiricema-MG) - Poesia Ilustrada




                                              Para Drummond
Para ler, clique na imagem

José Luiz Lopes Gomes(De Viçosa-MG) - Frases Importantes









Millôr Fernandes "Brasil: país governado por um gigantesco tour-de-farsa."
Millôr Fernandes



Millôr Fernandes "Além de transformarem o Brasil num cassino, viciaram a roleta."
Millôr Fernandes


Millôr Fernandes






"Brasil, país do futuro. Sempre."
Millôr Fernandes

AGÊNCIA BRASIL - 30/11/2012 - Sexta-feira


18h01
A presidenta Dilma Rousseff vetou o Artigo 3º do projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados que muda as regras de distribuição dos royalties do petróleo de campos já em exploração. Além disso, todos os royalties dos futuros contratos serão destinados à educação.
16h13
Segundo Aloizio Mercadante, servidores do MEC podem ter liberado informações da pasta para faculdades em troca de dinheiro, conforme revelou a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. O ministro defendeu ainda a ampliação da estrutura para fiscalizar a emissão de diplomas de graduação.
11h15
No mesmo período de 2011, o superávit primário, esforço para o pagamento de juros da dívida do setor público consolidado – governos federal, estaduais e municipais e empresas estatais - foi R$ 13,936 bilhões, e em setembro deste ano, R$ 1,591 bilhão.
 
16h02
Em nota, as cinco maiores centrais criticam decisão da bancada governista na Câmara de adiar a votação do projeto de lei. A matéria tinha apoio de diversos líderes, mas não entrou na pauta da sessão de quarta-feira e agora não tem prazo para ser novamente apreciada.
15h31
Ao abrir a Cúpula da Unasul, o presidente peruano defendeu maior integração para enfrentar desafios comuns na região. No discurso de abertura, Ollanta Humala citou a “violação de processos democráticos”, em clara alusão ao Paraguai, que foi suspenso do Mercosul e da Unasul após a destituição do presidente Fernando Lugo .
 
13h03
O Ministério da Saúde anunciou o início da troca de tecnologia para produção nacional do Atazanavir. Assim, 11 dos 20 remédios oferecidos pelo sistema público de saúde para tratamento de HIV/aids serão fornecidos por laboratórios nacionais.
10h29







"Temos recebido várias denúncias de graves violações de direitos humanos contra os guaranis kaiowás em Mato Grosso do Sul", disse Gilda Pereira, integrante do grupo que visitou nesta semana as aldeias Arroio Korá e Ypo´i, em Paranhos, e Pyelito Kue, em Iguatemi.

15h11







O objetivo da caminhada no Jardim Aracati foi encorajar e apoiar mulheres que queiram mudar de vida, como a orientadora educacional Francisca Chagas, de 45 anos, que sofreu agressões físicas em 20 anos de casamento, até  se divorciar.
9h15
O programa de cotas a ser implantado nas universidades paulistas, como antecipou a Agência Brasil na última sexta-feira (23), será semelhante ao adotado nas universidades federais, mas terá duas novidades: a concessão de bolsas de um salário mínimo e a criação de um curso preparatório de dois anos.
11h13
A representante do Brasil na ONU, embaixadora Maria Luiza Viotti, defendeu a criação de Estado palestino, com o compromisso da “autodeterminação e uma paz justa e duradoura no Oriente Médio”. Ela condenou a violência e cobrou o fim do bloqueio à Faixa de Gaza.

Tempo em Visconde do Rio Branco-MG


Visconde do Rio Branco-MG
Início da Rua São José, Pito Aceso, a partir da esquina com Santo Antônio



Temperatura máxima32ºC
Temperatura minima 18ºC
TEMPO PARCIALMENTE NUBLADO.
Vento: FRACOS/MODERADOS
Direção do vento: E
INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA
Fim de tarde, com os últimos raios de Sol entre muitas
nuvens(18:06). Neste momento, na Rua Santo Antônio,
temperatura a 28,1ºC.

AMANHÃ
Máxima32ºC
Minima16ºC
SOL ENTRE NUVENS COM CHUVA ISOLADA
INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA

Tempo em Guiricema-MG


Guiricema-MG- pede socorro !!


Temperatura máxima 32ºC
Temperatura mínima 18ºC
TEMPO PARCIALMENTE NUBLADO.
Vento: FRACOS/MODERADOS
Direção do vento: E


AMANHÃ
Máxima32ºC
Mínima16ºC
SOL ENTRE NUVENS COM CHUVA ISOLADA
INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA

COLUNA DO PAULO TIMM(De Portugal) - Literatura brasileira: os 10 maiores poemas de todos os tempos


Compilação



Literatura brasileira: os 10 maiores poemas de todos os tempos
Posted: 27 Nov 2012 04:48 AM PST

Lista foi organizada por grupo de escritores, críticos, professores e jornalistas e reuniu 24 poesias mais citadas entre 40 indicações totais. Confira as 10 mais votadas


Cada poesia é única e provocada diferentes repercussões nas vidas e emoções das pessoas. Um mesmo poema pode, por exemplo, alegrar ou encher de melancolia a mesma pessoa em diferentes épocas da vida. Fica quase impossível, portanto, escolher quais são os melhores poemas de todos os tempos. Mesmo assim, um grupo de escritores, críticos, jornalistas e professores aceitou o desafio e escolheu os 10 maiores poemas de autores brasileiros de todos os tempos.
manuel bandeira poesia brasileira
Dois poemas de Manuel Bandeira (foto) integram lista. O ranking reuniu as 24 poesias mais citadas entre uma lista de 40 indicações.

O ranking, feito pela Revista Bula, reuniu as 24 poesias mais citadas entre uma lista de 40 indicações. Entre as escolhidas, abaixo você pode conferir as 10 mais votadas. Por medidas de direito autoral, algumas obras tiveram apenas trechos divulgados.


A Máquina do Mundo (Carlos Drummond de Andrade)


E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa, e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatos que era pausado e seco; e aves pairassem no céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente se fossem diluindo na escuridão maior, vinda dos montes e de meu próprio ser desenganado, a máquina do mundo se entreabriu para quem de a romper já se esquivava e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta, sem emitir um som que fosse impuro nem um clarão maior que o tolerável pelas pupilas gastas na inspeção contínua e dolorosa do deserto, e pela mente exausta de mentar toda uma realidade que transcende a própria imagem sua debuxada no rosto do mistério, nos abismos.
Leia também


Abriu-se em calma pura, e convidando quantos sentidos e intuições restavam a quem de os ter usado os já perdera e nem desejaria recobrá-los, se em vão e para sempre repetimos os mesmos sem roteiro tristes périplos, convidando-os a todos, em coorte, a se aplicarem sobre o pasto inédito da natureza mítica das coisas. (Trecho de A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade)

Vou-me Embora pra Pasárgada (Manuel Bandeira)


Vou-me embora pra Pasárgada 
Lá sou amigo do rei 
Lá tenho a mulher que eu quero 
Na cama que escolhereiVou-me embora pra Pasárgada 

Vou-me embora pra Pasárgada 
Aqui eu não sou feliz 
Lá a existência é uma aventura 
De tal modo inconseqüente 
Que Joana a Louca de Espanha 
Rainha e falsa demente 
Vem a ser contraparente 
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica 
Andarei de bicicleta 
Montarei em burro brabo 
Subirei no pau-de-sebo 
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado 
Deito na beira do rio 
Mando chamar a mãe-d’água 
Pra me contar as histórias 
Que no tempo de eu menino 
Rosa vinha me contar 

Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo 
É outra civilização 
Tem um processo seguro 
De impedir a concepção 

Tem telefone automático 
Tem alcaloide à vontade 
Tem prostitutas bonitas 
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste 
Mas triste de não ter jeito 
Quando de noite me der 
Vontade de me matar — 
Lá sou amigo do rei — 

Terei a mulher que eu quero 
Na cama que escolherei 
Vou-me embora pra Pasárgada.

Poema Sujo (Ferreira Gullar)

turvo turvo a turva mão do sopro 
contra o muro escuro menos menos
menos que escuro 
menos que mole e duro 
menos que fosso e muro: 
menos que furo escuro 
mais que escuro: 
claro como água? como pluma? 
claro mais que claro claro: 
coisa alguma e tudo (ou quase) 
um bicho que o universo fabrica 
e vem sonhando desde as entranhas 
azul era o gato azul 
era o galo azul o cavalo azul 
teu cu tua gengiva igual a tua bocetinha 
que parecia sorrir entre as folhas de banana 
entre os cheiros de flor e bosta de porco 
aberta como uma boca do corpo 
(não como a tua boca de palavras) 
como uma entrada para eu não sabia 
tu não sabias fazer girar a vida 
com seu montão de estrelas 
e oceano entrando-nos em ti bela 
bela mais que bela mas como era o nome dela? 
Não era Helena nem Vera 
nem Nara nem Gabriela 
nem Tereza nem Maria 
Seu nome seu nome era… 
Perdeu-se na carne fria 
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia 
(Trecho de Poema Sujo, de Ferreira Gullar).


Soneto da Fidelidade (Vinícius de Moraes)

De tudo, ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto 
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em louvor hei de espalhar meu canto 
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure 
Quem sabe a morte, angústia de quem vive 
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive): 
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure.


Via Láctea (Olavo Bilac)

“Ora (direis) ouvir estrelas! 
Certo Perdeste o senso!” 
E eu vos direi, no entanto, 
Que, para ouvi-las, muita vez desperto 
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto 
A Via Láctea, como um pálio aberto, Cintila. 
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, 
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo! 
Que conversas com elas? 
Que sentido 
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las! 
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”


O Cão Sem Plumas (João Cabral de Melo Neto)

A cidade é passada pelo rio como uma rua é passada por um cachorro; uma fruta por uma espada.
O rio ora lembrava a língua mansa de um cão 
ora o ventre triste de um cão, 
ora o outro rio de aquoso pano 
sujo dos olhos de um cão.
Aquele rio era como um cão sem plumas. 
Nada sabia da chuva azul, da fonte cor-de-rosa, 
da água do copo de água, 
da água de cântaro, dos peixes de água, da brisa na água.
Sabia dos caranguejos de lodo e ferrugem.
Sabia da lama como de uma mucosa. 
Devia saber dos povos. 
Sabia seguramente da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio jamais se abre aos peixes, 
ao brilho, à inquietação de faca que há nos peixes. 
Jamais se abre em peixes.


Canção do Exílio (Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar — sozinho, à noite — 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu’inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.


As Cismas do Destino (Augusto dos Anjos)

Recife. Ponte Buarque de Macedo. 
Eu, indo em direção à casa do Agra, 
Assombrado com a minha sombra magra, 
Pensava no Destino, e tinha medo!
Na austera abóbada alta o fósforo alvo 
Das estrelas luzia… 
O calçamento Sáxeo, de asfalto rijo, atro e vidrento, 
Copiava a polidez de um crânio calvo.
Lembro-me bem. A ponte era comprida, 
E a minha sombra enorme enchia a ponte, 
Como uma pele de rinoceronte 
Estendida por toda a minha vida!
A noite fecundava o ovo dos vícios 
Animais. Do carvão da treva imensa 
Caía um ar danado de doença 
Sobre a cara geral dos edifícios!
Tal uma horda feroz de cães famintos, 
Atravessando uma estação deserta, 
Uivava dentro do eu, com a boca aberta, 
A matilha espantada dos instintos!
Era como se, na alma da cidade, 
Profundamente lúbrica e revolta, 
Mostrando as carnes, uma besta solta 
Soltasse o berro da animalidade.
E aprofundando o raciocínio obscuro, 
Eu vi, então, à luz de áureos reflexos, 
O trabalho genésico dos sexos, 
Fazendo à noite os homens do Futuro. 
(Trecho de As Cismas do Destino, de Augusto dos Anjos).


As Pombas (Raimundo Correia)

Vai-se a primeira pomba despertada… 
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas 
De pombas vão-se dos pombais, apenas 
Raia sanguínea e fresca a madrugada.
E à tarde, quando a rígida nortada 
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas, 
Ruflando as asas, sacudindo as penas, 
Voltam todas em bando e em revoada.
Também dos corações onde abotoam, 
Os sonhos, um por um, céleres voam, 
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam, 
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam, 
E eles aos corações não voltam mais.


Invenção de Orfeu (Jorge de Lima)

1. Um barão assinalado sem brasão, 
sem gume e fama cumpre apenas o seu fado: 
amar, louvar sua dama, dia e noite navegar, 
que é de aquém e de além-mar 
a ilha que busca e amor que ama.
Nobre apenas de memórias, 
vai lembrando de seus dias, 
dias que são as histórias, histórias 
que são porfias de passados e futuros, 
naufrágios e outros apuros, 
descobertas e alegrias.
Alegrias descobertas ou mesmo achadas, 
lá vão a todas as naus alertas de vaia mastreação, 
mastros que apoiam caminhos a países de outros vinhos. 
Está é a ébria embarcação.
Barão ébrio, mas barão, de manchas condecorado; 
entre o mar, o céu e o chão fala sem ser escutado 
a peixes, homens e aves, bocas e bicos, com chaves, 
e ele sem chaves na mão.
2. A ilha ninguém achou porque todos o sabíamos. 
Mesmo nos olhos havia uma clara geografia.
Mesmo nesse fim de mar qualquer ilha se encontrava, 
mesmo sem mar e sem fim, mesmo sem terra e sem mim.
Mesmo sem naus e sem rumos, 
mesmo sem vagas e areias, 
há sempre um copo de mar 
para um homem navegar.
Nem achada e nem não vista nem descrita
 nem viagem, há aventuras de partidas 
porém nunca acontecidas.
Chegados nunca chegamos 
eu e a ilha movediça. 

Móvel terra, céu incerto, 
mundo jamais descoberto.
Indícios de canibais, 
sinais de céu e sargaços, 
aqui um mundo escondido 
geme num búzio perdido.
Rosa-de-ventos na testa, 
maré rasa, aljofre, pérolas, 
domingos de pascoelas. 
E esse veleiro sem velas!
Afinal: ilha de praias. 
Quereis outros achamentos 
além dessas ventanias tão tristes, tão alegrias? 
(Trecho de Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima).
Fonte: Universia Brasil