A
construção da Avenida Beira-Rio trouxe mais problema do que solução.
Se visava
desafogar o trânsito no centro da cidade, os períodos de impedimento parcial para
reparos entre as pontes da Água Limpa e do Carrapicho duram mais da metade do
intervalo entre a expectativa de uma enchente e outra.
Houve precipitação na iniciativa de sua
obra. A certeza de enchentes maiores do que o seu leito original vem desde
1932, famosa por sua abrangência, até então inédita. Houve outras, como a de
1959, que também chegou à esquina do pecado e Rua Coronel Geraldo, inundando
lojas e residências. A de 32, teria
chegado ao jardim da Praça 28 de Setembro. Antes, o perímetro urbano era
pequeno e o número de habitantes da cidade não chegava à metade do total.
Imagens: Alexandre Peluso
Mas o início das obras daquela avenida
já coincidia com um período de crescimento demográfico na zona urbana, na
transição do século 20 para o 21. E a
concentração de moradores na cidade contribui para aumentar o volume das
cheias, devido à ocupação natural das áreas adjacentes, que torna impermeável o
solo coberto por asfalto e cimento armado, além da eliminação da vegetação
existente nesses espaços.
E a obra daquela via pública começa por
eliminar as matas ciliares ribeirinhas, sustentadoras da crosta terrestre de
suas laterais. Dentro de um critério
responsável, teria de ser feito cálculo da capacidade cúbica da passagem das
águas vindas das cabeceiras por ocasião de chuvas torrenciais, ou trombas d’água,
mais as que viessem se juntar a elas oriundas dos altos dos morros loteados e
urbanizados, como de outras áreas das partes baixas onde também a vegetação foi
substituída pelas construções e pelo calçamento.
Pista no lugar das matas ciliares
Para a viabilidade dessa pista, dentro
de um previsível constante crescimento urbano, o espaço para o curso do rio
teria de ter sua capacidade no mínimo dobrada, no alargamento, ou na
profundidade. A primeira hipótese parece
inviável por falta de espaço lateral, entre os vãos das pontes e as construções
de um lado e de outro. O aprofundamento
aumenta o risco de erosão e desabamento.
Havia uma ponte construída na década de
70 do Século passado, projetada para ligar a Rua Dr. Altino Peluso a um projeto
que atingisse a Rua Nova(Av. Dr. Carlos Soares). Plano que se tornou inviável porque havia
terrenos particulares naquela trajetória que impediam a sua conclusão. Assim, a ponte ficou pendurada sobre o outro
lado do Rio. Por questões de rivalidade
política, facções adversárias passaram a denominar aquela tentativa de “Ponte Sem
Explicação”. E o termo caiu no humor rio-branquense e virou domínio popular.
Nesse clima, para alguns, a construção
da Avenida viria “explicar” a Ponte.
Se houvesse condições técnicas, essa
obra se justificaria, para desafogar o trânsito no centro da cidade. Os espaços estão menores a cada dia para o
volume de veículos. O trecho da estrada
de ferro desativada tornou-se indispensável na estratégia de trafegabilidade no
Município.
Apesar de tudo, naquelas condições,
essa obra não deveria ter sido realizada.
Houve erro de açodamento. Dependeria
de estudos, cálculos, análises sobre conseqüências, impacto ambiental.
Erro de
razão. O motivo para melhorar o movimento de veículos era pequeno para tantos
riscos e custos.
Erro de
custo. Altas indenizações dos imóveis desapropriados para aquele fim, mais a
execução da obra em si.
Erro
ambiental. A pista de rolamento ocupa o
espaço das matas ciliares e ultrapassa os limites das margens do curso das
águas. E a destruição dessas matas
elimina a sustentabilidade dessas
margens e provoca as erosões de todas as enchentes. Exatamente por causa dessas erosões, a
Avenida se encontra mais tempo passando por obras de reparação, do que livre
para o trânsito. Isto consome recursos que poderiam estar sendo aplicados na
conservação de outras ruas e avenidas.
Erro de
manutenção. Pelas razões acima, ela se tornou cara para a construção e para
manutenção.
Erro de
ocupação. Uma pista lateral ao Rio
sujeito a transbordamentos periódicos, nunca poderia ser usada para construção
de habitação e outras atividades no seu transcurso. São permanentes áreas de risco. São
constantes ameaças à vida e a prejuízos irreparáveis.
Imagens de 16/07/2012 - Rua José Lopes, paralela à Av. Beira Rio
Por tudo
isto, ela é cara aos cofres públicos e à economia privada. Em resumo: é cara à população, sobre quem recaem
todas as despesas realizadas. E a de vida se torna de má qualidade.
Este início
de outubro sempre nos leva a estas reflexões, porque muda o clima com a chegada
da Primavera, para nossa região com a elevação da temperatura e as ameaças de
chuva. De agora até janeiro as
precipitações pluviométricas atingem seu pico, não se sabe quando exatamente. Os dois
últimos traumas vieram em novembro de 2010 e janeiro deste ano.
Temos marcas
das destruições de 2006, de 2010, e de janeiro/2012.
2006
Nov. 2010
02/01/2012
Residências,
comércio e atividades públicas à margem dessa Avenida colocam seus ocupantes em
alerta a partir de agora. Todos têm de
estar atentos aos serviços de meteorologia.
Não sabermos por que razão as enchentes chegam sempre em altas horas da
madrugada.
O fim de ano
que é tempo de festa para uns, traz tormenta para outros.
(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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