Cartas de Portugal 7
Os
resultados sugerem que o crescimento da economia portuguesa foi adversamente
afetado pela adesão de Portugal à União Económica e Monetária (UEM). No entanto, o euro
parece ter funcionado como porto de abrigo durante a recessão provocada pela crise
financeira internacional.(...)
Os resultados do exercício contrafactual sugerem que, nos primeiros 11
anos, o euro teve um impacto negativo na evolução do PIB.
( Luís Aguiar-Conraria†Fernando Alexandre - O euro e o crescimento da economia portuguesa:uma análise contrafactual)
Vim ver e vi. Estou em Portugal, entre idas e vindas ao Brasil, há pouco mais de um ano. Parte por razões sentimentais; outra parte por amar a língua a que me dedico por vocação e aqui encontro estímulos; mas também para analisar a crise, de perto. Como economista tenho acompanhado, passo a passo, o caminho da humanidade rumo a insensatez, desde 2008. É pior do que se comenta, embora, aqui, não se a perceba, nas ruas, como catástrofe social . Explico: Portugal é um país que, além de uma alta renda- US $ 21.558 p/c em 2010, muito melhor distribuída do que no Brasil, tem uma qualidade de vida excepcional. Mais de 70% da população tem residência própria, o nível de escolaridade é tão bom e tão alto que já se fala em sobre-escolarização, fenômeno, aliás que já atinge outros países. A saúde é praticamente universalizada. Não há expressivos bolsões de miséria, como vemos na América Latina.Tudo isso se revela na excelência da qualidade de vida no país, de população igual em território substancialmente menor que o Estado do Rio Grande do Sul e mais rico.( O PIB em 2010 de Portugal, em dólares era equivalente ao do Rio Grande em reais.) O país modernizou-se bastante depois do 25 de abril de 1974 – Revolução dos Cravos, e particularmente depois da integração com a Europa, em 1986.
“O crescimento econômico português esteve acima da média da União Europeia na maior parte da década de 1990. O PIB per capita ronda os 76 % das maiores economias ocidentais europeias. A lista ordenada anual de competitividade de 2005 do Fórum Econômico Mundial (WEF — World Economic Forum), coloca Portugal no 22.º lugar, à frente de países como a Espanha, Irlanda, França, Bélgica e da cidade de Hong Kong. Esta classificação representa uma subida de dois lugares face à posição de 2004. No contexto tecnológico, Portugal aparece na 34.ª posição da lista e na rubrica das instituições públicas, Portugal é 24.ª melhor.[135]”
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal)
PORTUGAL
Fonte:wikipedia
| Área | |
| - Total | 92 090[2] km² (109.º) |
| - Água (%) | 0,48 |
| População | |
| - Censo de 2011 | 10 561 614[3] hab. |
| - Densidade | 115,3 hab./km² (87.º) |
| PIB (nominal) | Estimativa de 2010 |
| - Total | US$ 229,336 mil milhões * [4] (37.º) |
| - Per capita | US$ 21 558 [4] (32.º) |
| Indicadores sociais | |
| - Gini (2009) | 33.7[5] |
| - IDH (2011) | 0,809 (41.º) – muito elevado[6] |
| - Esper. de vida | 79,4 anos (39.º) |
| - Mort. infantil | 3,1/mil nasc. (26.º) |
| - Alfabetização | 94,9% (68.º) |
Estado do Rio Grande do Sul
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Lema: Liberdade, Igualdade, Humanidade
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Fonte: Wikipédia e FEE/RS
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| Área | |
| - Total | 281 748,538 km² (9º) [1] |
| População | |
| - Censo 2010 | 10 693 929 [2] hab. |
| - Densidade | 37,96 hab./km² (13º) |
| Economia | US$=R$1,50 md/a |
| - PIB-2008 - PIB -2010/ FEE | R$193,500 bilhões (4º) R$228.289 bilhões |
| - PIB per capita | R$17.825 (6º) |
| Indicadores | 2008[3] |
| - Esper. de vida | 75,3 anos (3º) |
| - Mort. infantil | 13,1‰ nasc. (27º) |
| - Analfabetismo | 5,0% (23º) |
| - IDH (2005) | 0,832 (5º) – elevado[4] |
Nesse contexto, sobreveio a crise recente, levando o Governo Socialista a firmar um Memorando de Entendimento, em 03 de maio de 2011, com as autoridades monetárias européias, popularizadas como Troika - Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. Esses organismos foram representados, à ocasião (que nem sempre faz o ladrão...) por Jürgen Kröger (Comissão Europeia) e contando também com Poul Thomsen (Fundo Monetário International) e Rasmus Rüffer (Banco Central Europeu).[4] wiki Esse protocolo assinalou o início de uma era de austeridade no país, com considerável aperto do cinto nos salários e aumento de impostos. E a queda do Gabinete de José Sócrates, do Partido Socialista.
“O Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, também conhecido como Memorando de Entendimento ou Plano da Troica[1], é um acordo de entendimento celebrado em maio de 2011 entre o Estado Português e o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, visando o equilíbrio das contas públicas e o aumento da competitividade em Portugal, como condição necessária para o empréstimo pecuniário de 78 mil milhões de euros que estas três entidades concederam ao Estado português.[2]
Segundo o memorando de entendimento firmado entre o Governo e a troica, o compromisso de Portugal foi atingir um défice de 5,9 por cento em 2011 (contra os 4,6 por cento anteriores), 4,5 por cento em 2012 e 3 por cento em 2013, quando a meta anterior era de 2 por cento.
O memorando indica que estas metas irão estabilizar a dívida pública por volta de 2013, acrescentando que tal reflete um apropriado equilíbrio entre as ações necessárias para restaurar a confiança dos mercados e assegurar que este ajustamento não prejudique excessivamente o desenvolvimento da economia e do emprego.[3”
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Memorando_de_Pol%C3%ADticas_Econ%C3%B3micas_e_Financeiras)
Com a saída dos socialistas, há pouco mais de um ano, sobe ao Poder uma coligação conservadora de dois Partidos - PDS + PSD-, sob o comando de Passos Porto. Desde então, o aperto fiscal só vem se acentuando, sem que a economia dê qualquer sinal de recuperação. Já no terceiro trimestre de 2011 revelava uma contração de 0,6% do PIB, ainda que, dentre todos os países da Zona do Euro tenham tido resultados ainda piores, com exceção de Alemanha e França, que tiveram ligeiro crescimento. Passado um ano do novo Governo, entretanto, os resultados são pífios: http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=1395172&audio_id=2529252 .
A crise aqui, como na Irlanda, na Grécia e na Espanha é de origem financeira e como lá se expressa por altas taxas de desemprego, queda dos salários reais e por uma retração dos gastos públicos que restringe benefícios sociais. “Pela primeira vez em 14 anos os salários em Portugal vão baixar em termos absolutos em 2012 e continuarão "sob pressão" até se inverter a subida do desemprego, segundo um estudo da Mercer a que a Lusa teve acesso”
( http://expresso.sapo.pt/salarios-baixam-pela-primeira-vez-em-14-anos=f755358#ixzz27QBlyUYO) . Há quase um milhão de desempregados no país, afirma Relatório do próprio Governo, alarmado com o agravamento da situação, que corresponde a uma taxa que vem se multiplicando nos últimos vinte anos, até chegar aos atuais 15,5%, com previsão de 16% em 2013 http://www.portugal.gov.pt/media/615432/20120601_mef_desemprego.pdf
( http://expresso.sapo.pt/salarios-baixam-pela-primeira-vez-em-14-anos=f755358#ixzz27QBlyUYO) . Há quase um milhão de desempregados no país, afirma Relatório do próprio Governo, alarmado com o agravamento da situação, que corresponde a uma taxa que vem se multiplicando nos últimos vinte anos, até chegar aos atuais 15,5%, com previsão de 16% em 2013 http://www.portugal.gov.pt/media/615432/20120601_mef_desemprego.pdf
De cerca de 5.5%, em média, na década de 1990 o desemprego
estrutural terá aumentado para cerca de 8.5%, em média, na última década. Nos anos recentes esta
tendência de aumento agravou-se para valores da ordem os 11.5%. De acordo com estas estimativas a
taxa de desemprego estrutural mais que duplicou num período de vinte anos
As origens mais remotas da Crise Econômica, porém, estão na forma de incorporação de Portugal à União Europeia- UE, em 1986 e, sobretudo seu ingresso apressado na Zona do Euro com o ingresso da nova moeda em 01 de janeiro de 2002, com o que abriu mão de sua soberania sobre a Política Monetária. Além disso, os analistas têm chamado a atenção para o fato de que este momento coincidiu com o aumento da concorrência em escala mundial e em especial com os países do Centro e Leste Europeu incorporados à EU. Destaca-se, também a rigidez dos mercados locais de trabalho, bens e serviços, em especial a fragilidade do capital humano para as novas fronteiras tecnológicas do processo industrial. E, por último, a própria política de Governo, exageradamente expansionista em termos da concessões de salários, benefícios e gestão orçamentária.
A década de 90 até que foi extremamente favorável ao país, com taxas de crescimento do PIB na ordem de 7,0% a.a., superior à de vários países da EU. Mas já nos primeiros anos da nova moeda, a erosão começava a se fazer perceber:
“O fraco desempenho da economia portuguesa foi explorado em Abril de 2007 pelo The Economist, que descreveu Portugal como "um novo homem doente da Europa".[147] De 2002 a 2007, a taxa de desemprego aumentou de 5% para 8% (270 500 cidadãos desempregados em 2002 para 448 600 cidadãos desempregados em 2007).[148] No início de dezembro de 2009, o desemprego atingiu 10,2 % da população, o maior em 23 anos. Em dezembro de 2009, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a sua avaliação de crédito de longo prazo de Portugal de "estável" para "negativa", expressando o pessimismo sobre as debilidades estruturais econômicas do país e a fraca competitividade, o que prejudicaria o crescimento e a capacidade de reforçar as suas finanças públicas.[149] Em Julho de 2011, a agência de classificação Moody's rebaixou a sua avaliação após o aviso do risco de deterioração em Março de 2011.[150]

Évora, considerada a cidade mais competitiva de Portugal de acordo com um estudo feito pela Universidade do Minho em 2006.[151]
A corrupção tornou-se um assunto de importância política e econômica para o país. Alguns casos são bem conhecidos e foram amplamente divulgados nos meios de comunicação, tais como acontecimentos em vários municípios envolvendo autoridades municipais e empresários locais, bem como políticos de alto-escalão.[152][153] Não obstante o Índice de Percepções de Corrupção de 2010, compilado pela Transparência Internacional, colocou Portugal na 31ª posição em termos de percepção de corrupção, logo abaixo de Israel e Espanha, e 34 posições acima da Itália.[154]
Um relatório publicado em Janeiro de 2011 pelo Diário de Notícias, um importante jornal português, revelou que no período entre a Revolução dos Cravos, em 1974, e 2010, os governos da República Portuguesa sobrecarregaram o erário público com as despesas de parcerias público-privadas pouco claras. Várias consultorias ineficazes e desnecessárias permitiram uma derrapagem considerável na gestão de obras públicas. A economia também foi danificada por créditos de risco, excesso de dívida pública e má-gestão dos fundos estruturais e de coesão europeus durante quase quatro décadas. Aparentemente, o gabinete do primeiro-ministro José Sócrates não foi capaz de prever ou prevenir qualquer destes sintomas e em 2011 o país estava à beira da falência arrastado pela crise financeira internacional”
Mas apesar de grave, a crise não é muito visível. Todos reclamam, embora o espírito de apatia, que herdamos, seja – ainda! - muito maior do que de revolta. Mas como diz o velho provérbio: Até a sorte se cansa do sortudo e o abandona depois de um tempo. A paciência, também. É o que se depreende no último dia 15 (setembro-2012), depois da monstruosa manifestação popular em Lisboa contra o arrocho: A tolerância está se esgotando. Já muitos apostam que, à crise econômica, sobrevenha agora, uma crise de Governo.
Vale registrar essa estranha dialética entre apatia e explosão dos lusitanos. Se a primeira é a regra, que sublinhou os longos anos de ditadura salazarista, mantendo Portugal à margem da modernidade, há um momento histórico que é sempre lembrado aos governantes: A “defenestração”de Dom Miguel Vasconcelos:
“Miguel de Vasconcelos e Brito (c. 1590 [1] — 1 de Dezembro de 1640 [2]) foi secretário de Estado (primeiro-ministro) da duquesa de Mântua, vice-Rainha de Portugal, em nome do Rei Filipe IV de Espanha (Filipe III de Portugal). Era odiado pelo povo por, sendo português, colaborar com a representante da dominação filipina. Foi a primeira vítima da Revolução de 1640, tendo sido defenestrado da janela do Paço Real de Lisboa para o Terreiro do Paço. Assim como previa a revolução, o povo, que aguardava no Terreiro do Paço, só saberia que a revolução tinha sido bem sucedida quando Miguel Vasconcelos fosse defenestrado.
Um esconderijo apertado: A defenestração
Depois de entrarem no palácio, os conspiradores procuraram Miguel Vasconcelos, mas dele nem sinal. E por mais voltas que dessem, não encontravam Miguel de Vasconcelos. Já tinham percorrido os salões, os gabinetes de trabalho, os aposentos do ministro, e nada.
Ora acontece que Miguel de Vasconcelos, quando se apercebeu que não podia fugir, escondeu-se num armário e fechou-se lá dentro, com uma arma. O que finalmente o denunciou foi o tamanho do armário. O fugitivo, ao tentar mudar de posição, remexeu-se lá dentro, o que provocou uma restolhada de papéis. Foi quanto bastou para os conspiradores rebentarem a porta e o crivarem de balas. Depois atiraram-no pela janela fora.
O corpo caiu no meio de uma multidão enfurecida que largou sobre ele todo o seu ódio, cometendo verdadeiras atrocidades, sendo deixado no local da queda para ser lambido pelos cães, símbolo da mais pura profanação.”
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_de_Vasconcelos)
A verdade é que a crise política se avizinha. A coalizão conservadora, PDS/PDS já não está se entendendo bem. E a oposição, Partido socialista à frente, retoma a ofensiva para retornar ao Poder. O próprio Mário Soares, ex-Presidente, o Notável, embora fora das disputas, já se manifestou claramente pela queda de Passos Porto, atual Primeiro Ministro. Enquanto isto, crescem as tentativas de amplos setores da sociedade portuguesa, inclusive entre empresários e até membros do Ministério Público e do Exército, no sentido de forçar o Governo a voltar atrás em algumas das extensas medidas, que consideram exageradas:
Família
1. O acesso aos cuidados de saúde ficou mais caro. A taxa moderadora numa consulta nos centros de saúde é de 5 euros e numa urgência ronda os 20 euros. As isenções são atribuídas com base no rendimento.
2. O IVA de diversos produtos, como a água engarrafada, aumentou para a taxa intermédia de 13%. Os refrigerantes passaram a estar sujeitos à taxa de 23%. O IVA na restauração subiu para 23%.
3. O IVA sobre o gás e a eletricidade subiu de 6 para 23% ainda em 2011. Este ano, o preço da eletricidade aumentou 4%.
4. O IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis é agravado em 0,1% nas habitações reavaliadas ou transacionadas desde 2004. A taxa mínima passa de 0,5% e a máxima para 0,8%. Para alguns, os aumentos serão consideráveis.
5. As deduções com a habitação no IRS baixam para 15% num montante máximo de 591 euros. Antes eram de 30%. No próximo ano os descontos para IRS poderá aumentar se avançar a redução dos escalões.
6. As despesas de saúde passam a ser dedutíveis em sede de IRS apenas em 10%, menos 20% que os 30% até então aplicados. As deduções com seguros e educação também diminuíram.
7. Os transportes públicos sofrem um aumento de 15%, em Agosto de 2011, e no ínício de 2012 voltam a aumentar 5%.
8. Acabam os chamados passes sociais. Os reformados e estudantes deixam de ter direito a descontos. Os descontos dependem agora do rendimento.
9. As estradas sem custos para o utilizador, SCUT, passam todas a ser pagas.
Mais ricos
1. No ano passado, o Imposto Sobre Veículos (ISV) subiu 6,4% e no Orçamento do Estado estipulou-se que os montantes estavam sujeitos à cilindrada e às emissões de CO2. Assim, quanto mais cilindrada tem e quanto mais emitir CO2, mais paga de imposto. Em 2013, vai ser criado um imposto que agrava ainda mais o que os “veículos ligeiros de alta cilindrada” já pagam, contudo ainda não ficou claro a partir de que cilindrada é que se vai pagar esse imposto.
2. Criação de uma taxa de IRS adicional de 2,5% para os rendimentos anuais superiores a 153 300 euros. Esta soma à taxa de 46% aplicável a este escalão de rendimento. Ou seja, os mais ricos já eram alvos da austeridade.
3. As embarcações de recreio e as aeronaves de uso particular também vão passar a pagar mais. O Governo anunciou a medida ontem, mas não explicou de que forma é que iria cobrar mais aos detentores destes bens. Hoje, os barcos e jatos particulares pagam Imposto Único de Circulação (IUC).
4. As despesas com as casas, cujo valor patrimonial seja igual ou superior a um milhão de euros, vão também subir e ser agravadas com uma nova taxa em sede de Imposto de Selo. Este pode ser aplicado à posse e não apenas nas transações e deverá funcionar como uma receita que irá para os cofres do estado e não para as autarquias, como acontece com o IMI.
Função Pública
1. O corte salarial médio de 5% para remunerações acima de 1500 euros foi implementado em 2011 e será mantido até data incerta.
2. Sobretaxa de IRS no subsídio de Natal pago em 2011, equivalente a metade do valor líquido na parte que excedia os 485 euros
3. Suspensão parcial dos subsídios de férias e de Natal para salários superiores a 600 euros e inferiores a 1100 euros. A partir deste valor o corte é integral.
4. Manutenção do congelamento nas progressões remuneratórias.
5. Idade da reforma passa em 2013 (e não em 2015) dos 63 anos e seis meses para 65 anos e o congelamento das admissões não tem fim à vista.
6. Revisão das regras da mobilidade especial com descida dos valores pagos e maior penalização para quem recuse uma recolocação.
7. Possibilidade de rescisões por mútuo acordo.
8. Subida de 11% para 18% nas contribuições para a CGA ou Segurança Social (admitidos a partir de 2006).
Privados
1. Sobretaxa de 3,5% no subsídio de Natal equivalente a 50% do valor líquido na parte que excedia os 45 euros.
2. Sujeição ao pagamento de IRS e de Segurança Social do subsídio de refeição de valor acima dos 5,55 euros quando pago em dinheiro (6,41 euros quando pago através de título de refeição).
3. Suspensão das reformas antecipadas.
4. Suspensão da bonificação de três dias úteis de férias atribuída aos trabalhadores assíduos, o que faz com que o período de férias tenha caído de 25 para 22 dias.
5. Despedimento por inadaptação facilitado, deixando de estar dependente de alterações tecnológicas no local de trabalho.
6. Criação de um limite máximo para as indemnizações em caso de despedimento, passando este a ser equivalente a 12 meses de salário.
7. Subida de 11% para 18% nas contribuições para a Segurança Social.
Recibos Verdes
1. Em setembro de 2011, altura em que é apurado todos os anos o novo valor a pagar à Segurança Social com base nos rendimentos do ano anterior, os recibos verdes viram as suas regras mudar em resultado do novo Código Contributivo que tinha sido aprovado em janeiro desse ano.
2. Até 15 de Fevereiro de 2012, os trabalhadores independentes tiveram de fazer a declaração dos seus rendimentos. Em 2011, a declaração não foi exigida.
3. Os recibos verdes também terão direito a acumular o subsídio de desemprego com um salário de um novo emprego. Só vai acontecer em 2013, mas já se ficou a saber este ano.
4. Em 2013, os trabalhadores independentes vão passar a descontar para a Segurança Social não 29,6% como até aqui, mas 30,7%. Uma subida de 1,1 pontos percentuais, menos do que os sete pontos percentuais agravados para os trabalhadores por conta de outrem, que passarão a pagar 18%, mas que resulta do fato de os trabalhadores independentes não terem patrão que desconte também.
Desemprego e RSI
1. Desde que foi assinado o Memorando com a troika, há mais 167 mil desempregados. No total são mais de 850 mil pessoas que estão sem emprego.
2. O subsídio de desemprego dura menos tempo e o valor máximo da prestação baixou. O limite máximo da prestação era de 1257,66 euros e passou para 1048,05 euros mensais. O tempo máximo de subsídio é de 26 meses e antes era de 36 meses.3. A partir de julho deste ano, há uma redução de 20% no valor do Rendimento Social de Inserção (RSI). Um requerente só pode receber até um máximo de 189,52 euros no total e pode também ter direito a receber por cada pessoa maior de idade 94,76 euros e por cada menor 56,86 euros. Uma família de dois adultos e duas crianças recebe no máximo 398 euros.
4. O acesso ao RSI passa a ter em conta o valor patrimonial mobiliário, o valor dos bens imóveis do requerente e do agregado familiar.
5. A prestação é atribuída por 12 meses e está sujeita a renovação.
Capital
1. A tributação dos rendimentos de capital vai sofrer um agravamento já este ano.
2. Os dividendos, as mais-valias mobiliárias e as “royalties” vão passar a pagar uma taxa de 26,5% contra os atuais 25%. Os dividendos, as mais-valias mobiliárias e as “royalties” vão passar a pagar uma taxa de 26,5% contra os atuais 25%.
3. Os juros dos depósitos também não escapam, ao verem a fiscalidade agravada em 1,5 pontos percentuais. Este será o segundo aumento das taxas desde a chegada da troika, depois do aumento de 21,5% para 25% em novembro de 2011.
4. Segundo as explicações dadas anteontem pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, estas medidas “serão introduzidas ainda em 2012 e continuarão em 2013 e nos anos seguintes”.
5. A subida de cinco pontos nas taxas liberatórias colocam Portugal num dos níveis mais elevados da Europa.
Pensionistas
1. Sobretaxa de 3,5% no subsídio de Natal pago em 2011.
2. Suspensão parcial dos subsídios de férias e de Natal para reformas entre 600 e 1100 euros e total a partir deste valor.
3. Redução da dedução específica de 6 mil para 4104 euros.
4. Congelamento do aumento das pensões, exceto para as mínimas.
5. Proibição de acumular a pensão com uma remuneração paga pelo desempenho em cargos públicos. Em 2012, a medida passou a abranger os reformados da Segurança Social ou de entidades gestoras de fundos de pensões públicas , até ai apenas visava os da CGA.
6. Agravamento da taxa de solidariedade passando esta a ser de 25% para as pensões de valor entre 5 mil e 7500 euros e de 50% na parte que excede este valor
7. Aplicação do corte antes aplicado aos funcionários públicos que incidirá sobre reformas a partir dos 1500 euros.
Fatidicamente, pois, Portugal repete a sina: Cerca de 70 mil jovens abandonam o país anualmente, em busca de oportunidades além-mar. Um número muito alto, relativamente ao tamanho da população e que continuarão a inspirar novos acordes de sofrimento no mundo do fado. “É o destino”, escuta-se por toda a parte, em tom suplicante. Os jovens, enfim, fazem-se ao mar porque de nada adiante adentrar a Europa, como milhares de seus compatriotas fizeram no século passado. O continente secou...E ninguém sabe quando vai “chover” prosperidade de novo. A grande diferença é que agora não são os pobres do norte do país que se vão. São jovens engenheiros, administradores, médicos. Atravessam de novo o Grande Mar Oceano no périplo da sobrevivência. Helena Sacadura Cabral denuncia com veemência este processo que ela denomina “Fuga de Cérebros”, resultado de uma taxa de desemprego na juventude com menos de 25 anos na ordem de 35% - delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4732162.html .
II
No meio, porém, de tantas tragédias, resta-me eu e minha curiosidade insaciável sobre este pequeno grande país, como o percebe José Saramago num de seus mais interessantes livros : “Viagem a Portugal”.
Neste ano europeu 2012/2013 celebra-se o ANO PORTUGAL BRASIL/BRASIL/PORTUGAL. Inúmeros espetáculos, encontros culturais e reuniões empresariais marcarão o evento que abriu no Brasil com uma apresentação de fados da cantora...Dentro da programação, houve semana passada, um colóquio do qual participou o Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Deu conferência, entrevistas, fez a festa. Ele é sempre bem recebido por aqui. Tem presença. A propósito, lembrou do imbróglio que teve que desatar sobre a questão dos dentistas brasileiros em Portugal. E foi ferino, embora sorridente: - “Espero que os brasileiros, agora, não façam o que os portugueses fizeram com nossos dentistas...”
À parte a crise e o ANO BRASIL PORTUGAL, o país é encantador. Começando pelos nomes de localidades, bairros, sítios, marcas: Alpedrinha, Vale Prazeres, Quinta das Lágrimas, Casa dos Alpoins, Capelas Imperfeitas, Rua da Saudade, Almains, Vinho Verde Muralha de Monções... Evocativos. Sempre sugerindo uma natural cristandade mesclada pela passagem mourisca, da qual herdou a tecnologia e paixão pelos ternos e frescos azulejos e a forte marcação na arquitetura. Daí o ecletismo do flamejante estilo “Manuelino”, termo aparentemente criado por Francisco Adolfo Varnhagen na sua Notícia Histórica e Descriptiva do Mosteiro de Belém, de 1842,
para caracterizar os traços da cultura lusa à época das Navegações, com D.Manuel I.
“O conjunto decorativo de um elemento escultórico manuelino apresenta-se quase sempre como um discurso de pedra, onde diversos elementos e referências se cruzam (pansemiose - ou "todos os significados"), como o simbilismo cristão, a alquimia, a tradição popular, etc. O contexto tanto pode ser moralizante, como alegórico, jocoso (quando se aponta o dedo aos defeitos humanos ou a pormenores obscenos, como a referência sexual numa gárgula exterior à capela de São Nicolau, em Guimarães), esotérico ou, simplesmente, propagandístico em relação ao poder imperial de D. Manuel I. Note-se que esta simbologia está também muito ligada à heráldica.
Os motivos mais frequentes da arquitectura manuelina são a esfera armilar, conferida como divisa por D. João II ao seu primo e cunhado, futuro rei D. Manuel I, mais tarde, interpretada como sinal de um desígnio divino para o reinado de D. Manuel, a Cruz da Ordem de Cristo e elementos naturalistas: Corais, Algas, Alcachofras, Pinhas, animais vários e elementos fantásticos: Ouroboros, Sereias, gárgulas”
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Estilo_manuelino)
Portugal é por descobrir. Conhecer Portugal, além do reencontro histórico com nosso próprio passado - e conhecer o que é considerado o sexto mais belo país do mundo- é mergulhar em rios subterrâneos de gastronomia e cultura.. Quem o diz é o portal internacional UCity Guides, que disponibiliza aos turistas tudo o que precisam de saber antes de viajar para determinada cidade. O Guia escolheu Portugal no “top 10″ das nações “abençoadas com um raro conjunto de belezas naturais e maravilhas edificadas pelo homem”. E não se trata apenas de paisagens, como o Vale do Douro com seus vinhedos e olivares ou dos canais da litorânea Aveiro, mas de monumentos urbanos medievais como Tomar, sede da Ordem dos Templários depois convertida em Ordem de Cristo, cuja cruz comandou o périplo das Grande Navegações; ou do Castelo de Sintra, de excepcional porte e beleza. E Lisboa...antiga cidade? “Notar os motivos dos ladrilhos e as calçadas com desenhos em ondas feitos de pedra faz parte do prazer de caminhar por Lisboa”, como diz Frances Mayes sobre a cidade e o país, que preferia morar se antes o tivesse conhecido (“Um ano de viagens” – Ed.Rocco). Lisboa antiga e moderna, como assinalava Fernando Pessoa em seus devaneios mas que, certamente, jamais adentrará o umbral pós-modernidade líquida. “Que moderno que tudo isto soa! E no fundo, tão antigo, tão oculto, tão tendo outro sentido que aquele que luze em tudo isto! E o Porto, cidade gêmea de Vila Nova de Gaia, segunda cidade do país, despencando-se “invictamente” sobre o Rio e o Mar? Porto é considerada “Cidade Invicta” pela sua resistência heróica à invasão nepoleônica. Berço do liberalismo português. Senhora de uma das maiores relíquias de Portugal: o vinho do Porto.
Quanta maravilha arquitetônica, quanto lamento pelas paredes da história!
Mas se vai mesmo visitar Portugal não aprenda apenas sobre vinhos. O país é incompreensível se Você não se deixar envolver pela alma poética que emana das frestas de sua história, como este que é considerada a mais bela de suas trovas:
“Oh águas do mar salgadas
De onde lhes vem tanto sal?
Vem das lágrimas choradas
Nas praias de Portugal ...
(Antonio Oliveira – Poeta português)
É importante também que se familiarize com o vocabulário da arte sacra e da heráldica, começando pela “esfera armilar”, inscrita até hoje nos símbolos oficiais de Portugal - http://www.youtube.com/watch?v=u6EF3a6w68c 

A esfera armilar foi desenvolvida ao longo dos tempos por inúmeros povos que habitavam o lado asiático e seus registros constam em pinturas de cerâmica e documentos que os chineses durante o século I A.C. já (Dinastia Han) se conheciam a esfera armilar, sabe-se também, que nessa época, um astrônomo chinês Zhang Heng considerado a primeira pessoa a usar engrenagens e mecanismos de articulação hidráulicas no eixo da esfera armilar para reproduzir os movimentos da mecânica celeste para fins didáticos, entretanto o nome do instrumento vem do latim armilla ("bracelete"), visto que tem um esqueleto feito de anéis concêntricos articulados nos polos com escala de graduações e outros perpendiculares representando o equador, a eclíptica , indicando o curso do sol em relação às estrelas de fundo para os 365 dias do ano, os meridianos e os paralelos.
Mas se V. já sentiu a atmosfera lírica da terra lusitana e compreendeu o significado dos instrumentos de navegação que fizeram a epopéia deste povo, instrua-se sobre o significado dos objetos sacros, pois eles povoarão sua viagem por todos os locais onde passar. Para facilitar a tarefa, eis alguns :
Retábulo: s.m. Construção de madeira ou pedra, em forma de painel e com lavores, que se coloca na parte posterior dos altares e que é geralmente decorada com temas da história sagrada ou retratos de santos - - http://www.dicio.com.br/retabulo/
Vela votiva :
Acender vela é um ato de fé. As velas votivas são indicadas para momentos de reflexão, oração, promessas e votos. Em suas embalagens estão estampadas belas imagens dos santos e oração específica de sua devoção. Praticidade e limpeza na queima sem exalar cheiro. Durante a queima esta vela reflete a luz que valoriza a beleza da imagem no rótulo. (http://www.zuppani.ind.br/linha-velas/velas-votivas-imagens-260g/velas-votivas-imagens-260g/ )
Ex-votos: breviação latina de ex-voto suscepto ("o voto realizado"), o termo designa pinturas, estatuetas e variados objetos doados às divindades como forma de agradecimento por um pedido atendido. Trata-se de uma manifestação artístico-religiosa que se liga diretamente à arte religiosa e à arte popular, despertando o interesse de historiadores da arte e da cultura, de arqueólogos e antropólogos. (http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=5433 ) . Em Portugal, era comum pagar promessas feitas em momentos decisivos da nacionalidade, erigindo monumentos de grande beleza como o mosteiro de Alcobaça, construído por Afonso Henriques depois da tomada de Santarém aos sarracenos; o mosteiro da Batalha, como símbolo de gratidão a Santa Maria da Vitória pelo sucesso contra a Espanha e muitos outros, como a Torre de Belém, o convento de Mafra, a igreja de Nossa Senhora dos Mártires, em Tavira- http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=250&Itemid=184
Atrio ou Adro : s.m. Principal aposento das casas nos primeiros tempos da Roma antiga. Era usado como sala de estar e de lazer, e também como cozinha e dormitório. Tinha um fogão central e, no teto, acima dele, uma abertura para deixar sair a fumaça, como nos primitivos salões da Europa. O nome vem da palavra latina atrium, de ater, que significa preto, com referência ao teto enegrecido pela fumaça nesse aposento.( http://www.dicio.com.br/atrio/ )
Bem, estes são apenas uma amostra do que precisa de saber para emaranhar-se pelos quelhos pedregosos da Beira, pela ardente terra de Alentejo, pelo Algarve de muito sol, pães fumegantes, pelo norte duro e dourado ou pelas Terras baixas, vizinhas ao mar, no itineário do “viajante” literato. O resto é por conta de cada um ...
Pois assim é Portugal. Mãe pátria. Ventre da lusofonia. Uma saudade em cada canto, aqui e acolá temperada por duas primícias tupiniquins: os doces instigantes, começando pelos pasteizinhos de Belém, mas também os de Aveiro, e a “bica”, um cafezinho forte e original , servido por toda a infinidade de bares e restaurantes do país. Tudo, naturalmente, no diminutivo, que também herdamos com carinho.

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