De hoje, a partir das 19 horas, até
domingo, estará acontecendo o encontro
dos amigos nesta cidade, muitos naturais deste Município, outros se consideram
rio-branquenses ‘por adoção’ e pelo coração.
Há tantas pessoas que, em determinada
época, vieram trabalhar, ou passear, fizeram relacionamentos, gostaram de
outros rio-branquenses e estabeleceram elos. Alguns resultaram em pura e
simples amizade; outros constituíram famílias; outros “apenas” gostaram da
cidade e se acostumaram a voltar por ocasião de férias ou festas locais.
Dos que aqui nasceram, por sua vez,
muitos foram procurar meio de vida por esse Brasil afora, e passaram a viver
longe fisicamente, mas com o coração ligado a nossas paisagens, nossa Praça 28
de Setembro, ponto de convergência de quando a população urbana era pequena e
não havia tantos bairros com outras atrações.
E nessa Praça, no Jardim,
principalmente, nasceram tantos relacionamentos românticos, iniciados pelos
flertes nas voltas da calçada, quando as moças passeavam “por dentro”, no sentido
horário, e os rapazes passeavam “por fora”, no sentido anti-horário. Daí, a um aceno, ao encontro, ao banco de
jardim, sob as luzes foscas dos postes artísticos, entre canteiros de gramas e
flores. E, com o tempo, ao escurinho do Cine Brasil e, também, por algum tempo,
do mais distante Cine Maracanã – que durou pouco.
Essa conjuntura bucólica de “cidade
pequena” criou entrelaçamento de gerações muitas vezes diferentes de seus pais,
às vezes adversários pelas injunções políticas.
Os jovens conviviam indiferentes àquelas posições sobre as quais
não entendiam direito, e não queriam
entender.
E cada geração, à medida que
conquistava sua autodeterminação tomava, muitas vezes, posição propria que,
nem sempre, correspondia à dos pais. Os
tempos são sempre outros e geram o natural e antigo “conflito de gerações”.
Mas, independente da posição que cada
um toma, a vida leva todos a se distanciarem, cada qual por circunstâncias
pessoais.
Uma coisa acontece: a distância faz
sedimentar mais a amizade que a saudade confirma. Saudade do lugar, das
pessoas, dos colegas, “daquele tempo”.
Quantas instituições contribuíram para
essas afeições: campo do Nacional, campo do Bouchardet, campos dos subúrbios e
da zona rural; grupos escolar Carlos
Soares, Padre Antônio Correa, Escola Normal, Colégio Rio Branco e tantas outras
do gênero. Todo ponto de atividade
coletiva tem sua importância nas recordações que fazem acontecer um Encontro
como este.
Se mais tarde começarão as festividades
“oficiais” desse evento, os encontros casuais já estão acontecendo pela cidade,
pessoalmente, e, também, nas redes virtuais que foram o instrumento básico para
a idealização e concretização desta oportunidade de matar saudade, de reviver
belos tempos, momentos inesquecíveis.
O tempo passa. Os jovens de ontem amadurecem e formam as gerações
de agora. Cada qual, no devido momento, constrói nova realidade. Alguns do passado acompanham as transformações
naturais da vida. Outros ficam parados no
seu tempo. É questão de opção.
Este Encontro serve para fortificar uma
identidade latente de ser rio-branquense, natural, ou de coração. E que está acima de diferenças, de posições
políticas e sociais. É um sentimento “pátrio”
no seu sentido mais amplo, humano e humanitário e coberto de fraternidade.
(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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