sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Encontro dos Amigos em Visconde do Rio Branco


                                      

         De hoje, a partir das 19 horas, até domingo,  estará acontecendo o encontro dos amigos nesta cidade, muitos naturais deste Município, outros se consideram rio-branquenses ‘por adoção’ e pelo coração.

         Há tantas pessoas que, em determinada época, vieram trabalhar, ou passear, fizeram relacionamentos, gostaram de outros rio-branquenses e estabeleceram elos. Alguns resultaram em pura e simples amizade; outros constituíram famílias; outros “apenas” gostaram da cidade e se acostumaram a voltar por ocasião de férias ou festas locais.

         Dos que aqui nasceram, por sua vez, muitos foram procurar meio de vida por esse Brasil afora, e passaram a viver longe fisicamente, mas com o coração ligado a nossas paisagens, nossa Praça 28 de Setembro, ponto de convergência de quando a população urbana era pequena e não havia tantos bairros com outras atrações.

         E nessa Praça, no Jardim, principalmente, nasceram tantos relacionamentos românticos, iniciados pelos flertes nas voltas da calçada, quando as moças passeavam “por dentro”, no sentido horário, e os rapazes passeavam “por fora”, no sentido anti-horário.   Daí, a um aceno, ao encontro, ao banco de jardim, sob as luzes foscas dos postes artísticos, entre canteiros de gramas e flores. E, com o tempo, ao escurinho do Cine Brasil e, também, por algum tempo, do mais distante Cine Maracanã – que durou pouco.

         Essa conjuntura bucólica de “cidade pequena” criou entrelaçamento de gerações muitas vezes diferentes de seus pais, às vezes adversários pelas injunções políticas.  Os jovens conviviam indiferentes àquelas posições sobre as quais não  entendiam direito, e não queriam entender.

         E cada geração, à medida que conquistava sua autodeterminação tomava, muitas vezes, posição propria que, nem sempre, correspondia à dos pais.   Os tempos são sempre outros e geram o natural e antigo “conflito de gerações”.

         Mas, independente da posição que cada um toma, a vida leva todos a se distanciarem, cada qual por circunstâncias pessoais. 

         Uma coisa acontece: a distância faz sedimentar mais a amizade que a saudade confirma. Saudade do lugar, das pessoas, dos colegas, “daquele tempo”.
         Quantas instituições contribuíram para essas afeições: campo do Nacional, campo do Bouchardet, campos dos subúrbios e da zona rural;  grupos escolar Carlos Soares, Padre Antônio Correa, Escola Normal, Colégio Rio Branco e tantas outras do gênero.  Todo ponto de atividade coletiva tem sua importância nas recordações que fazem acontecer um Encontro como este.

         Se mais tarde começarão as festividades “oficiais” desse evento, os encontros casuais já estão acontecendo pela cidade, pessoalmente, e, também, nas redes virtuais que foram o instrumento básico para a idealização e concretização desta oportunidade de matar saudade, de reviver belos tempos, momentos inesquecíveis.

         O tempo passa.  Os jovens de ontem amadurecem e formam as gerações de agora. Cada qual, no devido momento, constrói nova realidade.  Alguns do passado acompanham as transformações naturais da vida.  Outros ficam parados no seu tempo. É questão de opção.

         Este Encontro serve para fortificar uma identidade latente de ser rio-branquense, natural, ou de coração.  E que está acima de diferenças, de posições políticas e sociais.  É um sentimento “pátrio” no seu sentido mais amplo, humano e humanitário e coberto de fraternidade.

(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)    

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