Uma revista estrangeira sugerir a
demissão da Equipe econômica é visto como resultado da constante submissão do
governo aos interesses do capital alienígena.
Essa intromissão nas questões internas do país acontece por força do
hábito de todos verem como as diretrizes do FMI, do Banco Mundial e,
especificamente, dos Estados Unidos serem impostas na política econômica, com
os terríveis reflexos sociais.
Vem desde Fernando Henrique Cardoso o
ritual de implantar um plano econômico somente após uma visita ao presidente
dos Estados Unidos, ou aos organismos econômicos do Império do Norte,
interessados na preservação do neoliberalismo em todos os países satélites da
América Latina.
Muita gente se iludia, antes de eleição
de Lula, que FHC teria enganado o povo com sua imagem de sociólogo, para
executar a política neoliberal mais drástica sobre a classe trabalhadora e a
favor do grande capital. E achava que, com Lula, seria diferente. Afinal as
origens do operário procedente do sofrido nordeste, contrastavam com o filho de
general com formação acadêmica na Sorbonne e demais instituições de ensino do
Primeiro Mundo.
Se FHC implantou o famigerado “fator
previdenciário” para rebaixar o valor real dos vencimentos dos aposentados com
mais de um salário mínimo, além das criminosas privatizações de lesa pátria,
Lula – que prometeu em campanha “dobrar o valor real do salário mínimo em
quatro anos, e manter a referência de cinco salários mínimos para quem tivesse
se aposentado com esse patamar” – não só manteve o Fator Previdenciário, como
foi tão privativista, quanto seu antecessor.
E Dilma,
como Lula, está afirmando que não abre
mão do fator previdenciário, diante das reivindicações dos que estão sentindo
mais apertadas suas relações de despesas/vencimentos.
Isto também
são exigências dos Dragões da Economia, como a desoneração das folhas de
pagamento. Esta desoneração diminui a
receita da Previdência e gera argumento para espremer mais os aposentados e
pensionistas. No fundo, são ações a
favor da Previdência Privada que pretende transformar os segurados em clientes,
que pagam maiores contribuições, pare receber benefícios menores. É o lucro fácil para essas corporações do
capital privado, sobretudo internacionais, enquanto a parcela dos aposentados
for pequena para gerar superávit. Quando
crescer o número de beneficiários, essas empresas privadas requerem falência e
levam os saldos de caixa para algum paraíso fiscal. Isto já aconteceu com vários montepios, que
deixaram contribuintes extorquidos no prejuízo com uma mão à frente e outra
atrás.
Poucos se
lembram de que Lula, eleito em 2002, somente anunciou seu ministro da fazenda,
Antônio Palocci, após vista ao presidente estadunidense Georges Bush. Lá mesmo, da Casa Branca, divulgava a
notícia. Alguns ingênuos disseram, na
ocasião, que ele realizou aquele ato “nas barbas do Bush”. Na verdade, foi após o beneplácito, o
consentimento do presidente imperialista para um presidente de república
banana, como tantas que giram como satélites em volta dos interesses daquele
país invasor do Vietnan, Iraque, Líbia.... e, podem crer, Amazônia.
Não por
acaso o Barack Obama disse que “Lula é o cara”.
E a Rainha da Inglaterra o recebeu em palácio com todas as honras de
estilo. Na mesma ocasião, a revista
estadunidense Time apontou
Lula ” como o líder mais influente do mundo. Lula encabeça o ranking de 25
nomes e é seguido por J.T Wang, presidente da empresa de computadores pessoais
Acer, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados
Unidos, o presidente americano Barack Obama e Ron Bloom, assessor sênior do
secretário do Tesouro dos Estados. Confetes para um Arlequim sem Colombina.
Esses
rapapés fazem parte de um contexto, no qual Estados Unidos e Inglaterra movem
seus pauzinhos na ONU, para oficializar que a Amazônia seja uma região neutra e
que pertença à humanidade, a ser administrada e “protegida-sic” por esses dois
países.
Por sua vez,
Dilma, para ser candidata viável à presidência da república, teve que passar
por uma sabatina na Câmara de Comércio Ianque. Logo depois, deslanchou.
Se a equipe
econômica, desde Fernando Henrique Cardoso, prejudica o trabalhador brasileiro,
agora, com pequena queda nos juros desagradou também aos especuladores
financeiros internacionais, que desejam ganhar em um mês no Brasil o
equivalente a um ano nos países de origem.
Negócio assim é muito bom. Tomam
emprestado lá, e aplicam aqui, multiplicando por doze seus investimentos.
O povo
brasileiro está descontente com todas essas equipes econômicas que, sob governo
tucano ou petista, acham fórmula para tudo, menos para estabelecer uma
política, ainda que gradativa, de distribuição de renda. Pelo contrário: acumulam cada vez mais no
alto da pirâmide social, quando os barões do sistema financeiro deitam e rolam,
e cobram de clientes compulsórios até o ar que respiram dentro de suas
agências.
A grande
propaganda que o governo faz para o mundo sobre o Bolsa Família que,
inadequadamente, dizem ter tirado milhões da pobreza e transferido para a
classe média, é mais uma falsidade oficial.
Nem os “beneficiados” saem da pobreza, nem atingem o patamar social de
classe média. Quem nada tinha recebe
alguma coisa que não dá para emancipar ninguém.
E, infelizmente, não os habilita a se capacitarem para ganhar o pão com o
suor do próprio rosto.
E o dinheiro destinado ao programa bolsa família, na verdade, é tirado da classe média baixa, que são os aposentados e pensionistas com mais de um salário mínimo. É o lençol curto, a peleja, que cobre um e descobre outro.
Os erros da
equipe econômica em deixar de distribuir a renda para melhorar salários e
vencimentos provocam um mercado interno fraco, que abala as micro, pequenas e
médias empresas. E beneficiam as grandes, concentradoras de riqueza, voltadas
para as exportações nas transações em dólar. Tanto assim que dos 136 pedidos de
falência, em novembro último, 78 foram feitos por micro e pequenas empresas,
36 por médias e somente 22 por grandes.
São perversos os efeitos
sociais dessas falências, porque as menores empresas empregam mais de 60% da
mão de obra. O impacto é grande sobre o desemprego. Já as grandes se encontram com maior grau de
informatização, e muitas das suas ações são executadas por robôs.
Quando chegamos a esse
ponto de uma revista econômica estrangeira sugerir alterações na equipe
econômica, é conseqüência da prolongada submissão aos organismos
político-financeiros de fora do país.
Quem muito se abaixa para caminhar, acaba rastejando.
O povo vê nas esferas do
governo uma série de erros por falta de critérios éticos e sensatos. O ministro
da fazenda anunciou com antecedência de alguns meses o salário mínimo a vigorar
em janeiro: R$ 670,00. Pouco depois,
anunciava-se com alarde que o trabalhador teve um ganho, graças a novos
cálculos: R$ 4,00, isto é, o salário vai ser de R$ 674,00.
O país dá uma estrondosa
gargalhada, para não chorar. Homens tão
bem remunerados para compor uma equipe econômica e fazer tanta besteira.
Para completar, o
Congresso, para evitar o desgaste dos parlamentares na tramitação que havia
para votar cada ano o reajuste, criou lei para dar à presidente poder de
determinar essa merreca por decreto.
Muito engraçado: o
ministro da fazenda anuncia com antecedência, e a dona Dilma simplesmente
cumpre o ritual de assinar o que já veio pronto, de acordo com o desejo e
capricho desses ministros cordeiros do FMI, Banco Mundial e Estados Unidos, no
conjunto, incompetentes e responsáveis pela crise de seus países e de todo o mundo
que lhes serve de tapete. Cada um tem sua dívida social com seu povo, nas
favelas, nos guetos, na prostituição e na criminalidade.
E cada município, que
imita o formato dos grandes, torna-se uma miniatura da aberração social, gerada
na corrupção, na concentração de renda, no abuso de poder.
(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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