segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Demitir a equipe econômica do governo


                  

         Uma revista estrangeira sugerir a demissão da Equipe econômica é visto como resultado da constante submissão do governo aos interesses do capital alienígena.  Essa intromissão nas questões internas do país acontece por força do hábito de todos verem como as diretrizes do FMI, do Banco Mundial e, especificamente, dos Estados Unidos serem impostas na política econômica, com os terríveis reflexos sociais.

         Vem desde Fernando Henrique Cardoso o ritual de implantar um plano econômico somente após uma visita ao presidente dos Estados Unidos, ou aos organismos econômicos do Império do Norte, interessados na preservação do neoliberalismo em todos os países satélites da América Latina.
 
         Muita gente se iludia, antes de eleição de Lula, que FHC teria enganado o povo com sua imagem de sociólogo, para executar a política neoliberal mais drástica sobre a classe trabalhadora e a favor do grande capital. E achava que, com Lula, seria diferente. Afinal as origens do operário procedente do sofrido nordeste, contrastavam com o filho de general com formação acadêmica na Sorbonne e demais instituições de ensino do Primeiro Mundo.

         Se FHC implantou o famigerado “fator previdenciário” para rebaixar o valor real dos vencimentos dos aposentados com mais de um salário mínimo, além das criminosas privatizações de lesa pátria, Lula – que prometeu em campanha “dobrar o valor real do salário mínimo em quatro anos, e manter a referência de cinco salários mínimos para quem tivesse se aposentado com esse patamar” – não só manteve o Fator Previdenciário, como foi tão privativista, quanto seu antecessor.

E Dilma, como Lula,  está afirmando que não abre mão do fator previdenciário, diante das reivindicações dos que estão sentindo mais apertadas suas relações de despesas/vencimentos.

Isto também são exigências dos Dragões da Economia, como a desoneração das folhas de pagamento.  Esta desoneração diminui a receita da Previdência e gera argumento para espremer mais os aposentados e pensionistas.  No fundo, são ações a favor da Previdência Privada que pretende transformar os segurados em clientes, que pagam maiores contribuições, pare receber benefícios menores.  É o lucro fácil para essas corporações do capital privado, sobretudo internacionais, enquanto a parcela dos aposentados for pequena para gerar superávit.  Quando crescer o número de beneficiários, essas empresas privadas requerem falência e levam os saldos de caixa para algum paraíso fiscal.  Isto já aconteceu com vários montepios, que deixaram contribuintes extorquidos no prejuízo com uma mão à frente e outra atrás.

Poucos se lembram de que Lula, eleito em 2002, somente anunciou seu ministro da fazenda, Antônio Palocci, após vista ao presidente estadunidense Georges Bush.  Lá mesmo, da Casa Branca, divulgava a notícia.  Alguns ingênuos disseram, na ocasião, que ele realizou aquele ato “nas barbas do Bush”.  Na verdade, foi após o beneplácito, o consentimento do presidente imperialista para um presidente de república banana, como tantas que giram como satélites em volta dos interesses daquele país invasor do Vietnan, Iraque, Líbia.... e, podem crer, Amazônia. 

Não por acaso o Barack Obama disse que “Lula é o cara”.  E a Rainha da Inglaterra o recebeu em palácio com todas as honras de estilo.  Na mesma ocasião, a revista estadunidense Time apontou Lula ” como o líder mais influente do mundo. Lula encabeça o ranking de 25 nomes e é seguido por J.T Wang, presidente da empresa de computadores pessoais Acer, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o presidente americano Barack Obama e Ron Bloom, assessor sênior do secretário do Tesouro dos Estados. Confetes para um Arlequim sem Colombina.




Esses rapapés fazem parte de um contexto, no qual Estados Unidos e Inglaterra movem seus pauzinhos na ONU, para oficializar que a Amazônia seja uma região neutra e que pertença à humanidade, a ser administrada e “protegida-sic” por esses dois países.

Por sua vez, Dilma, para ser candidata viável à presidência da república, teve que passar por uma sabatina na Câmara de Comércio Ianque.  Logo depois, deslanchou.

Se a equipe econômica, desde Fernando Henrique Cardoso, prejudica o trabalhador brasileiro, agora, com pequena queda nos juros desagradou também aos especuladores financeiros internacionais, que desejam ganhar em um mês no Brasil o equivalente a um ano nos países de origem.  Negócio assim é muito bom.  Tomam emprestado lá, e aplicam aqui, multiplicando por doze seus investimentos.  

O povo brasileiro está descontente com todas essas equipes econômicas que, sob governo tucano ou petista, acham fórmula para tudo, menos para estabelecer uma política, ainda que gradativa, de distribuição de renda.  Pelo contrário: acumulam cada vez mais no alto da pirâmide social, quando os barões do sistema financeiro deitam e rolam, e cobram de clientes compulsórios até o ar que respiram dentro de suas agências.  

A grande propaganda que o governo faz para o mundo sobre o Bolsa Família que, inadequadamente, dizem ter tirado milhões da pobreza e transferido para a classe média, é mais uma falsidade oficial.  Nem os “beneficiados” saem da pobreza, nem atingem o patamar social de classe média.  Quem nada tinha recebe alguma coisa que não dá para emancipar ninguém.  E, infelizmente, não os habilita a se capacitarem para ganhar o pão com o suor do próprio rosto.


E o dinheiro destinado ao programa bolsa família, na verdade, é tirado da classe média baixa, que são os aposentados e pensionistas com mais de um salário mínimo.  É o lençol curto, a peleja,  que cobre um e descobre outro.

Os erros da equipe econômica em deixar de distribuir a renda para melhorar salários e vencimentos provocam um mercado interno fraco, que abala as micro, pequenas e médias empresas. E beneficiam as grandes, concentradoras de riqueza, voltadas para as exportações nas transações em dólar. Tanto assim que dos 136 pedidos de falência, em novembro último,  78 foram feitos por micro e pequenas empresas, 36 por médias e somente 22 por grandes.

São perversos os efeitos sociais dessas falências, porque as menores empresas empregam mais de 60% da mão de obra. O impacto é grande sobre o desemprego.  Já as grandes se encontram com maior grau de informatização, e muitas das suas ações são executadas por robôs.

Quando chegamos a esse ponto de uma revista econômica estrangeira sugerir alterações na equipe econômica, é conseqüência da prolongada submissão aos organismos político-financeiros de fora do país.  Quem muito se abaixa para caminhar, acaba rastejando.

O povo vê nas esferas do governo uma série de erros por falta de critérios éticos e sensatos. O ministro da fazenda anunciou com antecedência de alguns meses o salário mínimo a vigorar em janeiro: R$ 670,00.  Pouco depois, anunciava-se com alarde que o trabalhador teve um ganho, graças a novos cálculos: R$ 4,00, isto é, o salário vai ser de R$ 674,00. 

O país dá uma estrondosa gargalhada, para não chorar.  Homens tão bem remunerados para compor uma equipe econômica e fazer tanta besteira.

Para completar, o Congresso, para evitar o desgaste dos parlamentares na tramitação que havia para votar cada ano o reajuste, criou lei para dar à presidente poder de determinar essa merreca por decreto.

Muito engraçado: o ministro da fazenda anuncia com antecedência, e a dona Dilma simplesmente cumpre o ritual de assinar o que já veio pronto, de acordo com o desejo e capricho desses ministros cordeiros do FMI, Banco Mundial e Estados Unidos, no conjunto, incompetentes e responsáveis pela crise de seus países e de todo o mundo que lhes serve de tapete. Cada um tem sua dívida social com seu povo, nas favelas, nos guetos, na prostituição e na criminalidade.

E cada município, que imita o formato dos grandes, torna-se uma miniatura da aberração social, gerada na corrupção, na concentração de renda, no abuso de poder.

(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)

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