terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Fim de ano, clima de transição e choque de ânimos





O trânsito no centro da cidade anda congestionado sobre o calçamento salpicado de defeitos. Razões da transição que a Lei de Responsabilidade Fiscal reconhece. O poder Executivo justifica com corte em despesas porque não pode deixar dívida para o sucessor. Os adversários políticos reclamam contra a propaganda dos letreiros luminosos, alegando essas despesas  deveriam ser aplicadas na conservação das vias públicas.

A ótica de cada um constitui a sua verdade.

Os aliados do prefeito em fim de mandato procuram lembrar, em contra-ataque, que o sucessor, a tomar posse em janeiro, vai assumir tendo uma condenação por improbidade administrativa por sentença do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, e uma conta rejeita pelo Tribunal de Contas do Estado no mandato findo em 2004, apesar da sua aprovação pela Câmara de Vereadores em fim de legislatura, diante da recomendação do Tribunal pela sua rejeição.  Como a Câmara tem maioria de aliados ao ex/futuro prefeito, seus adversários vêem naquele ato uma decisão corporativista.

Os expectadores do quadro observam somente as ondas da movimentação dos dois nomes que polarizam a administração do município no período que vai  completar 28 anos com a posse a seguir:  terceiro mandato de Iran Silva Couri(12 anos), contra quatro mandatos de João Antônio de Souza(16 anos), com a possibilidade legal de reeleição de Iran, o que completaria 32 anos desse binômio administrativo.

Pessoas de aguda percepção política entendem que, por força da rivalidade, o objetivo de Iran é completar o quarto mandato para se igualar a João.  Em uma comparação pouco política, é como Brasil e Argentina, na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.  O Brasil era Tricampeão. A Argentina Bi.  Quando a Argentina queria chegar o Tri, o Brasil chegou ao Tetra.  Daí para frente, a coisa ficou diferente. 

Iran chegou ao Tri.  Pode chegar ao Tetra.  Não sabemos se João vai tentar o Penta. Ou se fez como Pelé: pendurou as chuteiras em plena glória. Só o tempo dirá.

A cidade fica por conta das festas de fim de ano, com a vinda dos rio-branquenses ausentes que  estão chegando para matar a saudade de pessoas e de lugares. Vai haver as confraternizações habituais de “amigo oculto”, as trocas de presente, os passeios aos lugares vividos na infância.
 
Vão ver a cidade desfigurada no seu cenário neoclássico que contava a história dos primeiros habitantes, com sua cultura sacramentada no início do Século passado. O Cinema Brasil foi inaugurado em 1909, mesmo ano do Parque Peixoto Filho – o nosso jardim da Praça 28 de Setembro, onde o cenário era composto  por aqueles prédios da arquitetura que fazia um conjunto harmonioso, adequado à paisagem circundante e à topografia de uma raio de um quilômetro em torno dessa Praça.

Este conjunto serviu de cenário para os filmes O Menino e o Vento e Eu dou o que ela gosta. 

Antes da deformação causada por demolição dos prédios históricos, quando o jardim tinha o coreto feito com a arte inerente ao seu cenário bucólico, a Praça 28 de Setembro era considerada uma das mais belas e aconchegantes de Minas Gerais.

Os símbolos da história, da cultura e da identidade da cidade vêm sendo agredidos, alterados e demolidos nos últimos tempos. Um sacrilégio! Verdadeira profanação!

 Os prédios que circundam o jardim constituem uma mistura de estilos, do antigo artístico ao novo de gosto duvidoso, desalinhados e sem harmonia, sem se falar nos buracos deixados nos espaços demolidos, alguns com formato de terreno baldio a comprometer a beleza de outrora.

Todos desejam o progresso. Ele deveria vir de maneira planejada, com respeito aos valores existentes, com a preservação das áreas simbólicas de arte, de cultura e de história. 

O centro da cidade encontra-se saturado  na ocupação de prédios residenciais e comerciais. O caos no trânsito resulta desse acúmulo de atividades comerciais e da alta densidade demográfica. Temos de considerar que cada edifício erguido abrigará pelo menos um veículo por apartamento, o que vai influir nas manobras de chegada e saída, e no curso do movimento. Enquanto as atividades comerciais passam por manobras constantes, durante todo o dia no exercício de carga e descarga feito por caminhões e carretas.

Por essa lógica, o bom senso sugere que os projetos, para as novas edificações de altura e número de unidades habitacionais sem limite, deverão ser deslocados para fora desse raio de um quilômetro da Praça 28 de Setembro.  Do mesmo modo, os grandes centros comerciais, como mercados, supermercados e shopings deverão ser construídos dentro do mesmo critério.

Os edifícios ficam muito bonitos e práticos ao longo das avenidas e ruas retilíneas que levam do centro para os subúrbios, as zonas rurais e outros municípios. Os grandes centros comerciais cabem também nesse cenário.  E ainda temos os vários bairros que fizeram crescer a zona urbana. Para esse fim, lembramos a Av. São João Batista, a Dr. Carlos Soares – Rua Nova, as ruas Santo Antônio e do Rosário, cada qual com os seus seguimentos.

A construção do novo Fórum, na Av. Theoplhille Dubreil, do Terminal Rodoviário e a implantação de supermercados, e oficinas variadas e muitas outras atividades, em ruas antes imaginadas como inviáveis para atividades comerciais, são exemplos de uma mentalidade avançada e criativa para crescer a cidade de maneira descentralizada.
    
Os investidores dinâmicos, com maior visão de futuro, sabem que não vale a pena se apegar a esta exploração e destruição do que ainda resta de centro histórico em Visconde do Rio Branco.

E os administradores públicos do Executivo e do Legislativo precisam saber que é urgente o estabelecimento de um código de obras e edificações que discipline as construções quanto à sua arquitetura, aos limites de altura e implicação na harmonia com o cenário do todo.   O que fere parte, fere o todo.  As obras de arte devem ter sua visibilidade respeitada e garantida para manter as mensagens subliminares de suas histórias.

       Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário