O trânsito no centro da cidade anda
congestionado sobre o calçamento salpicado de defeitos. Razões da transição que
a Lei de Responsabilidade Fiscal reconhece. O poder Executivo justifica com
corte em despesas porque não pode deixar dívida para o sucessor. Os adversários
políticos reclamam contra a propaganda dos letreiros luminosos, alegando essas
despesas deveriam ser aplicadas na
conservação das vias públicas.
A ótica de cada um constitui a sua
verdade.
Os aliados do prefeito em fim de
mandato procuram lembrar, em contra-ataque, que o sucessor, a tomar posse em
janeiro, vai assumir tendo uma condenação por improbidade administrativa por
sentença do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, e uma conta rejeita
pelo Tribunal de Contas do Estado no mandato findo em 2004, apesar da sua
aprovação pela Câmara de Vereadores em fim de legislatura, diante da
recomendação do Tribunal pela sua rejeição.
Como a Câmara tem maioria de aliados ao ex/futuro prefeito, seus
adversários vêem naquele ato uma decisão corporativista.
Os expectadores do quadro observam
somente as ondas da movimentação dos dois nomes que polarizam a administração
do município no período que vai
completar 28 anos com a posse a seguir:
terceiro mandato de Iran Silva Couri(12 anos), contra quatro mandatos de
João Antônio de Souza(16 anos), com a possibilidade legal de reeleição de Iran,
o que completaria 32 anos desse binômio administrativo.
Pessoas de aguda percepção política
entendem que, por força da rivalidade, o objetivo de Iran é completar o quarto
mandato para se igualar a João. Em uma
comparação pouco política, é como Brasil e Argentina, na Copa do Mundo de 1994,
nos Estados Unidos. O Brasil era
Tricampeão. A Argentina Bi. Quando a
Argentina queria chegar o Tri, o Brasil chegou ao Tetra. Daí para frente, a coisa ficou
diferente.
Iran chegou ao Tri. Pode chegar ao Tetra. Não sabemos se João vai tentar o Penta. Ou se
fez como Pelé: pendurou as chuteiras em plena glória. Só o tempo dirá.
A cidade fica por conta das festas de
fim de ano, com a vinda dos rio-branquenses ausentes que estão chegando para matar a saudade de pessoas
e de lugares. Vai haver as confraternizações habituais de “amigo oculto”, as
trocas de presente, os passeios aos lugares vividos na infância.
Vão ver a cidade desfigurada no seu
cenário neoclássico que contava a história dos primeiros habitantes, com sua
cultura sacramentada no início do Século passado. O Cinema Brasil foi
inaugurado em 1909, mesmo ano do Parque Peixoto Filho – o nosso jardim da Praça
28 de Setembro, onde o cenário era composto
por aqueles prédios da arquitetura que fazia um conjunto harmonioso,
adequado à paisagem circundante e à topografia de uma raio de um quilômetro em
torno dessa Praça.
Este conjunto serviu de cenário para os
filmes O Menino e o Vento e Eu dou o que ela gosta.
Antes da deformação causada por
demolição dos prédios históricos, quando o jardim tinha o coreto feito com a
arte inerente ao seu cenário bucólico, a Praça 28 de Setembro era considerada
uma das mais belas e aconchegantes de Minas Gerais.
Os símbolos da história, da cultura e
da identidade da cidade vêm sendo agredidos, alterados e demolidos nos últimos
tempos. Um sacrilégio! Verdadeira profanação!
Os prédios que circundam o jardim constituem
uma mistura de estilos, do antigo artístico ao novo de gosto duvidoso,
desalinhados e sem harmonia, sem se falar nos buracos deixados nos espaços
demolidos, alguns com formato de terreno baldio a comprometer a beleza de
outrora.
Todos desejam o progresso. Ele
deveria vir de maneira planejada, com respeito aos valores existentes, com a preservação
das áreas simbólicas de arte, de cultura e de história.
O centro da cidade encontra-se
saturado na ocupação de prédios
residenciais e comerciais. O caos no trânsito resulta desse acúmulo de atividades
comerciais e da alta densidade demográfica. Temos de considerar que cada
edifício erguido abrigará pelo menos um veículo por apartamento, o que vai
influir nas manobras de chegada e saída, e no curso do movimento. Enquanto as
atividades comerciais passam por manobras constantes, durante todo o dia no exercício
de carga e descarga feito por caminhões e carretas.
Por essa lógica, o bom senso sugere
que os projetos, para as novas edificações de altura e número de unidades
habitacionais sem limite, deverão ser deslocados para fora desse raio de um
quilômetro da Praça 28 de Setembro. Do
mesmo modo, os grandes centros comerciais, como mercados, supermercados e shopings
deverão ser construídos dentro do mesmo critério.
Os edifícios ficam muito bonitos e
práticos ao longo das avenidas e ruas retilíneas que levam do centro para os
subúrbios, as zonas rurais e outros municípios. Os grandes centros comerciais
cabem também nesse cenário. E ainda
temos os vários bairros que fizeram crescer a zona urbana. Para esse fim,
lembramos a Av. São João Batista, a Dr. Carlos Soares – Rua Nova, as ruas Santo
Antônio e do Rosário, cada qual com os seus seguimentos.
A construção do novo Fórum, na Av.
Theoplhille Dubreil, do Terminal Rodoviário e a implantação de supermercados, e
oficinas variadas e muitas outras atividades, em ruas antes imaginadas como
inviáveis para atividades comerciais, são exemplos de uma mentalidade avançada
e criativa para crescer a cidade de maneira descentralizada.
Os investidores dinâmicos, com maior
visão de futuro, sabem que não vale a pena se apegar a esta exploração e
destruição do que ainda resta de centro histórico em Visconde do Rio Branco.
E os administradores públicos do
Executivo e do Legislativo precisam saber que é urgente o estabelecimento de um
código de obras e edificações que discipline as construções quanto à sua
arquitetura, aos limites de altura e implicação na harmonia com o cenário do
todo. O que fere parte, fere o
todo. As obras de arte devem ter sua
visibilidade respeitada e garantida para manter as mensagens subliminares de
suas histórias.
Franklin Netto –
viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com
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