Não só em Visconde do Rio Branco, em
Guiricema, mais precisamente, na Rua Nova, moradores estão apreensivos com
temor de deslizamentos de terra, com prováveis desmoronamentos de barrancos
sobre casas e vias públicas. Internautas
da vizinha cidade divulgam imagens de pontos
vulneráveis com apelo aos meios de comunicação para ampla divulgação, na
tentativa de providências serem tomadas antes que o período das chuvas se
recrudesça.
A contenção das encostas previamente
poderá evitar tragédias. As medidas preventivas são mais eficazes e
inteligentes do que tentar remediar depois do fato consumado.
Ninguém pode alegar surpresa para os
temporais nesta época do ano. A elevação da temperatura com a proximidade do
Verão provoca a evaporação, formação de nuvens variadas, conforme a oscilação
da temperatura e a pressão atmosférica.
As últimas experiências mostraram que a
ocorrência de tempestades de elevado índice pluviométrico variaram entre o mês
de novembro e janeiro do ano seguinte. São complexos os fatores climáticos que
influenciam o grau de precipitação: aquecimento, ventos, frentes frias,
formação de blocos, aproximação ou distanciamento entre uns e outros.
Na dependência da conjugação desses
fatores, resulta uma tromba d’água, que despeja grande quantidade de água de
uma só vez sobre determinada área, com duração relativamente pequena; ou um período prolongado de chuvas de fácil
assimilação: irriga vasta área de maneira regular, sem choque e sem
trauma. Se durar tempo além do
suficiente para irrigar a terra, depois de encharcado o solo, pode transbordar
em enxurradas com pequena elevação dos níveis dos rios.
Cumulonimbus é um tipo de nuvem de desenvolvimento vertical, que é densa, atinge
grandes altitudes e está associada a eventos meteorológicos extremos como raios e
pancadas de chuva
Com base na aparência, distinguem-se três tipos: cirrus, cumulus e
stratus. Cirrus são nuvens fibrosas, altas, brancas e
finas. Stratus são camadas que cobrem grande parte
ou todo o céu. Cumulus são massas individuais globulares de
nuvens, com aparência de domos salientes. Qualquer nuvem reflete uma destas
formas básicas ou é combinação delas.
As denominadas Nimbostratus e Cumulonimbus são as nuvens
responsáveis pela maior parte da precipitação.
Delas, as Cumulonimbus são nuvens altas, algumas vezes espalhadas no topo de
modo a formar uma "bigorna", associadas com chuvas fortes, raios,
granizo e tornados.
Há poucos dias assistimos a uma tempestade desse tipo.
Tudo são sinais de advertência para este fim de ano. Visconde do Rio
Branco tem muitas áreas de risco, como vimos mostrando repetidamente com
imagens incontestáveis à margem dos rios Piedade e Chopotó, e da Avenida
Beira-Rio. Há muitas outras áreas de risco nos barrancos à beira das estradas e
nos bairros situados nos pontos elevados da zona urbana.
A esta altura, a Defesa Civil deve trabalhar no
levantamento dessas áreas e organizar equipes de emergência para manter
plantão. Nada será surpresa. As quatro últimas enchentes(2006, 2008, 2010 e
2012) causaram danos. Mas as de 2010 e 2012 deixaram marcas maiores, porque
causaram vítimas fatais. A de 2010 aconteceu em 25 de novembro; a de 2012, em
02 de janeiro.
Hoje cai chuva fina e
constante desde a manhã e se prolonga pela noite. Se ela é mansa, tranquila e
agradável no seu aspecto aparente, tem a probabilidade de encharcar as
ribanceiras e causar desmoronamento.
Casas e ruas sob barrancos correm risco de soterramento. E as construções no alto desses acidentes
geográficos estão sujeitas à erosão de seus alicerces pela infiltração da água
lenta e constante.
Pelos exemplos passados,
parece que as vítimas não fatais vivem a tragédia durante as enchentes. Mas,
tão logo as águas baixem, volta cada um a seu lugar, como se tudo estivesse
resolvido. No entanto, é de se reconhecer que quase ninguém tem condições
próprias de comprar um lote e construir em outro lugar mais seguro. Este é um
problema social, que deveria ser resolvido pelo Sistema Nacional de Habitação.
E os comerciantes situados nesses locais merecem receber terreno e ajuda
financeira para se instalarem em outros pontos seguros, de fácil acesso,
compatíveis com seu ramo de negócios.
Os poderes públicos nos
três níveis teriam que declarar as áreas atingidas como impróprias para
qualquer atividade humana, proibidas a obras públicas ou particulares. E as
margens dos rios ficarem destinadas exclusivamente à existência das matas
ciliares.
Fora desses cuidados, todas os outros procedimentos caracterizam persistência no erro.
Felizmente, este ano nada
aconteceu de grave. Mas o período das chuvas
mal começou. Até janeiro, todo cuidado é pouco.
E ninguém sabe se o mau tempo se prolongue até fevereiro/março. Muitas
vezes o Carnaval acontece debaixo de temporais.
(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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