quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Chuvas chegam a parecer paranóia do tempo, em Visconde do Rio Branco


                            



         As chuvas são necessárias e imprescindíveis. Basta faltar por um longo tempo para sabermos o quanto delas precisamos. 

         Mas neste Município, de uns anos para cá, as nuvens negras, os ventos fortes provocam temor, como se algo de trágico estivesse por vir. Principalmente se elas caem durante horas seguidas, provocam enxurradas e as águas dos rios aparecem amareladas. 

         O nosso Chopotó, de calha tão pequena e rasa, transborda-se facilmente. E há tantas atividades às suas margens!  Residências, trânsito, oficinas diversas, casas comerciais... E temos os últimos anos na recordação que deixaram marcas, sustos, prejuízos, vítimas. 

         Este período de fim de ano e começo de outro, de outubro a janeiro, fevereiro e... quase março.  2006, 2008, 2010, 2012.  E sempre as enchentes chegaram de madrugada, como se a proximidade com as nascentes na Serra da Piedade e de São Geraldo influíssem sobre o horário.

De Guidoval em diante as cheias passam durante o dia, depois de somar o afluente do Rio dos Bagres na zona rural da Barra de Guiricema.

Quando chove em áreas isoladas e em horários diferentes, quase não se percebe. As águas se dissipam e mal turvam o leito que as carrega.  Mas nesta quarta-feira, quatorze, a meteorologia indicava ‘tempo nublado com chuva’ em Ubá, Paula Cândido, São Geraldo, Ubá e Visconde do Rio Banco.  E aqui choveu.  Certamente a previsão não falharia nas outras cidades. 

O que isto tem a ver?

- Se chove em Paula Cândido, certamente as nascentes de Piedade de Cima descerão volumosas. Se o mesmo acontece em São Geraldo, o Encontro perto da Estação Ferroviária, com aquele punhado de casas dentro do Rio, dobrará o volume das cheias. Nossas águas não vão para Ubá, mas seguem para Guidoval, somadas às do Rio Bagre, vindos de Guiricema.  E está fresco na nossa memória o arraso que sofreu Guidoval no dia 2 de janeiro deste ano.

Felizmente nossa noite chegou amparando uma chuva fina. E, a esta hora da madrugada de quinta-feira(03:11), não tivemos notícia de transbordamento dos nossos rios, como das vezes citadas e sabidas da população. Mas fica a apreensão. O período é longo e está apenas começando.

Se neste começo o cinturão em torno do município sofre as precipitações de época, dentro de alguns meses, ou dias, com todo o solo encharcado, tudo pode acontecer, embora torçamos para não acontecer o pior, como das últimas vezes.

A Natureza não se vinga, como alguns pensam e dizem. Ela apenas acontece.  Cumpre seu círculo. O ser “racional” é que se torna irracional ao invadir, permitir e não proibir essas obras públicas e particulares onde os rios pedem passagem para as águas pluviais que, de repente, se tornam fluviais.  A calha é o curso natural pela lei da gravidade.  Quem pensa, tem que lembrar o nível mais alto atingido pelas cheias testemunhadas em Visconde do Rio Branco desde 1932

Uma caminhada desde a Ponte do Dr. Lelé até a Ponte  Branca(Av. Oscar Salermo) é suficiente para mostrar um pouco da imprudência humana ao menosprezar os direitos da Natureza.  Mas há mais, muito mais para quem tiver a curiosidade de conhecer a extensão desse desrespeito. 

A Ponte da Água Limpa se encontra em um ponto muito fácil de qualquer um parar, olhar para um lado e para o outro. Vê obras particulares ocupando metade do Rio, dos dois lados da ponte. E ainda vê a pista de trânsito a disputar espaço, ou melhor, a tomar o espaço pertencente às matas ciliares.  O público que deveria reger a todos é o primeiro a invadir e incentivar invasões.  Quando vêm os temporais e as enchentes, muitas vezes pagam os justos pelos pecadores.  Muitos destes estão protegidos em seus palácios de luxo, cheios de segurança, custeados pelas contribuições compulsórias dos impostos arrancados do sacrifício de todos que não participam das prebendas do poder.

Gostaríamos sempre de esperar pelas chuvas como irrigadoras da terra para produção dos bens de sobrevivência.  Pensar em boa safra!  Fartura!  Elas vêm e passam, deixando os terrenos férteis em seu caminho em direção ao mar.  O mal está em quem obstrui a sua natural passagem.

De acordo com Bertolt Brechet,   violentas não são as águas que tudo arrastam... violentas são as margens que as comprimem...

(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)


        


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