sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Alerta da Defesa Civil do Estado serve para Visconde do Rio Branco






         A Defesa Civil do Estado de Minas Gerais emitiu alerta de chuvas em toda a Zona da Mata, além de rajadas de ventos e descargas atmosféricas nas regiões Oeste, Triângulo, Sul e Vertentes. 
        
         No Estado do Rio a repetição da tragédia de anos passados já está com cerca de 5.000 pessoas desabrigadas, com alguns casos de morte.
        
 Além da capital, Duque de Caxias, Mangaratiba e Angra dos Reis sofrem com desabamentos, inundação e isolamento.

 Visconde do Rio Branco tem de manter equipes em estado de alerta, porque, no último dia 2, fez um ano que a gigantesca enchente fez vítima fatal, deixou muita gente desabrigada, danificou pistas de rolamento, derrubou casas, arrastou móveis e muitos objetos de valor, para prejuízo de moradores e comerciantes, por onde passaram as águas do rio e das enxurradas projetadas do alto dos bairros construídos nas colinas de todo o perímetro urbano.
        
Antes dessa, houve várias nos últimos anos, cada qual fazendo estragos, e levando pânico à população. Em todas, a via urbana mais atingida foi a Avenida Beira Rio, construída de forma inadequada, sem as análises necessárias quanto à sua viabilidade, ao espaço ocupado, à capacidade da calha do Rio Chopotó para acolher as enchentes em volume comparadas a cheias anteriores, como a de 1932, a de 1959 e outras anteriores, e ao impacto ambiental.
Estado da Av. Beira Rio, após a enchente de 02/01/2012. Imagem: Site da Prefeitura
        
Essa avenida tomou o lugar das matas ciliares necessárias à vitalidade das margens do curso d’água, gerou muitas áreas de risco, e se tornou uma pista cara na sua construção, custosa na sua manutenção e pouco útil, devido às constantes interdições para reparos das erosões sofridas em cada enchente.

         Além dos males dessa Avenida, o crescimento urbano desses últimos 30/40 anos aconteceu sem qualquer planejamento que levasse em conta a topografia da área a ser ocupada com a construção de novos bairros; sem qualquer previsão de como deveria se dar o crescimento demográfico - aumento de pessoas por quilômetro quadrado; a ocupação insensata das margens dos rios Piedade e Chopotó; o bloqueio do espaço destinado ao escoamento das águas;  a abertura de ruas por meio de  terraplanagem com formação de barrancos, sobre os quais se estabeleciam lotes, perigosos para construção de casas;  ruas em níveis superiores à existência de moradias sujeitas a serem atingidas por algum veículo desgovernando.
Construções dentro dos rios. Áreas de Risco. CM 16/07/2012

Construções dentro dos rios. Áreas de Risco. CM 16/07/2012

         Não se criou, ou não se observou qualquer código de obras e edificações, que visasse a segurança de moradores, pouco experientes quanto aos riscos dos fenômenos da natureza.  Ocuparam os morros e substituíram a vegetação por cimento armado. Eliminaram a probabilidade de ser absorvidas pelo solo e pela flora parte considerável das águas de chuva, que ficaria retida, irrigando o solo, mantendo-lhe a consistência.  Essas águas retidas alimentariam os lençóis freáticos e as minas da região, e chegariam aos rios vagarosamente, tempos depois.  Deixariam de engrossar as correntes das cheias.

         Dentro de um planejamento sério, a prioridade para abertura de loteamentos seria o plano horizontal, fora dos acidentes de aclive forte e das margens dos rios.

         Os responsáveis pela segurança dos rio-branquenses têm de dar atenção ao alerta da Defesa Civil do estado, e colocar equipes de plantão, preparadas para agir nessas emergências, diante de qualquer ameaça de inundação, desabamento, afogamento.  E, antes que o mal aconteça, estudarem em todo o perímetro urbano as áreas de risco; prevenirem os moradores; prepararem abrigos alternativos em pontos seguros;  e deslocar aqueles que se encontram sob risco imediato, independente das chuvas que possam vir.  Ainda há muita sequela do temporal do ano passado. Muita gente abandonou suas casas aonde a enchente atingiu.  Muitos precisam de novas moradias em melhor lugar.  

         No dia 03 de janeiro de 2012, o site da Prefeitura Municipal divulgou:

“Com o levantamento realizado pela Defesa Civil e pela Assistência Social do Município foram registrados:

41 pessoas desabrigadas – (perderam tudo, inclusive a casa – estas pessoas estão em abrigos da Prefeitura – Escola Municipal Dr. Carlos Soares e CRAS)

419 – deslocados – (pessoas que estão na casa de parentes e/ou amigos)

16 - desalojados - perderam tudo mas podem, mas não perderam a casa.

1 – morte

5 – pessoas levemente feridas por conseqüência das chuvas”


Esses números são suficientes para serem tomadas medidas preventivas. Não se pode esperar o previsível acontecer, e depois culpar a natureza.

Há um fator a mais para justificar os cuidados: este ano estão acontecendo as temperaturas mais elevadas desde 1915, no Brasil. E em Visconde do Rio Branco a situação parece mais grave. Hoje a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia indicava Máxima para o Município de 29ºC. E às 18h50m, os termômetros marcavam 33,5º à sombra. 

O INMET costuma marcar os mesmos números para as cidades circunvizinhas. Não verificamos se divulga os mesmos para toda a Zona da Mata. Nestas terras montanhosas há diferença de temperatura entre Visconde do Rio Branco e Viçosa, Ervlália, Paula Cândido e Divinésia, por exemplo, que se encontram no alto das serras circundantes. Essa diferença gira aproximadamente em torno 5ºC. 

Pela experiência, observamos que altas temperaturas provocam maiores chuvas, não raro com trombas d’água. Era de se esperar que a proximidade das nascentes de nossos rios nos livrasse de grandes cheias, porque, quando existem vários afluentes e chove ao mesmo tempo por todo lado, esse acúmulo é inevitável. O centro da cidade está a aproximadamente 15 km das nascentes do Chopotó – Serra de São Geraldo, e do Piedade – Serra da Piedade de Cima. Talvez, por isto, depois de 1932, tivemos poucas enchentes de monta.

Entretanto, depois de 2006, nossa população passou pelo flagelo de quatro grandes enchentes, com intervalos pouco superiores a um ano.  Isto faz pensar que o crescimento urbano, com eliminação das áreas verdes onde se construíram bairros, o acúmulo se tornou inevitável, com o agravante das construções dentro dos rios, que se tornaram obstáculo para o escoamento das águas e representam inevitáveis áreas de risco.

Um conjunto de erros administrativos por parte dos agentes públicos que teriam de coordenar com racionalidade o crescimento urbano, a probabilidade de chuvas e enchentes traz preocupações. Diante delas, a necessidade de prevenção. 

A Defesa Civil do Estado alertou. A população olha as nuvens com apreensão. Evitar a multiplicação dos erros cometidos está na prevenção.

Franklin Netto -  viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)

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