A Defesa Civil do Estado
de Minas Gerais emitiu alerta de chuvas em toda a Zona da Mata, além de rajadas
de ventos e descargas atmosféricas nas regiões Oeste, Triângulo, Sul e
Vertentes.
No Estado do Rio a repetição da tragédia de anos passados já está com
cerca de 5.000 pessoas desabrigadas, com alguns casos de morte.
Além da capital, Duque de Caxias, Mangaratiba e
Angra dos Reis sofrem com desabamentos, inundação e isolamento.
Visconde do Rio Branco tem de manter equipes em
estado de alerta, porque, no último dia 2, fez um ano que a gigantesca enchente
fez vítima fatal, deixou muita gente desabrigada, danificou pistas de
rolamento, derrubou casas, arrastou móveis e muitos objetos de valor, para
prejuízo de moradores e comerciantes, por onde passaram as águas do rio e das
enxurradas projetadas do alto dos bairros construídos nas colinas de todo o
perímetro urbano.
Antes dessa, houve várias nos últimos anos,
cada qual fazendo estragos, e levando pânico à população. Em todas, a via
urbana mais atingida foi a Avenida Beira Rio, construída de forma inadequada,
sem as análises necessárias quanto à sua viabilidade, ao espaço ocupado, à
capacidade da calha do Rio Chopotó para acolher as enchentes em volume
comparadas a cheias anteriores, como a de 1932, a de 1959 e outras anteriores,
e ao impacto ambiental.
Estado da Av. Beira Rio, após a enchente de 02/01/2012. Imagem: Site da Prefeitura
Essa avenida tomou o lugar das matas ciliares
necessárias à vitalidade das margens do curso d’água, gerou muitas áreas de
risco, e se tornou uma pista cara na sua construção, custosa na sua manutenção
e pouco útil, devido às constantes interdições para reparos das erosões
sofridas em cada enchente.
Além dos males dessa
Avenida, o crescimento urbano desses últimos 30/40 anos aconteceu sem qualquer
planejamento que levasse em conta a topografia da área a ser ocupada com a
construção de novos bairros; sem qualquer previsão de como deveria se dar o
crescimento demográfico - aumento de pessoas por quilômetro quadrado; a
ocupação insensata das margens dos rios Piedade e Chopotó; o bloqueio do espaço
destinado ao escoamento das águas; a
abertura de ruas por meio de terraplanagem com formação de barrancos, sobre
os quais se estabeleciam lotes, perigosos para construção de casas; ruas em níveis superiores à existência de
moradias sujeitas a serem atingidas por algum veículo desgovernando.
Construções dentro dos rios. Áreas de Risco. CM 16/07/2012
Construções dentro dos rios. Áreas de Risco. CM 16/07/2012
Não se criou, ou não se
observou qualquer código de obras e edificações, que visasse a segurança de
moradores, pouco experientes quanto aos riscos dos fenômenos da natureza. Ocuparam os morros e substituíram a vegetação
por cimento armado. Eliminaram a probabilidade de ser absorvidas pelo solo e
pela flora parte considerável das águas de chuva, que ficaria retida, irrigando
o solo, mantendo-lhe a consistência. Essas águas retidas alimentariam os lençóis
freáticos e as minas da região, e chegariam aos rios vagarosamente, tempos
depois. Deixariam de engrossar as
correntes das cheias.
Dentro de um planejamento
sério, a prioridade para abertura de loteamentos seria o plano horizontal, fora
dos acidentes de aclive forte e das margens dos rios.
Os responsáveis pela
segurança dos rio-branquenses têm de dar atenção ao alerta da Defesa Civil do
estado, e colocar equipes de plantão, preparadas para agir nessas emergências,
diante de qualquer ameaça de inundação, desabamento, afogamento. E, antes que o mal aconteça, estudarem em
todo o perímetro urbano as áreas de risco; prevenirem os moradores; prepararem
abrigos alternativos em pontos seguros;
e deslocar aqueles que se encontram sob risco imediato, independente das
chuvas que possam vir. Ainda há muita sequela
do temporal do ano passado. Muita gente abandonou suas casas aonde a enchente
atingiu. Muitos precisam de novas
moradias em melhor lugar.
No dia 03 de janeiro de
2012, o site da Prefeitura Municipal divulgou:
“Com
o levantamento realizado pela Defesa Civil e pela Assistência Social do
Município foram registrados:
41
pessoas desabrigadas – (perderam tudo, inclusive a casa – estas pessoas estão
em abrigos da Prefeitura – Escola Municipal Dr. Carlos Soares e CRAS)
419
– deslocados – (pessoas que estão na casa de parentes e/ou amigos)
16
- desalojados - perderam tudo mas podem, mas não perderam a casa.
1
– morte
5
– pessoas levemente feridas por conseqüência das chuvas”
Esses
números são suficientes para serem tomadas medidas preventivas. Não se pode
esperar o previsível acontecer, e depois culpar a natureza.
Há
um fator a mais para justificar os cuidados: este ano estão acontecendo as
temperaturas mais elevadas desde 1915, no Brasil. E em Visconde do Rio Branco a
situação parece mais grave. Hoje a previsão do Instituto Nacional de
Meteorologia indicava Máxima para o Município de 29ºC. E às 18h50m, os
termômetros marcavam 33,5º à sombra.
O
INMET costuma marcar os mesmos números para as cidades circunvizinhas. Não
verificamos se divulga os mesmos para toda a Zona da Mata. Nestas terras
montanhosas há diferença de temperatura entre Visconde do Rio Branco e Viçosa,
Ervlália, Paula Cândido e Divinésia, por exemplo, que se encontram no alto das
serras circundantes. Essa diferença gira aproximadamente em torno 5ºC.
Pela
experiência, observamos que altas temperaturas provocam maiores chuvas, não
raro com trombas d’água. Era de se esperar que a proximidade das nascentes de
nossos rios nos livrasse de grandes cheias, porque, quando existem vários
afluentes e chove ao mesmo tempo por todo lado, esse acúmulo é inevitável. O
centro da cidade está a aproximadamente 15 km das nascentes do Chopotó – Serra de
São Geraldo, e do Piedade – Serra da Piedade de Cima. Talvez, por isto, depois
de 1932, tivemos poucas enchentes de monta.
Entretanto,
depois de 2006, nossa população passou pelo flagelo de quatro grandes
enchentes, com intervalos pouco superiores a um ano. Isto faz pensar que o crescimento urbano, com
eliminação das áreas verdes onde se construíram bairros, o acúmulo se tornou
inevitável, com o agravante das construções dentro dos rios, que se tornaram obstáculo
para o escoamento das águas e representam inevitáveis áreas de risco.
Um
conjunto de erros administrativos por parte dos agentes públicos que teriam de
coordenar com racionalidade o crescimento urbano, a probabilidade de chuvas e
enchentes traz preocupações. Diante delas, a necessidade de prevenção.
A
Defesa Civil do Estado alertou. A população olha as nuvens com apreensão.
Evitar a multiplicação dos erros cometidos está na prevenção.
Franklin Netto - viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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