O reajuste dos benefícios de 6,15% para
aposentados e pensionistas traz mais defasagem para os que recebem acima do
salário mínimo. Quem se aposentou há dez anos com valor correspondente a 2,8
salários, perdeu mais de um. Agora o recebimento mensal passa a valer 1,66 do
mínimo de R$ 678,00.
Lula tinha garantido, na campanha
eleitoral de 2002, que quem se aposentasse “com 5 salários mínimos” continuaria
a receber 5 salários mínimos.
E os que contribuíram com 20
referências para receber 10 salários mínimos estão agora limitados ao teto de
R$ 4.157,05, ao invés de R$ 6.780,00.
Essas discrepâncias decorrem do famigerado
fator previdenciário, criado por Fernando Henrique Cardoso. Diante das
reivindicações dos representantes dos aposentados e pensionistas, Dilma afirmou
que não abre mão desse fator.
Quem acompanhou as campanhas a partir
da sucessão de FHC, pôde perceber o seguinte: Serra = FHC; Lula = Serra; Lula =
Dilma, logo Dilma = FHC.
Assim: PT =
PSDB.
Esses dois partidos tornaram-se os
representantes dos interesses do grande capital nacional e internacional que
têm negócios dentro do Brasil e com o Brasil.
A
desvalorização dos benefícios da Previdência é um instrumento institucional que
incentiva as novas gerações a optarem pela previdência privada, prejudicial à
população do ponto de vista custo/benefício diretamente. E, em segundo plano, por
ser de iniciativa particular, há o risco de falência, ou dissolução da empresa
por uma infinidade de motivos: má gestão, morte dos gestores, fim da sociedade,
gastos sem controle, golpe financeiro, fuga para o exterior, desvio de receitas
para paraísos fiscais. Pode ser que dure algum tempo, enquanto somente houver
contribuintes. E somente receitas. Quando os segurados começarem a ganhar
direito à aposentadoria, ou precisarem receber auxílio-doença, a continuidade
da empresa passa a ficar ameaçada.
Já houve vários tipos de montepio em que os contribuintes
deram com os burros n’água. Era o golpe
da falência fraudulenta, com a fuga dos responsáveis para o exterior de mala
cheia. Já a Previdência Social é instituição do Estado Brasileiro que tem caráter perene.
A desoneração da folha de pagamento, que o governo vem
promovendo sorrateiramente, tira receita da Previdência Social. É uma contradição. Toda vez que há reajuste,
membros da equipe econômica alegam que o “aumento” acarreta maior déficit para a
instituição. Como tirar receita, se
existe déficit? Na verdade, o governo do
PT, como o do PSDB, administra o país praticando a Lei Hobin Hood ao contrário:
tira dos pobres para dar aos ricos. Jô
Soares criou esta expressão: Hood Hobin, para situações semelhantes.
Essas medidas de retirar direitos trabalhistas vêm
sendo defendidas pela classe conservadora, defensora do neoliberalismo
econômico, com seu livre mercado, acumulador de riqueza e gerador de muita
exclusão social.
Desde o Gole Militar de 1964, a CLT vem sofrendo
arranhões, que começaram com a supressão da estabilidade no emprego. Criaram o
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), um instituto jurídico que veio
provocar alta rotatividade da mão de
obra. Essa rotatividade fez os salários
perderem valor real ao longo do tempo.
Cada empregado se sente inseguro no seu posto. Pode ser demitido a
qualquer hora. Ao empregador basta
anunciar que tem uma vaga e aparecem mais 100, dispostos a cumprir a mesma
tarefa por uma remuneração menor.
A contribuição do FGTS é depositada em uma conta
bancária todo mês. Na demissão,
praticamente não há despesa, a não ser a parcela do 13º e o Aviso Prévio.
Antes não havia depósito antecipado. No ato da demissão o patrão pagava a
Indenização por Tempo de Serviço e os demais direitos. Então ele pensava se valeria a pena um custo
imediato que, se evitado, poderia se investido no próprio negócio, como aumento
de estoque, ou outra forma de aplicação que influiria no aumento dos
lucros. Neste caso, mesmo que o empregado não tivesse alcançado
estabilidade, por conveniência patronal valia a pena manter o funcionário.
No jogo de conveniência, os funcionários que
permaneciam mais tempo no trabalho se tornavam mais capacitados, ganhavam maior
experiência, produziam mais e, na maioria das vezes, tinham o salário melhorado.
Não compensava trocá-los por novatos inexperientes.
A criação do FGTS trouxe inconveniência para os
empregadores, porque aumentou suas despesas mensais na Folha de Pagamento. E
trouxe também para os trabalhadores pela rotatividade resultante, porque a
demissão praticamente não altera para o empregador. A indenização já está feita mês a mês e
depositada em uma conta bancária. O
funcionário que ia fazendo parte da empresa com o passar do tempo, tornou-se,
de uma hora para outra, uma peça descartável. O livre mercado na relação
patrão/empregado é totalmente favorável ao empregador que tem sempre uma grande
fila de pretendentes para a mesma vaga. Enquanto isto, o funcionário despedido
tem de entrar em outra longa fila em busca de oportunidade.
Daí, resultam
os baixos salários na lei da oferta e da procura.
E refletem no enfraquecimento do mercado interno que acaba
prejudicando as pequenas e médias empresas, em um círculo vicioso de desgaste
do trabalho e da qualidade dos bens produzidos.
Tudo isto revela a semelhança entre PT e PSDB. Esses dois partidos têm os mesmos aliados a
formar coalizões de governo no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas
e nas Câmaras Municipais. Ambos servem
aos mesmos senhores, os donos e manipuladores do Grande Capital, organizados de
forma vertical, de maneira a controlar o
domínio dos poderes de cima em baixo. Da presidência da República aos
prefeitos. Do senado federal às câmaras
de vereadores. Esses dois partidos, com
seus aliados, representam faces de uma mesma moeda. Praticam a mesma política
social e a mesma econômica. São
financiados pelos mesmos investidores que querem o mesmo resultado. E levam os eleitores a votar na ilusão de que
estão escolhendo, quando, na verdade, os candidatos já estão escolhidos
previamente. Qualquer dos dois que
terminam disputando em primeiro ou segundo turno a preferência do eleitorado -
influenciado pela polarização em torno deles -, depois de ampla promoção pelos meios
de comunicação, e pela injeção de maiores financiamentos aos que atendem aos
interesses dos capitalistas, qualquer dos dois, repetimos, serve aos seus
senhores. O tamanho do financiamento se
reflete na riqueza da propaganda em cartazes, santinhos e comícios. Em muitos casos, até no apelo da compra de
votos, que, mesmo proibida por Lei, é praticada, nem sempre comprovada, nem
sempre punida.
Este é o
tipo de democracia praticada desde os
Estados Unidos, onde os partidos Democrata e Republicano têm candidatos
semelhantes, conforme o interesse do regime, sustentado também pelos
financiadores que são os donos das correntes aparentemente antagônicas. Parece uma Democracia, por que o povo vota.
Mas é uma Plutocracia, porque o dinheiro decide.
O eleitor, no seu entusiasmo cívico, pensa que está
decidindo. Mas apenas está sacramentando decisão feita nas altas esferas do
poder econômico.
Assim,
aqui no Brasil PT e PSDB se parecem tanto e realizam as mesmas privatizações, o
mesmo ataque aos direitos trabalhistas, o mesmo favorecimento ao sistema
financeiro, as mesmas medidas anti-sociais, a mesma concentração de renda, a
mesma reserva de superávit primário, o mesmo pagamento de juros ao capital
especulativo. E distribuem ilusões à
grande massa da população que ganha prebendas ou propinas, mas nunca se
emancipam.
(Franklin Netto –
viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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