Na Praça 28 de Setembro, os elevados decibéis dos conjuntos
perturbam quem desejou somente descansar no feriado prolongado. As reclamações
procedem de hóspedes de hotéis e de moradores da área. Manifestam-se mais
contra o Trio Elétrico e o conjunto que toda noite no Palco Principal, a Banda Santa
Maria. Os reclamantes argumentam que nem
todos participam da Festa de Momo. Quem
está brincando se entusiasma com o ritmo e fica envolvido no clima. Quem está de fora, nas ruas, em casa, em
internação hospitalar ou nas casas de hospedagem sente a vibração das ondas
sonoras como se tudo tremesse. E não pode ver televisão, falar ao telefone, nem
conversar no recesso dos lares.
Trata-se, além da festa, de uma questão
de saúde pública. Mesmo os que se
encontram nos blocos em torno dessas aparelhagens, sob efeitos alucinógenos
provocados por bebida ou outra forma de embriaguez, correm o risco iminente de
sofrem lesões nos tímpanos, ainda que somente percebidos depois de saírem da folia e se
encontrarem em ambiente de ruídos considerados normais. Junto à Praça, há
uma unidade hospitalar. E nas residências existem pessoas idosas, doentes ou
que, simplesmente optaram por não participarem da festa.
Nada demais em agradar foliões. Mas dentro dos limites de respeito aos
demais. Há exigência de acústica para casas noturnas e clubes com a finalidade
de evitar que eventos musicais perturbem a vizinhança nas suas diversas formas.
Quando a sonorização acontece ao ar livre, excede todos os limites da boa
vizinhança e do direito ao sossego.
Pouca gente pode, durante o Carnaval, sair de sua casa para lugar tranquilo.
Neste caso, a tolerância ao excesso de
volume antes e depois das 22 horas deveria obedecer ao bom senso de agradar a
uns e não prejudicar a outros.
Por estas questões, mais os problemas
do trânsito devido à interdição, a Praça 28 de Setembro se revela, a cada ano, inadequada para o Carnaval.
Solução para isto depende de muita coisa. Talvez dependa mais de
finanças para se construir um local adequado,
isolado de áreas de habitação, como se fosse uma grande estádio coberto.
Seria muito caro, mas teria a vantagem de ser construído uma única vez e ficar
para sempre, sem os transtornos de despesas anuais de armar e desarmar, que são
também elevadas. Esse “estádio” poderia
ter outras utilidades fora desta época, com fins culturais, educacionais e
promoções diversas. Como em todo o
Brasil, falta dinheiro para educação, para a saúde, mas para construir os
faustosos Estádios de Futebol para Copa do Mundo, o dinheiro apareceu. O
Carnaval é tão popular quanto o Futebol. Quem sabe entre as várias finalidades
dessa obra possa se incluir os vários jogos de bola? Se for bem planejado, seu uso, poderá pagar o custo em pouco tempo por patrocínio, aluguel e ingresso. Cada componente de um grupo organizado de
bloco ou escola de samba gasta alguma coisa para fantasias e instrumentos, além
das verbas públicas de ajuda a cada instituição pelo Departamento de
Turismo. Nada demais incluir nesses
gastos um valor simbólico de ingresso.
Como são eventos de grande público, esse valor simbólico somado atingirá
cifras consideráveis. O estádio
corresponderia a um gigantesco ginásio coberto. Todos protegidos contra a chuva. E a parcela
da população não participante teria seu direito ao sossego respeitado. A saúde coletiva agradeceria, e viríamos a
ter menos pessoas surdas nas futuras gerações.
(Franklin
Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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