segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Alto volume de som incomoda turistas e moradores que não participam do Carnaval em Visconde do Rio Branco



                

      Na Praça 28 de Setembro, os elevados decibéis dos conjuntos perturbam quem desejou somente descansar no feriado prolongado. As reclamações procedem de hóspedes de hotéis e de moradores da área. Manifestam-se mais contra o Trio Elétrico e o conjunto que toda noite no Palco Principal, a Banda Santa Maria.  Os reclamantes argumentam que nem todos participam da Festa de Momo.  Quem está brincando se entusiasma com o ritmo e fica envolvido no clima.  Quem está de fora, nas ruas, em casa, em internação hospitalar ou nas casas de hospedagem sente a vibração das ondas sonoras como se tudo tremesse. E não pode ver televisão, falar ao telefone, nem conversar no recesso dos lares.

         Trata-se, além da festa, de uma questão de saúde pública.  Mesmo os que se encontram nos blocos em torno dessas aparelhagens, sob efeitos alucinógenos provocados por bebida ou outra forma de embriaguez, correm o risco iminente de sofrem lesões nos tímpanos, ainda que somente percebidos depois de saírem da folia e se encontrarem em ambiente de ruídos considerados normais. Junto à Praça, há uma unidade hospitalar. E nas residências existem pessoas idosas, doentes ou que, simplesmente optaram por não participarem da festa.

         Nada demais em agradar foliões.  Mas dentro dos limites de respeito aos demais. Há exigência de acústica para casas noturnas e clubes com a finalidade de evitar que eventos musicais perturbem a vizinhança nas suas diversas formas. Quando a sonorização acontece ao ar livre, excede todos os limites da boa vizinhança e do direito ao sossego.  Pouca gente pode, durante o Carnaval, sair de sua casa para lugar tranquilo.  Neste caso, a tolerância ao excesso de volume antes e depois das 22 horas deveria obedecer ao bom senso de agradar a uns e não prejudicar a outros.

         Por estas questões, mais os problemas do trânsito devido à interdição, a Praça 28 de Setembro se revela, a cada ano, inadequada para o Carnaval.  Solução para isto depende de muita coisa. Talvez dependa mais de finanças para se construir um local adequado,  isolado de áreas de habitação, como se fosse uma grande estádio coberto. Seria muito caro, mas teria a vantagem de ser construído uma única vez e ficar para sempre, sem os transtornos de despesas anuais de armar e desarmar, que são também elevadas.  Esse “estádio” poderia ter outras utilidades fora desta época, com fins culturais, educacionais e promoções diversas.  Como em todo o Brasil, falta dinheiro para educação, para a saúde, mas para construir os faustosos Estádios de Futebol para Copa do Mundo, o dinheiro apareceu. O Carnaval é tão popular quanto o Futebol. Quem sabe entre as várias finalidades dessa obra possa se incluir os vários jogos de bola?  Se for bem planejado, seu uso, poderá pagar o custo em pouco tempo por patrocínio, aluguel e ingresso.  Cada componente de um grupo organizado de bloco ou escola de samba gasta alguma coisa para fantasias e instrumentos, além das verbas públicas de ajuda a cada instituição pelo Departamento de Turismo.  Nada demais incluir nesses gastos um valor simbólico de ingresso.  Como são eventos de grande público, esse valor simbólico somado atingirá cifras consideráveis.  O estádio corresponderia a um gigantesco ginásio coberto.  Todos protegidos contra a chuva. E a parcela da população não participante teria seu direito ao sossego respeitado.  A saúde coletiva agradeceria, e viríamos a ter menos pessoas surdas nas futuras gerações.

         (Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)

          
     

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