sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carnaval, de festa popular, virou negócio





                     

         O Carnaval, de origem grega, chegou ao Brasil por influência da França e se adaptou aos costumes brasileiros misturados com as fantasias de cultura variada de onde adotaram os modelos de Pierrot e Colombina como tema de ritmos bem brasileiros das marchas e sambas.  O samba tem origem africana, a partir dos lamentos de senzala, e ganhou estilo próprio a partir dos morros do Rio de Janeiro(favelas), onde passavam a viver populações menos favorecidas, com predominância de ex-escravos. Por ser um estilo contagiante, venceu preconceitos e ganhou as avenidas e os salões nos bailes de carnaval. 

         As marchinhas predominaram deste dos anos 20 até os anos 60, juntamente com os sambas, e foram base dos compositores para o repertório do Carnaval com crescimento e aceitação popular à medida que o rádio crescia. Os aparelhos receptores faziam parte da família brasileira e tinham presença obrigatória nos lares, nos locais de trabalho e até nas mãos de cada trabalhador depois que surgiu o rádio portátil.

         As letras das músicas de Carnaval tinham motivos românticos, dramáticos, ou falavam da rotina social, onde os lamentos de senzala eram substituídos pelos lamentos dos barracos, da vida dura do trabalhador. “Ai, ai, meu Senhor. Ai, ai, meu Senhor, desce aqui na terra, e vem ver a vida do trabalhador. Até o meu barraco destruído, do meu amor uma lágrima rolou, a turma da escola comovida chorou, chorou, chorou...ai, ai”

         Nas músicas e nos desfiles havia espontaneidade e simplicidade das histórias.  No carnaval de rua cada um brincava do jeito que queria, cantava as músicas que tivesse aprendido, vestia qualquer roupa diferente ou bizarra, e colocava máscaras feitas e criadas ao gosto do próprio folião. Até os blocos dos sujos eram compostos de grupos vestidos com as roupas tiradas dos cestos que estavam cheios para lavar. As escolas de samba eram organizadas de acordo com as parcas possibilidades dos seus componentes.

         As fantasias nos desfiles, nos clubes e as ruas retratavam o que cada um acha melhor: Pierrots, Colombinas, heróis de cinema, ou das histórias e lendas conhecidas, como Zorro, Saci, Pirata.  Eram três dias de folia: domingo, segunda e terça-feria até a meia-noite, porque, a partir de zero hora de quarta, a Igreja exigia o respeito às Cinzas.  Muito folião se perdia embriagado, e amanhecia a quarta-feira cheio de confete na cabeça e colado no corpo suado, cruzando-se com religiosos que traziam na testa a cruz de cinza benta da primeira missa.

         A partir dos anos 60 do Século XX, vinha sendo imposta uma aculturação do que era genuinamente brasileiro.  As rádios que divulgavam programas com músicas para todos os gostos, dedicavam algum espaço à  exclusiva música nacional.

         Os canais de rádio eram públicos, mas o governo dava concessões a empresas particulares para explorar o serviço de divulgação. Essas empresas tinham receita nas propagandas.  As agências de propaganda, maioria estrangeira, passaram a ser instrumento de dominação dos programas radiofônicos. Daí, foram impondo as programações com músicas estrangeiras, principalmente estadunidenses.  Os musicais iam perdendo brasilidade.  E  os rádio-ouvintes, que mal sabiam falar o português, tiveram que engolir letras e ritmos alienantes e alucinantes: rock, blue, jazz...   Não entendiam nada, mas era seu passatempo.  Os disc jockey, um termo por si alienante, passavam a divulgar nas Paradas de Sucesso os gêneros de interesse dos patrocinadores. Nessa onda, foi-se o carnaval do povo. Não havia mais repertório carnavalesco exclusivo divulgado a cada ano.  O povo consumia o que o rádio divulgava. Os inspirados compositores e cantores brasileiros perderam campo para o que era estrangeiro.  As escolas de samba passaram ao domínio de organizações turísticas.  Brincar no Carnaval deixou de ser espontâneo para ter passos ensaiados, com exibição de profissionais das artes de palco. As organizações dos programas carnavalescos viraram coisa estabelecida, cheias de regras e de tudo o que deixa de ser brincar.  O Carnaval tem a presença do público expectador, mas não agente da festa. 

        Por isto que as velhas marchinhas e sambas, quando são tocados na pista no desfile da Terceira Idade, atraem a juventude a compartilhar, entusiasmados pela beleza das letras e o prazer dos ritmos contagiantes.
As bandas que “animam” a festa na programação oficial nada têm a ver com o carnaval que, mesmo tendo vindo de fora, ganhara uma forma genuinamente brasileira.  Aquele foi o Carnaval dos anos 20 aos anos 60 do Século XX.  A partir de então, essa adulteração de cultura popular, misturou-se com a propagação de drogas sob o domínio de organizações criminosas e grupos de contravenção.  Objeto de lucro e de corrupção social.

Pesquisa para esta matéria:
Marcha de Carnaval, também conhecida como "marchinha", é um gênero de música popular que foi predominante no carnaval dos brasileiros dos anos 20 aos anos 60 do século XX, altura em que começou a ser substituída pelo samba enredo em razão de que as escolas de samba não queriam pagar os altos preços cobrados pelos compositores musicais. No entanto, no Rio de Janeiro, as centenas de blocos carnavalescos que anualmente desfilam durante o carnaval continuam, a cada ano, lançando novas marchinhas e revivendo as antigas.(Wikipédia)

Carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C..[1] É um período de festas regidas pelo ano lunar nocristianismo da Idade Média. O período do carnaval era marcado pelo "adeus à carne" ou do latim "carne vale" dando origem ao termo "carnaval". Durante o período do carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX.[2] A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice,Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas. Já o Rio de Janeiro criou e exportou o estilo de fazer carnaval com desfiles de escolas de samba para outras cidades do mundo, como São Paulo, Tóquio e Helsinque.
O carnaval do Rio de Janeiro está atualmente no Guinness Book como o maior carnaval do mundo, com um número estimado de 2 milhões de pessoas, por dia, nos blocos de rua da cidade.[3] Em 1995, o Guinness Book declarou o Galo da Madrugada, da cidade do Recife, como o maior bloco de carnaval do mundo.[4](Wikipédia)

(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)

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