terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval vai chegando ao fim com temas sociais como antes


                                                 

Em Visconde do Rio Branco, a Bandinha instalada em palco modesto em frente à escada do balaústre anima os foliões que gostam do Carnaval como Carnaval de sempre.  Esse gosto vai além das gerações do passado e atinge um grau de cultura que contagia a mocidade quando tem oportunidade de ouvir as melodias e as letras com as histórias de temas variados, desde o romantismo, a dor de cotovelo, os problemas sociais retratados principalmente no Rio de Janeiro, berço do samba e do estilo autêntico do carnaval brasileiro.  Os temas sociais se fundamentam na pobreza, na vida das favelas, nos seus barracos, na ida e vinda para o trabalho.

Nesta questão, lá em São Paulo,  Adoniran Barbosa deixou o Trem das Onze, que os Demônios da Garoa imortalizarem e o transformaram em  clássico popular que atravessa gerações. Não há rodada de cerveja, ou qualquer manifestação musical popular onde falte  esse samba.

E, na passarela do samba, no Rio de Janeiro, ontem, o motivo social serviu de base para Rosa  Magalhães conquistar o público, conforme esta notícia da Agência Brasil:
   

A Unidos de Vila Isabel fechou o desfile com o enredo A Vila Canta o Brasil Celeiro do Mundo – Água no Feijão, que Chegou Mais Um..., da carnavalesca Rosa Magalhães. A escola prestou homenagem ao homem do campo e uniu a cultura do samba à moda de viola”.

       Os foliões que brincam ao som da Bandinha cantando a Jardineira, Me dá um dinheiro aí, Menina Vai, A cabeleira do Zezé, Cachaça, Alah lá ô, As Pastorinhas e outras semelhantes chegam a se comover quando o conjunto muda de ritmo e entra em um bloco de samba. Parece que os compositores usavam as marchinhas para os temas irreverentes e no samba colocavam seus lamentos, desabafos e desilusões de amor. 

       Ataulfo Alves e Mário Lago lançaram para carnaval, mas o gosto popular eternizou como clássico  “Ai! Que saudades da Amélia” -  aquela que “achava bonito não ter o que comer. Quando me via contrariado, dizia: meu filho o que se há de fazer?  Amélia não tinha a menor vaidade. Amélia que era a mulher de verdade”.

       Comparada à Amélia existe a Emília.  O movimento feminista usa essas duas como exemplo do que a mulher não deve ser: submissa, conformada, de cama, mesa e banho. Igual à Emília seria “uma mulher que saiba lavar e cozinhar. E de manhã cedo me acorda na hora de trabalhar. Não existe outra, e sem ela eu não vivo em paz... Emília, Emília, Emília eu não posso mais...   Ninguém sabe igual a ela preparar o meu café. Não desfazendo da outras, Emília é mulher. Papai do céu é quem sabe a falta que ela me faz.... Emília, Emília, Emília eu não posso mais....”  

       Este é o carnaval dos sons, letras e ritmos agradáveis que fazem higiene mental e deixam o corpo leve, sem agressão aos ouvidos dos foliões e dos assistentes. Muita gente gosta de comparecer somente para ver. É satisfatório compartilhar da alegria, do movimento das danças de acordo com o jeito de cada um, descontraído, com passos livres, sem regras e sem aprisionamento. 

       Nessa espontaneidade passam pelo imaginário figuras simples do cotidiano, cada qual com sua personalidade, alguns expansivos, outros tímidos, mas todos ao natural, sem efeitos alucinantes. É a diversão sadia, saudável, que faz bem e não deixa sequelas.

       Muitos lamentam quando a Bandinha pára de tocar. Acham que pára cedo.  A vontade era brincar a noite inteira.

       Amanhã é quarta-feira de cinzas.  A virada desta madrugada faz lembrar o tempo dos carnavais nos clubes. Quando amanhecia, os  grupos saíam de cada salão e se encontravam na Praça, em frente ao antigo Aero Clube. E por ali dançavam por algum tempo até começarem a se dispersar lentamente.  Muitos cruzavam com os religiosos que vinham da missa com a cruz de cinza na testa. Cada um na sua, como se dizia à época, sob o olhar de censura do padre.

             Os donos das casas comerciais do ramo de bebidas e salgados e os das barraquinhas ficam satisfeitos com o resultado da folia, porque vendem tudo mais caro e a dinheiro, nesta ocasião. Já os demais muitas vezes lamentam porque alguns fregueses ficam em falta nos acertos mensais para gastar no carnaval. 

             Assim é a vida!

       (Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)  

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