Não bastasse o IPVA que o Estado e o
Município recebem adiantadamente no mês de janeiro para manutenção das vias
públicas no perímetro urbano e nas rodovias;
não bastasse o CIDE(imposto sobre combustíveis para o mesmo fim. Agora o Ministro da Fazenda Guido Mantega
anuncia um presente às concessionárias de exploração das rodovias com dinheiro
público para empresas privadas.
Oferece “mais vantagens” com prazo de
financiamento de 25 anos, e concessões para 30 anos.
As empresas gozarão o privilégio de praticamente
nada desembolsar de seu patrimônio, porque o tempo de financiamento é quase o
mesmo da concessão. As concessionárias
cobram o pedágio a vista dos motoristas, têm todo o tempo para pagar e acumular
dinheiro à medida que vencem seus compromissos. Os proprietários de veículos
pagam o IPVA adiantado, paga o CIDE na bomba de gasolina, para o serviço que
deveria ser executado durante o ano inteiro. E o Estado se exime do dever da
conservação das estradas, entregando-as à exploração das privilegiadas
concessionárias que nada desembolsam. O
povo paga três vezes para o mesmo fim. E
o governo usa o dinheiro do próprio povo para dar o presente às empresas
privadas.
Por essas razões, a estudante de
Direito Márcia dos Santos Silva, da Universidade Católica de Pelotas(RS), diz
que não paga pedágio em lugar nenhum.
Alega que essa imposição contraria o direito constitucional de ir e vir,
dentro do Território Nacional.
Na área puramente técnica, outros
advogados contestam esse argumento, e dizem que a Constituição permite as concessões
de exploração de estradas para empresas privadas.
De qualquer maneira, esses direitos
contraditórios, na prática, são atentatórios à economia popular. Pagar dois
impostos para o mesmo fim já é demais(IPVA E CIDE). E ficar sujeito a pedágio nas estradas
torna-se abuso de poder do Estado a favor do poder econômico. E é imoral um
governo dar concessões para além de seu mandato, principalmente com
financiamento paralelo às concessões. É assumir dívidas para as gerações
futuras, quando outros governantes terão de continuar a cobrar impostos para
sustentar os financiamentos. Por que não vale aí a Lei de Responsabilidade
Fiscal?
Se tivéssemos governantes sérios,
usariam o dinheiro desses financiamentos para o próprio Estado conservar as
estradas. E evitaria o ônus maior para o contribuinte. Com esse espírito, foram
criadas a Petrobras, a Companhia Siderúrgica Nacional, a Vale do Rio Doce e
outras empresas criminosamente privatizadas nos últimos tempos.
De imediato, estamos vendo o IPVA
render Receita para município e estado, sem a aplicação imediata na conservação
das ruas e rodovias. Poderíamos
presenciar uma operação tapa-buracos emergencial, acompanhado de um
planejamento de recapeamento de asfalto e calçamento de bloquetes ou paralelepípedos
para um tráfego eficiente, a começar pelas ruas centrais da cidade,
estratégicas, porque são passagem obrigatória para o deslocamento de um lado
para outro da cidade.
As eleições de dois em dois anos, em
tese, poderiam servir para o povo exercitar e aperfeiçoar o voto. Por outro lado, no plano administrativo,
prejudica. Faz a classe política abandonar planos de governança, para se ocupar
somente de planos eleitorais. A única
coisa permanente é a sede de impostos e os reajustes elevados dos vencimentos
de membros dos poderes executivo e legislativo.
O povo paga imposto diariamente não só
nos postos de gasolina, mas em todas as movimentações
financeiras, seja nas casas bancárias,
seja no comércio. Em tudo o que se compra há o Imposto Sobre Circulação de
Mercadorias e tantos outros que, somados, tiram quase a metade do que cada
cidadão compra ou vende. É no arroz, no feijão, no leite, em material de
limpeza, vestuário. Quando saímos de casa,
ou fazemos uma encomenda por telefone, estamos sofrendo um tributo pesado. Anda
próximo dos 40%. Pouca gente se dá
conta. Mas, em uma retrospectiva na história, lembramo-nos de que a
Inconfidência Mineira eclodiu por causa de 20% cobrados sobre o que se
produzia. Era um quinto, tão abominável e inaceitável que recebeu a denominação
de revolta de “os quintos dos infernos”.
Hoje as razões da revolta seriam dobradas, pois pagamos “dois quintos dos infernos”, cercados
de impostos por todo lado, sem a oportunidade de ser uma vez por ano. O pagamento é na hora, mais do que “em dia”. O contribuinte não tem tempo de respirar. Mal
faz um negócio, tem invisível colada a figura da Receita.
Tudo são resultados de leis. E quem faz
as nossas Leis? Todos viram há pouco a
ascensão de Renan Calheiros à Câmara Alta, em substituição a José Sarney. Com todos os seus “predicados” é o presidente
do Congresso Nacional, onde Lula dizia, no seu tempo de oposição, há pelo menos
300 picaretas. No poder, Lula se aliou a
toda onda de picaretagem e acabou revelando que o número é muito maior, pela
forma fisiológica como construiu a base aliada, na troca de ministérios por
apoio partidário. E deixou ao PT e à
Dilma esse legado, que ambos aceitaram de bom grado. Deram-se tão bem, que o
Congresso abre mão de sua prerrogativa de legislar e examinar os atos do
executivo. Transferiu-lhe o poder de legislar por decreto, como é o caso do
Salário Mínimo inconstitucional que ninguém contesta. Ninguém, em termos. Somente o DIEESE, como instituição, mostra
mensalmente que o mínimo necessário para uma família viver é quatro vezes maior
do que o vigente.
Mas vamos vivendo em meio a essa
balbúrdia institucional. Pagamos vários impostos para o mesmo fim. Somos
obstruídos em nosso direito de ir e vir.
Perdemos quatro meses e meio por ano com os tributos cobrados, além das
taxas indevidas cobradas por empresas particulares por serviços públicos mal prestados.
Estamos subordinados a leis inconstitucionais (?). A nossa Educação é uma das piores do
mundo. Muitas vezes nem constam em
programas de governo. As prioridades são outras: pão e circo. Em nossos poderes
legislativos, nos três níveis, a maioria que decide está de costas para a
justiça. Não poucas vezes está ligada à
contravenção e ao crime organizado. A plutocracia ocupa cada vez mais espaço da
democracia, que somente mantém seus rituais, mas não oferece resultados
coerentes com seus princípios. O Mensalão, com suas diversas faces, é a
cartilha implícita que orienta a conduta pública e as decisões das
instituições de fachada.
Vamos tocando o nosso dia a dia, sem
ver professores valorizados para influírem melhor na educação e no
comportamento das futuras gerações. Nada
se faz para os desvios de conduta de agora serem menores do que nos tempos
vindouros. Preferem investir em presídios e no sistema criminal, do que no
educacional. Preferem gastar muito mais
com um preso, ou um agente penitenciário, do que com um professor ou um aluno.
Alguém, ou alguns, levam vantagem com
esse desequilíbrio. Talvez – quase com certeza – os 10% mais ricos da pirâmide
social. Por isto que a situação não se inverte. Quanto mais podem esses
privilegiados, mais investem no financiamento de campanhas eleitorais e têm o
controle sobre os eleitos, que lhes devolvem gordos dividendos.
A conscientização popular nunca virá de
cima para baixo. A base de sua libertação é a escola. Mas, se não lhe é oferecido ensino de
qualidade, a maioria teria que se tornar autodidata. Até para compreender isto,
teria de acontecer um milagre, ou ato solidário de uma parcela para se doar em
atos voluntários para ações educativas, a começar do b-a-bá.
Enquanto isto não acontece, o governo
continuará a dar concessões de serviço público para empresa privada, e a
financiar com o dinheiro do próprio povo, que pagará muitas vezes pelo mesmo
mau serviço. Vamos pagando nosso IPVA adiantado e andar nas ruas e estradas
esburacadas. Vamos aguentando os dois quintos dos infernos placidamente.
Continuaremos bem no ranking entre os piores do mundo em educação. Em
compensação, poderemos saber que o nosso país sediará a Copa do Mundo de 2014 e
as Olimpíadas de 2016, em estádios novos, bonitos, caros.
O circo está armado!
(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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