O novo Salário
Mínimo de R$ 678,00, que entrou em vigor em janeiro, vale menos do que o
reajustado no ano passado. Comparado o valor real diante do que precisam o trabalhador e sua família, o de agora
equivale a 25,34% do necessário de R$ 2.674,88 calculado pelo DIEESE. O de R$ 622,00 decretado em janeiro de 2012 valia 25,93% do necessário
de R$ 2.298,82. Diferença de 0,59%. Isto
desmente as notícias oficiais de que o governo pratica uma política de
valorização real do salário mínimo. Sofismas!
Os 9% de
reajuste estão longe de repor e muito menos aumentar o poder de compra dessa
remuneração irrisória, para a qual o trabalhador dedica oito horas diárias de
sua força de trabalho, de sua vida e de sua saúde.
Em janeiro, todas as 18 capitais onde o
DIEESE realiza a Pesquisa Nacional da Cesta Básica registraram aumento no preço
dos produtos alimentícios essenciais, com altas entre 2,19%, apurada em
Fortaleza e 17,85%, registrada em Salvador. O Salário Mínimo Necessário foi
estimado em R$ 2.674,88, 3,94 vezes o que vigora. Então, continua a ser de um quarto o
pagamento do que precisa uma família para viver.
A situação é tão grave e injusta porque
tem um alcance abrangente de perdas para os aposentados e pensionistas de mais
de um salário mínimo, que sofrem reajustes inferiores ao do mínimo.
Essas perdas reais saem indevidamente
do segmento social menos remunerado, diante do teto da Previdência de R$
4.159,00, que não constitui nenhum privilégio diante dos R$ 28.059,29 concedidos aos
ministros do STF, que, certamente, serão equiparados para parlamentares e
membros do primeiro escalão do poder executivo.
Quase
50 milhões de brasileiros são penalizados com esses R$ 678,00. Deles e dos
demais segurados da Previdência é que saem os recursos para manter os programas
assistencialistas de bolsas-família e semelhantes, que deveriam ter caráter emergencial,
para capacitar as pessoas para entrar no mercado de trabalho e cumprirem sua
função social. A permanência desses
programas habitua seus beneficiários ao ócio e à acomodação, sem despertá-los
para valorização da auto-estima.
Tudo
faz crer que os governantes, ao longo dos tempos, desestimulam a educação que
liberta, a serviço das classes dominantes, onde os 10% mais ricos abocanham
três quartos da renda nacional. A renda
per capita, mostrada pela divisão do Produto Interno Bruto(PIB) pelo número de
habitantes, é produto de cada pessoa. Mas nem a sua metade volta a cada um. Se
voltasse, uma família teria mais do que o Salário Mínimo Necessário. Se a metade voltasse a cada produtor, a outra
metade ficaria para manter a máquina governamental nos três poderes.
Uma
das razões de não voltar é a reserva que o governo faz sistematicamente com o
Superávit Primário, destinado a pagar juros da dívida pública. E quem se beneficia desses juros são
exatamente os 10% mais ricos que concentram quase todo o resultado do trabalho
de todos. Todos para alguns. O trabalho
é cada vez mais desvalorizado. E a especulação financeira e a agiotagem
improdutivas ficam com o sangue, o suor
e as lágrimas dos que empregam sua mão de obra, seus dias, sua vida.
O
país rico, a caminho de ser a 5ª maior potência econômica mundial, dispõe de
imensos recursos naturais, tem renda mas não tem justiça. Com tudo para
promover o bem de sua população com “moradia,
alimentação, educação, saúde, lazer,
vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes
periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo”, deixa o povo trabalhador à
míngua, enquanto mantém no poder uma malta que legisla de costas para a
justiça. Os membros dignos das nobres
funções de legislar e governar são raríssimas exceções. As composições de quase
todas as mesas legislativas são eivadas de atos revestidos de pouca dignidade. Por
isto, não raro, presidentes dessas casas, deixam de apresentar reputação
ilibada, como deveria exigir a dignidade do cargo. As negociações feitas para
se formarem esses quadros comprometem a lisura da representatividade popular. Os
conchavos mancham essas decisões.
Assim,
vamos vivendo em um país onde o trabalho, o saber, a dignidade, a probidade são tratados
com desdém. A esperteza é exaltada.
Viver
sem trabalhar é mais vantajoso do que trabalhar para viver. Explorar a mão de
obra alheia gera acúmulo de riqueza, de poder, de domínio, de impunidade. E os
professores são desvalorizados. Seu piso salarial de R$ 1.567 em 2013 não chega ao
mínimo necessário de R$ 2.674,88. E dos mestres exige-se formação
superior. Em princípio, o mínimo seria para trabalhador sem qualificação. É
redundante dizer que “mínimo” não pode
ser menos.
Mas, por a falta de qualificação ética e moral de
nossos legisladores, vivemos esse caos de leis contraditórias, que provocam o
caos jurídico e o descrédito na justiça.
Trabalhar e viver por uma remuneração
correspondente à quarta parte do necessário equivale a uma escravidão não
declarada, mascarada, camuflada, próprias das decisões de alcateia Tudo ao
contrário do trabalhismo, onde ter uma carteira assinada é motivo de boas
referências, de boa conduta, de respeito e credibilidade.
(Franklin Netto –
viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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