Temos, a partir de Visconde do Rio Branco, todos os motivos
para falarmos das mulheres, de seus valores, de seus trabalhos, de suas
frustrações.
As mulheres donas de casa, de ontem e
de hoje, responsáveis pela formação dos filhos, na sua doação de amor, a
construir o caráter e a personalidade das gerações futuras. Houve tempos
melhores em que elas podiam dedicar-se integralmente ao acompanhamento do
crescer e do desenvolver dos descendentes para que se tornassem cidadãos de
bem, preparados para o trabalho digno, na composição do grupo social de cada
época, com procedimento exemplar no próprio município ou fora dele.
Ao lado das donas de casa, as
professoras complementavam a educação recebida em casa, ao acrescentar
conhecimentos que capacitassem as crianças e jovens para o exercício de
profissões que os desafios da vida reservassem a cada um. Muitos foram por todo
esse Brasil a contribuir com o desenvolvimento dos lugares de destino, outros continuaram
por aqui mesmo, porque o Município também precisava da sua competência, da sua
inteligência e da sua disposição para cumprir o papel social de cada cidadão,
com seu trabalho que produz, ou com sua liderança que conduz.
Citamos duas mulheres que simbolizam
todas as conterrâneas na sua lida de educadoras e donas de Casa: Dona
Theresinha de Almeida Pinto e Dona Albertina Lima Duarte(Dona Naná). Ambas muito representam na formação de várias
gerações, na doação de Educação e Cultura.
Dona Naná, no tradicional Grupo Carlos
Soares, representa todas as diretoras e professoras de outros educandários pela
rede de ensino municipal e estadual aqui instaladas. Dona Theresinha, Dama do Mundo, transmite com
dinamismo e entusiasmo a experiência de elevada cultura internacional, na luta
pela preservação da cultura local, com empenho para preservação de bens de
valor histórico nas imagens de arquiteturas que falam.
Ao fundo, Grupo Carlos Soares. Imagem: www.viscondedoriobranco.mg.gov.br
Dona Theresinha, Dama do Mundo, em Sienna.
Toda luta tem suas glórias e suas
frustrações. As donas de casa vêem
diminuir o rendimento familiar pelo achatamento salarial e, outras vezes, pelas
uniões desfeitas. As remunerações, que
não cobrem a quarta parte das despesas necessárias, obrigam o casal, enquanto
juntos, a buscar trabalho fora de casa, para trazerem talvez a metade do que
precisam. Os filhos não podem mais ter o
acompanhamento da mãe até atingirem a maioridade. As professoras são forçadas a promover alunos despreparados a séries seguintes,
porque o sistema agora quer assim, por razões que a própria razão
desconhece. Além dessa “obrigação” que
fere sua consciência, as mestras, ao lado dos seus colegas mestres, são desvalorizados
e desmerecidos a partir dos vencimentos irrisórios diante da nobreza de sua
função de preparar as gerações futuras.
A luta pela preservação da cultura e
dos valores históricos esbarra em interesses econômico-financeiros que vão
derrubando a imagem de uma cidade que fora rica, culta e bela.
Nessa mistura de presença da mulher
rio-branquense em todos os campos de luta, tivemos no passado as cortadoras de
cana, que se levantavam cedo, e colocavam sacos de Mauá sobre as vestes
humildes para subir em caminhões que as levavam para as jornadas dos canaviais,
de onde voltavam com arranhões no rosto, misturados às manchas de carvão. Com o fim das usinas de açúcar e dos
engenhos, as suas sucessoras passam os dias nas baixas temperaturas do gelo,
sob o risco que lhes causa o abate de animais, em ambiente que pode abreviar
suas aposentadorias por invalidez e comprometer sua qualidade de vida.
Visconde do Rio Branco tem grande
dívida com a mulher, que sempre compartilhou com os homens o sacrifício pela
geração de renda e riqueza, além do seu papel de mãe e dona de casa. Poucas vezes teve participação no poder,
mesmo assim em posições inferiores e com menor presença nas funções coletivas. Tivemos e temos pouquíssimas vereadoras e
nenhuma prefeita. Da mesma forma, no Poder Judiciário, sua presença é rara, a
não ser como funcionária burocrática.
Cada uma, se fosse possível, mereceria
placas de bronze e estátua em Praça Pública.
Mas, até agora, nenhuma.
Dona Theresinha preservou, por
tombamento, o Estádio da Boa Vista Joseph Lambert – o Campo do Nacional – que os
especuladores imobiliários quiseram transformar em condomínio fechado. Tombou o
prédio do histórico Cinema Brasil, o da Prefeitura, o da Igreja Matriz, embora
lamentando a destruição das obras de arte do seu interior, como as colunas
gregas e as laterais de madeira, artisticamente trabalhadas; da mesma maneira,
lamenta a destruição das três casas da Rua Floriano Peixoto, que eram
inventariadas, estavam com a demolição sob embargo judicial, suspenso por ordens de bastidores fora dos rituais legais do processo. Entre suas frustrações, encontra-se a falta
de preservação da fachada da Casa Telles histórica, desde o Século XIX, uma das
mais importantes de toda a Zona da Mata, com projeção de filiais em Portugal. Mantém seu trabalho cultural à frente da
Diretoria do Museu Municipal. E
renunciou à presidência do Conselho Consultivo Municipal para Fins de
Tombamento do Patrimônio Histórico de Visconde do Rio Branco(MG), por sentir o
interesse especulativo sobrepor-se ao cultural.
Estádio da Boa Vista Joseph Lambert. Imagem: Romilda Aparecida Pereira
Cinema Brasil. Imagem: www.viscondedoriobranco.mg.gov.br
Igreja Matriz. Imagem: Hélio Veríssimo Ferreira
Prefeitura. Imagem: facebook
Casa Telles. Imagem: Rita Lopes
Casa Telles. Imagem: Cristóvão Ferreira
Dona Theresinha, Dona Naná, Educadoras,
Canavieiras, Operárias, Donas de Casa, Mulheres de todas as atividades,
Visconde do Rio Branco faz reverência diante de cada uma, em pleito de gratidão
e reconhecimento!
(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)
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