sexta-feira, 8 de março de 2013

A mulher rio-branquense no mundo


                                               

      Temos, a partir de Visconde do Rio Branco, todos os motivos para falarmos das mulheres, de seus valores, de seus trabalhos, de suas frustrações. 

         As mulheres donas de casa, de ontem e de hoje, responsáveis pela formação dos filhos, na sua doação de amor, a construir o caráter e a personalidade das gerações futuras. Houve tempos melhores em que elas podiam dedicar-se integralmente ao acompanhamento do crescer e do desenvolver dos descendentes para que se tornassem cidadãos de bem, preparados para o trabalho digno, na composição do grupo social de cada época, com procedimento exemplar no próprio município ou fora dele.

         Ao lado das donas de casa, as professoras complementavam a educação recebida em casa, ao acrescentar conhecimentos que capacitassem as crianças e jovens para o exercício de profissões que os desafios da vida reservassem a cada um. Muitos foram por todo esse Brasil a contribuir com o desenvolvimento dos lugares de destino, outros continuaram por aqui mesmo, porque o Município também precisava da sua competência, da sua inteligência e da sua disposição para cumprir o papel social de cada cidadão, com seu trabalho que produz, ou com sua liderança que conduz.

         Citamos duas mulheres que simbolizam todas as conterrâneas na sua lida de educadoras e donas de Casa: Dona Theresinha de Almeida Pinto e Dona Albertina Lima Duarte(Dona Naná).  Ambas muito representam na formação de várias gerações, na doação de Educação e Cultura.


         Dona Naná, no tradicional Grupo Carlos Soares, representa todas as diretoras e professoras de outros educandários pela rede de ensino municipal e estadual aqui instaladas.   Dona Theresinha, Dama do Mundo, transmite com dinamismo e entusiasmo a experiência de elevada cultura internacional, na luta pela preservação da cultura local, com empenho para preservação de bens de valor histórico nas imagens de arquiteturas que falam. 
Ao fundo, Grupo Carlos Soares. Imagem: www.viscondedoriobranco.mg.gov.br
Dona Theresinha, Dama do Mundo, em Sienna. 



         Toda luta tem suas glórias e suas frustrações.  As donas de casa vêem diminuir o rendimento familiar pelo achatamento salarial e, outras vezes, pelas uniões desfeitas.  As remunerações, que não cobrem a quarta parte das despesas necessárias, obrigam o casal, enquanto juntos, a buscar trabalho fora de casa, para trazerem talvez a metade do que precisam.  Os filhos não podem mais ter o acompanhamento da mãe até atingirem a maioridade.  As professoras são forçadas a promover  alunos despreparados a séries seguintes, porque o sistema agora quer assim, por razões que a própria razão desconhece.  Além dessa “obrigação” que fere sua consciência, as mestras, ao lado dos seus colegas mestres, são desvalorizados e desmerecidos a partir dos vencimentos irrisórios diante da nobreza de sua função de preparar as gerações futuras.

         A luta pela preservação da cultura e dos valores históricos esbarra em interesses econômico-financeiros que vão derrubando a imagem de uma cidade que fora rica, culta e bela. 

         Nessa mistura de presença da mulher rio-branquense em todos os campos de luta, tivemos no passado as cortadoras de cana, que se levantavam cedo, e colocavam sacos de Mauá sobre as vestes humildes para subir em caminhões que as levavam para as jornadas dos canaviais, de onde voltavam com arranhões no rosto, misturados às manchas de carvão.  Com o fim das usinas de açúcar e dos engenhos, as suas sucessoras passam os dias nas baixas temperaturas do gelo, sob o risco que lhes causa o abate de animais, em ambiente que pode abreviar suas aposentadorias por invalidez e comprometer sua qualidade de vida.

         Visconde do Rio Branco tem grande dívida com a mulher, que sempre compartilhou com os homens o sacrifício pela geração de renda e riqueza, além do seu papel de mãe e dona de casa.  Poucas vezes teve participação no poder, mesmo assim em posições inferiores e com menor presença  nas funções coletivas.  Tivemos e temos pouquíssimas vereadoras e nenhuma prefeita. Da mesma forma, no Poder Judiciário, sua presença é rara, a não ser como funcionária burocrática.

         Cada uma, se fosse possível, mereceria placas de bronze e estátua em Praça Pública.  Mas, até agora, nenhuma.

                Dona Theresinha preservou, por tombamento, o Estádio da Boa Vista Joseph Lambert – o Campo do Nacional – que os especuladores imobiliários quiseram transformar em condomínio fechado. Tombou o prédio do histórico Cinema Brasil, o da Prefeitura, o da Igreja Matriz, embora lamentando a destruição das obras de arte do seu interior, como as colunas gregas e as laterais de madeira, artisticamente trabalhadas; da mesma maneira, lamenta a destruição das três casas da Rua Floriano Peixoto, que eram inventariadas, estavam com a demolição sob embargo judicial, suspenso por ordens de bastidores fora dos rituais legais do processo.  Entre suas frustrações, encontra-se a falta de preservação da fachada da Casa Telles histórica, desde o Século XIX, uma das mais importantes de toda a Zona da Mata, com projeção de  filiais em Portugal.  Mantém seu trabalho cultural à frente da Diretoria do Museu Municipal.  E renunciou à presidência do Conselho Consultivo Municipal para Fins de Tombamento do Patrimônio Histórico de Visconde do Rio Branco(MG), por sentir o interesse especulativo sobrepor-se ao cultural.
Estádio da Boa Vista Joseph Lambert. Imagem: Romilda Aparecida Pereira 

Cinema Brasil. Imagem: www.viscondedoriobranco.mg.gov.br

Igreja Matriz. Imagem: Hélio Veríssimo Ferreira
Prefeitura. Imagem: facebook
Casa Telles. Imagem: Rita Lopes

Casa Telles. Imagem: Cristóvão Ferreira 





         Dona Theresinha, Dona Naná, Educadoras, Canavieiras, Operárias, Donas de Casa, Mulheres de todas as atividades, Visconde do Rio Branco faz reverência diante de cada uma, em pleito de gratidão e reconhecimento!

(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)


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