Um mundo sem alma, conseqüência
Uma pessoa amicíssima abordou-me e fez o seguinte comentário, com relação às fotos compartilhadas em minha página virtual: “você postou fotos lindíssimas em sua página, fiquei encantada.” Confesso, envaideceu-me tal comentário. Acredito que assim como ela e outras amigas e amigos não entenderam o espírito ou as razões destes compartilhamentos.
Vivenciamos a era da cegueira e da escuridão em função do bloqueio das potencialidades do pensamento humano, causado pelos efeitos do sistema econômico opressor. Significa que o homem este ser puro, inocente que nasce, alimenta sonhos e ideais, não é o senhor do seu destino e de seus pensamentos. Torna-se um ser passivo, receoso diante desta realidade trabalhista e social que o cerca, sobretudo a imposição do sistema neoliberal, nesta relação de quem emprega e quem necessita do emprego, quando lhe são impostos uma sobrecarga de trabalho, pressão, arrocho salarial e competitividade, visando sempre a exploração máxima do trabalhador, deste ser humano puro e inocente, exposto às agressividades e explorações trabalhistas deste mundo moderno. Enfim, situações que agridem e impedem esta convivência saudável e necessária do homem com o espaço, com o qual ele convive, quando lhe são vedados o direito e liberdade de observar e sentir os efeitos da criação, proveniente das mãos humanas e do Criador do Universo, tornando as idas e vindas momentos de suplício e desolação.
Em que pese estarmos vivenciando uma era do “faz de conta” diante dos falsos argumentos de nossos governantes e aliados que afirmam: “que vivenciamos e respiramos ares democráticos, ou que os profissionais do espaço educacional estão bem situados no nível salarial, ou que a educação alcança níveis de qualidade, cumprindo sua função principal, qualificando o homem para as adversidades deste mundo moderno.” Afirmações demagógicas, inverídicas, traduzem bem nossa realidade.
Ainda que vivenciarmos ares de liberdade, mas não seríamos tão ousados de conceituar isto de ares democráticos, uma vez que nossa estrutura social não foi, nem está preparada para vivenciar uma democracia plena, falta à ferramenta necessária, conhecimento. Para este cidadão trabalhador, base da pirâmide social, que caminha nos passos da alienação, democracia seria equivalente às ações de um soldado cego, com um fuzil na mão, num campo de batalha, se torna impotente, incapaz. É a ferida crônica que ainda não foi cicatrizada e as aberturas desta ferida dão testemunho da história, desta caminhada lenta e indefinida, mas é nossa realidade dentro deste tema “democracia”.
Embasado numa leitura a análise mais aprofundada, verificamos que nossa sociedade não foi e não está preparada educacionalmente para vivenciar uma democracia de fato, falta o instrumento maior, mais eficaz que dá alma e vida este contexto, construído e repassado pelo espaço educacional. Nosso histórico educacional, minou bases e alicerces, impedindo-nos de sermos protagonistas de nossa própria história, sempre fomos conduzidos por ideais conservadores, manipulados, com um projeto já definido, buscando sempre a formação de uma pátria de alienados, ao que credencia a burguesia status de soberania plena.
Se numa extremidade uma classe ficou plenamente desguarnecida, impotente e inocente diante desta realidade, na outra extremidade temos uma classe que se vangloriou e ganhou status de supremacia, acumulando riquezas, a burguesia.
Entretanto, diante desta realidade cria-se perfil do trabalhador, este que paga conta e patrocina o luxo da classe burguesa e de cada elemento que compõe este contexto social, um trabalhador incansável, mas puro e inocente, assim como o cidadão, este que já venceu etapas, mas que compõe esta esfera social e que continua em pleno estado de inércia; caminhantes das idas e voltas em plena escuridão da história.
Embasado a esta neutralidade e simultaneamente ao resgate destes valores do corpo e da alma, pautamos na ideia
da retomada de consciência, buscando nas obras construídas pelas mãos humanas e do Criador do universo, temáticas através das imagens como instrumentos de reflexão, visando o renascimento e retomada de uma nova vida, de um novo conceito, consequentemente de uma nova postura como alma e pessoa diante desta realidade que nos cerca, buscando cada dia mais o aprimoramento como ser integrante e construtor deste espaço social ao qual convivemos, através de uma consciência crítica, pautada no conhecimento e a conseqüente ruptura dos elos desta corrente que prende as ações e liberdade deste ser puro e inocente.
JBDuarte
jbatistaduarte@yahoo.com.br

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